Três passeios e um livro sobre livro

- Você vai abandonar seu blog, Heitor?

- Por que, mãe?!

- Nunca mais você escreveu…

É a segunda vez que minha mãe fala isso, outra vez que fiquei um tempo sem publicar aqui, ela me disse a mesma coisa, minha mãe é meio exagerada, depois, desta vez, nem faz tanto tempo assim.

- Nunca vou abandonar o blog, mãe!

Eu disse, um pouco alterado, e corri ao computador pra escrever o post de hoje.

Assunto não falta, neste mês fiz três passeios da hora e li um livro que conta a história de uma biblioteca mágica. O primeiro passeio foi na cidade de São José dos Campos, fui com o pessoal da Sintaxe encontrar os alunos do professor Carlos, que participaram do clube de leitura, que está no post anterior. O segundo passeio foi na sala São Paulo, no centro da cidade, fui com minha amiga Paula assistir à entrega do prêmio Jabuti. O terceiro foi numa livraria; e o livro que li, adorei e vou contar um pouco da história dele é A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken, de Jostein Gaarder e Klaus Hagerup.

Passeio a São José dos Campos

Quando comecei a fazer este blog só queria falar dos livros que leio e mostrar como e por que gosto tanto de ler. Com o tempo fui descobrindo outras vantagens, fiz passeios, fui a lançamentos e feiras de livros, conheci escritores, ilustradores, editores e um monte de gente legal nesse mundo maravilhoso da literatura. Ainda teve mais, fiz contatos por e-mail com alguns professores e organizamos aqui no blog os nossos clubes de leitura, que agora começam a render outra atividade e trazer mais vantagens: Recebi um convite do professor Carlos, com quem organizamos o último clube de leitura.

O convite era para participar de um encontro com seus alunos e conversar sobre livros e leitura. Só que a escola dele fica em São José dos Campos, não podia ir sozinho e tive que pedir ajuda ao pessoal da Sintaxe. Todos sabem quem é o pessoal da Sintaxe? Eu já falei deles, aqui… Sintaxe é a assessoria de imprensa que me deu este blog de presente, me apresentou aos primeiros escritores e me ajuda a divulgar. Eles concordaram em me levar, conversaram com os meus pais e fomos. Eles também participaram do bate-papo. Esse foi o nosso primeiro encontro pra falar de livros com alunos de outras escolas, adorei e quero fazer mais.

A turma do Vera Lúcia

Vitória Sousa, Stefanie, Raiane, Isabelle, Eduardo, Bruna, Ana Camila, João Victor, Cristian, Diego, Carlos, Adriele, João Gabriel, Bruno, Iago, Pedro Henrique, Mateus, Nicole, Pedro Lucas, Iara, Gustavo e Vitória Morais são alguns dos meus novos amigos, que conheci, pessoalmente, na visita que fiz à EMEF Vera Lúcia Carnevalli Barreto, na cidade de São José dos Campos. Eles formam o clube de leitores dessa escola, que fica perto do centro da cidade, num terreno enorme, cheio de árvores, tombado pelo patrimônio histórico. O encontro foi na sala de leitura da escola.

Participamos de um bate-papo, coordenado pelo professor Carlos, sobre livro e leitura. Descobri que assim como eu, eles também gostam muito de ler, e acho que foi isso que me aproximou, ainda mais, deles, o amor pelo livro e pela leitura. Falamos do que gostamos mais de ler; dos nossos escritores preferidos; de como viramos leitores; com quem aprendemos a gostar de livros; falamos do livro O gênio do crime, de João Carlos Marinho, que foi o tema do nosso clube; e trocamos dicas de leitura. No intervalo, eles leram trecho de um livro do professor Carlos – me disseram que ajudaram o professor a escrever esse livro; e no final ainda me fizeram um monte de perguntas sobre o blog.

Aproveitei para contar algumas das muitas aventuras que já vivi com o blog, inclusive, a luta com o prefeito da minha cidade na defesa da biblioteca do meu bairro. Acho que foi a que eles mais gostaram e prometi que um dia vou contar mais detalhes dessa história. Almoçamos e na parte da tarde visitamos, com o professor Carlos, a Bienal do Livro de São José dos Campos. Na Bienal eu participei de um bate-papo sobre poesia. Adorei o encontro e o passeio, um dia quero voltar a São José dos Campos e rever meus novos amigos.

Antes de vir embora o professor Carlos me deu dois livros que ele acabou de lançar, Os Palermas e O dia que tentaram virar os pés do Curupira, este da coleção Histórias da lua-cheia. Além de professor, ele também é escritor, já falei de outro livro dele aqui. Agora vou ler esses dois e depois eu conto.

Passeio ao Jabuti

Outro dia recebi um e-mail da minha amiga Paula: “Oi, Heitor. Vc vai na entrega do Jabuti? Tem convite? Bj, Paula.”.

Eu respondi: “Oi, Paula. Convite eu tenho, eles me mandaram, mas não sei se vou, à noite, no centro da cidade, não posso ir sozinho. Bj, Heitor.”.

Ela respondeu: “Vai comigo, na volta, te deixo em casa.”.

Eu respondi:  “OBA!”. E fomos!

Meus amigos escritores

Chegamos à Sala São Paulo, pegamos a fila pra ver se nosso nome estava na lista de convidados, estava, entramos na sala e já começamos a encontrar nossos amigos, a Paula encontrou o Guilherme Azevedo, que também é jornalista como ela, publicou um livro, As Aventuras de Alencar Almeida (O Repórter) e é editor de um site, “Jornalirismo“ (www.jornalirismo.com.br). O Guilherme é bem legal, ficou com a gente e fomos passear pela sala pra encontrar mais amigos.

O primeiro que encontrei foi o Luiz Antonio Aguiar, que mora no Rio de Janeiro. Ele tem muitos livros publicados e premiados, gosto muito do Luiz Antonio e já falei de um livro dele aqui, A espada turca, um romance de literatura fantástica. Neste Jabuti ele ganhou o segundo lugar de Melhor Juvenil com o livro Os anjos contam histórias. Quero ler esse também.

Depois encontrei o Nelson Cruz, que mora em Santa Luzia, Minas Gerais. Já fizemos um clube de leitura aqui no blog com um livro dele, Os herdeiros do Lobo. Neste Jabuti ele ganhou o terceiro lugar de Melhor Ilustração Infantil e Juvenil com o livro A máquina do poeta. Também encontrei a Marilda Castanha, mulher do Nelson, eu a conheci no outro Jabuti, daquela vez foi ela quem ganhou prêmio de melhor ilustração.

Fui procurar a Socorro Acioli, precisava encontrá-la, afinal, torci por ela, e o seu livro Ela tem olhos de céu pegou o primeiro lugar de Melhor Infantil. Encontrei a Socorro, que me disse que não acreditou quando recebeu a notícia, ficou tão feliz e emocionada que não conseguia conversar com ninguém, nem responder as mensagens que recebia em sua casa em Fortaleza. Disse que demorou um tempo pra voltar ao normal. Também encontrei a Eny Maia da Editora Biruta e conversei um pouco com ela. Foi a Eny que publicou o livro da Socorro.

Também encontrei o Jeosafá Fernandes Gonçalves, outro dia falei de um livro dele, O Jovem Mandela, ele estava com a Rosa, da Nova Alexandria, que é a sua editora. O livro Cheiro de chocolate e outras histórias, de Roniwalter Jatobá, publicado pela Nova Alexandria ganhou o terceiro lugar na categoria Livro de Contos e Crônicas. Conversei um pouco com o Roniwalter e o cumprimentei pelo prêmio.

Conheci o Tomás Martins, da Ateliê Editorial. A Ateliê ganhou o Jabuti, em primeiro lugar, na categoria Arquitetura e Urbanismo com o livro do professor Benedito Lima de Toledo, Esplendor do Barroco Luso-brasileiro. O Tomás me contou que o Benedito foi seu professor na Faculdade de Arquitetura. Já tinha trocado alguns e-mails com o Tomás quando falei, aqui no blog, de um livro da Ateliê, o Contos da Nova Cartilha – Segundo Livro de Leitura, de Liev Tolstói.

No final, depois da entrega dos troféus, encontrei o André Neves, ele me disse que a gente só se encontra no Jabuti, eu disse pra ele continuar a ganhar os prêmios pra gente se encontrar sempre. Da outra vez, ele ganhou o segundo lugar de Ilustração e o primeiro de Melhor Infantil com o livro Obax. Li esse livro, adorei e falei dele aqui no blog. Desta vez o André ganhou o primeiro lugar de Melhor ilustração Infantil e Juvenil com o livro Tom. O André estava com a Daniela Padilha, da Editora Jujuba, que me convidou para visitar sua editora, e eu vou.

O Luis Fernando Verissimo ganhou o prêmio de Melhor Livro do Ano de Ficção com Diálogos Impossíveis, que foi primeiro lugar na categoria Contos e Crônicas; e o Audálio Dantas, de Melhor Livro do Ano de Não Ficção, com As duas guerras de Vlado Herzog, que foi primeiro lugar na categoria Reportagem. A lista completa dos premiados: http://www.premiojabuti.org.br/resultado-vencedores-2013

Passeio à livraria

- Heitor, vou à livraria, quer ir comigo?

- Claro que quero!

- Então vamos logo, que já estou saindo.

- Espera, só vou me trocar.

Estranhei, fazia tempo que meu pai não me convidava pra ir à livraria com ele, no caminho ele me explicou, eu entendi, e adorei ainda mais nosso passeio daquele dia. A livraria estava fazendo uma promoção, e todos os livros infantojuvenis de uma editora estavam pela metade do preço. Ele me disse que eu podia escolher até três, não muito caros. Eu escolhi A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken, de Jostein Gaarder e Klaus Hagerup; Noah foge de casa, de John Boyne; e Os Gêmeos: Crônicas de Salicanda – Livro I, de Pauline Alphen, esta escritora é brasileira, mas mora na França, eu a conheci na Bienal e já falei de outros livros dela, aqui no blog. Desses livros que ganhei já li A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken e hoje vou falar um pouco dele.

Homenagem ao livro

A primeira parte de A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken, de Jostein Gaarder e Klaus Hagerup, publicado pela editora Companhia das Letras se chama “O livro de cartas” e é contada pelas cartas que o menino Nils mandava para sua prima Berit e vice-versa. As cartas eram escritas num livro, comprado por Nils, que podia ser fechado a chaves. Só havia duas chaves, uma ficou com Nils e a outra ele enviou a Berit, quando inaugurou o livro, escreveu a primeira carta, trancou e o remeteu para sua prima. O livro partia de Oslo, capital da Noruega, onde morava Nils, e seguia para uma cidadezinha do interior do país, onde morava Berit, em seguida fazia o caminho inverso.

Essa história é cheia de mistérios e o primeiro já acontece logo na primeira carta. Quando Nils entrou na livraria para comprar esse livro, havia lá uma mulher estranha. Segundo ele, ela ficava passando na frente das estantes, olhando os livros e babando, como se eles fossem de chocolate, marzipã ou coisa parecida. E o mais estranho de tudo foi quando o menino foi ao caixa e a mulher se ofereceu para pagar o livro. Ela chegou perto dele e perguntou se não podia dar uma pequena contibuição. Disse isso com um olhar tão esquisito, que Nils não conseguiu recusar e aceitou a oferta da mulher misteriosa.

Atrás de desvendar esse mistério os primos vão encontrando outros, resolvendo alguns, narrando tudo em suas cartas e escrevendo esse livro, até chegar à segunda parte da história, que se chama “A biblioteca”. Nessa parte são revelados todos os mistérios que envolvem a biblioteca mágica de Bibbi Bokken.

São tantos os mistérios que num deles cheguei a pensar que essa mulher misteriosa sabia coisas até da minha própria vida. Diziam que nessa biblioteca havia livros que ainda não tinham sido publicados, um deles seria lançado no ano que vem e contaria a história de uma biblioteca. Eu sei de um livro que conta a história de uma biblioteca e vai ser lançado no ano que vem! De verdade! Mas isso ainda é segredo. Será que ela descobriu o meu segredo? Perguntei pro meu amigo Lipe o que ele achava disso tudo, ele também leu A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken e sabe desse outro livro.

- Você tá pirando, Le, confundindo ficção com realidade.

- Você acha, mesmo, Lipe?

- E anda muito autorreferente.

Não sei onde ele aprendeu essa palavra.

Jostein Gaarder nasceu em 1952, na Noruega. É autor de O mundo de Sofia (1995) e O livro das religiões (2000), entre outros livros de grande sucesso internacional.

Klaus Hagerup, nascido em 1946, é poeta, diretor teatral e autor infantojuvenil premiado na Noruega.

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João Carlos Marinho no clube de leitura

Hoje é dia de clube de leitura! O clube de hoje será com os alunos do sexto e sétimo anos, do professor Carlos, da EMEF Vera Lúcia Carnevalli Barreto, de São José dos Campos, e o livro que lemos foi O gênio do crime, do escritor João Carlos Marinho. São aproximadamente 70 alunos que estão participando desta edição do nosso clube. O professor Carlos disse que leu O gênio do crime quando tinha 12 anos – a nossa idade, minha e dos alunos dele – e esse foi um dos livros que o incentivou à leitura.

Esta edição do nosso clube de leitura também vai ter uma entrevista coletiva com o autor, como a que fizemos no clube com o Nelson Cruz. Os alunos do professor Carlos mandaram algumas perguntas, eu e o meu amigo Lipe bolamos mais duas, enviamos para o João Carlos Marinho, e ele respondeu. Ele disse que as nossas perguntas foram ótimas e que foi um prazer responder!

Como foram as outras edições do nosso clube de leitura, hoje eu publico o post e nos próximos dias os alunos vão deixando os seus comentários. Quem não faz parte do clube e quer deixar um comentário, também pode.

Nossa roda de conversa

- Lipe, um aluno da professora Luciana, de Belo Horizonte, me perguntou se você é meu amigo imaginário ou é de verdade.

- E o que você respondeu?

- Que é de verdade, claro! Eu ia mentir pra ele?

Desta vez foi mais fácil fazer a roda de conversa com o Lipe, depois que fizemos as pazes, estamos sempre juntos, ele até já foi comigo às reuniões do PMLL.

- Você gostou do livro O gênio do crime?

- Adorei e quero ler os outros livros da Turma do Gordo, achei essa turma bem maneira! E você, gostou?

- Gostei muito e também vou ler os outros da Turma do Gordo.

Conversamos bastante sobre o livro, contei ao Lipe as partes que gostei mais, e ele me falou das suas preferidas, até que me lembrei da entrevista coletiva:

- Viu, Lipe, esse clube com o João Carlos Marinho também vai ter entrevista coletiva, os alunos do professor Carlos vão mandar as perguntas e nós podemos fazer duas. Você já sabe o que perguntar?

- Sei, quero perguntar se ele montava álbuns de figurinha quando era criança e se conseguiu completar algum, meu pai disse que era muito difícil encher um álbum, antigamente.

- Boa! Também já sei o que vou perguntar… Li que ele recebe visitas de escolas em sua casa, aqui em São Paulo, vem alunos e professores, até de outras cidades, e conversam com ele sobre seu trabalho e seus livros. Vou pedir pra ele falar dessas visitas, quem sabe o professor Carlos decide trazer os seus alunos pra visitar o João Carlos Marinho e a gente vai junto com eles.

O livro O gênio do crime, escrito por João Carlos Marinho e publicado pela Global Editora começa assim: “Era um mês de outubro em São Paulo, tempo de flores e dias nem muito quentes nem muito frios, e a criançada só falava no concurso das figurinhas de futebol. Deu mania, mania forte, dessas que ficam comichando o dia inteiro na cabeça da gente e não deixam pensar em mais nada. Quem enchia o ábum ganhava prêmios bons e jogava-se abafa pela cidade: São Paulo estava de cócoras batendo e virando. Batia-se de concha, de mão mole, de quina, com efeito, de mão dura, conforme o tamanho do bolo, o jeito do chão e o personalíssimo estilo de cada um.”

Havia as figurinhas difíceis, por isso pouca gente conseguia completar um álbum. No álbum do Edmundo só faltava o Rivelino, ele comprava toneladas de envelopinhos e o Rivelino não saía; foi jogar abafa na Vila Matilde e no Tucuruvi, e nada; foi ao treino do Corinthians falar com o Rivelino e nem o próprio jogador tinha a figurinha dele mesmo. Certo dia seu amigo Pituca chegou com uma novidade: “disseram que no largo São Bento tinha um cambista que vendia as figurinhas abertas; o fulano encomendava a figurinha que queria e no dia seguinte o cambista trazia. Custava caro, mas era garantido.”

O Edmundo encomendou o Rivelino e, finalmente, conseguiu completar o álbum. Foi à fabrica buscar seu prêmio e descobriu que as figurinhas que o cambista vendia estavam levando seu Tomé, o dono da fábrica, à falência, muitos álbuns cheios e tantos prêmios, que seu Tomé não estava dando conta. Depois de muita conversa e negociações o Edmundo, o Pituca, o Bolacha, que nem de futebol gostava, e depois a Berenice, formaram a Turma do Gordo e resolveram ajudar o seu Tomé a encontrar a fábrica clandestina e pegar o gênio do crime.

O livro quase não saiu

O livro quase não saiu e o João Carlos Marinho ia desistir de ser escritor. Ele publicou O gênio do crime em 1969, mas até o livro ficar pronto, muitas coisas aconteceram. Começou a escrever o livro em 1965, quando tinha 30 anos de idade, morava em Guarulhos (SP), tinha um escritório de advocacia, aonde ia trabalhar à tarde, e de manhã ficava em casa, brincando com o filho pequeno, cuidando do jardim, da horta, do galinheiro, pensando e se lembrando da infância.

Lembrava sempre dos concursos de figurinhas de futebol e dos álbuns que colecionava quando era criança, achou que podia escrever um livro infantil, envolvendo um mistério e que tivesse figurinhas de futebol. Primeiro fez o desenho do livro, uma fábrica de figurinhas honesta, outra desonesta e um grupo de meninos detetives, em seguida criou os personagens, encaixou os personagens no desenho da história e começou a escrever os primeiros capítulos.

Quando escrevia a parte da história em que o gordo tem a grande ideia para perseguir e pegar os cambistas criminosos, a imaginação dele “secou”. Ficou 20 dias pensando nessa ideia, pensava no livro o dia todo, mas não conseguia encontrar uma saída, “deu branco total”. Abandonou os rascunhos na gaveta e durante 10 meses não pensou mais no livro. Quase desistiu de ser escritor, pensou que o que aconteceu com ele foi um “fogo de palha, que acontece na vida de todo mundo”.  Até que em janeiro de 1967, passando férias em uma praia, acendeu “uma lâmpada” em sua cabeça, que lhe revelou a grande ideia para continuar e terminar de escrever seu primeiro livro. Essa e outras histórias estão no site http://www.globaleditora.com.br/joaocarlosmarinho.

Entrevista coletiva

“Nunca foi meu propósito seduzir o leitor e sim dar-lhe boa literatura”

Entrevistamos o João Carlos Marinho!

Fizemos algumas perguntas (eu, o Lipe e os alunos da EMEF Vera Lúcia Carnevalli Barreto, de São José dos Campos), lhe enviamos e ele respondeu.

Clube de Leitura – Como é para você saber que tem milhões que gostam de seus livros?
João Carlos Marinho – Isso me deixa realizado como escritor, não tanto pela quantidade de livros vendidos, que sempre achei secundária em literatura (onde sigo a lição dos reais apreciadores), mas pela permanência no tempo. Já se passaram 44 anos do lançamento de O gênio do crime.

CdL – Você ganhou muito dinheiro com O gênio do crime?
JCM – Se somarmos esses 44 anos daria um soma alta, mas isso até com o salário de qualquer um. A renda que me dá não é grande, é modestamente confortável.

CdL – Em algum momento você pensou que o livro poderia não emplacar, por motivos como o contrabando de Edmundo ou pelo fato de Bolacha quase ser morto com uma facada, ou, ainda, por algum outro motivo?
JCM – Esses fatos citados são irrelevantes. Vamos substituir a palavra “emplacar” por “firmar-se na literatura”, que deixa mais claro de que nunca foi meu propósito seduzir o leitor e sim dar-lhe boa literatura. Nunca fiquei preocupado em ficar analisando se o livro ia ou não “firmar-se na literatura”. Deixei acontecer.

CdL – Você acha que seu livro pode ser lido por crianças menores de 8 anos?
JCM – A minha experiência pessoal como criança, a minha experiência de vida e a minha experiência de autor que há 44 anos conversa com leitores, individualmente ou nas classes que me visitam sucessivamente, me convenceram de que a organização cerebral meio simplória da criança dá um salto formidável a partir de aproximadamente 7 ou 8 anos (com raras exceções), que permite pensamentos bastante complexos. Por isso a idade ideal para ler meus livros, como eu constatei, é entre 9 e 12 anos ou 13. Quando começa a adolescência, pela minha experiência, a infância deixa de existir, o adolescente já é um adulto que se acha em um processo de metamorfose glandular violenta e a infância já acabou. Dos 12 ou 13 anos em diante o leitor pode entender perfeitamente meus livros, mas não entra no clima da infância, ele está fora do clima da infância, e não sente o mesmo prazer, não “veste a camisa”. Os professores também sentem isso e por isso nunca trazem classes de adolescentes para me visitar após a leitura. Os adolescentes (com exceções) fazem uma leitura “fora de foco”. Nesse ponto eu até prefiro a leitura dos menores de 9 anos, que já me trouxeram classes assim, inclusive de 7 anos, eles não tem um aproveitamento ótimo mas pegam umas coisas aqui e ali e, ao contrário dos adolescentes, estão “no foco”.

CdL – Você já recebeu alguma crítica, da qual não gostou? Pode revelar?
JCM – Não me recordo de nenhuma crítica que tenha me incomodado ou mudado o meu bom humor.

CdL – Já passou pela sua cabeça que os pais proibiriam as crianças de lerem o livro, pelo fato de os meninos da história mentir para os seus pais?
JCM – A literatura e de um modo geral toda a arte que chega até a criança sempre teve que passar pela vigorosa censura de pais e professores. É normal. Dentro disso também é normal que existam “transbordamentos” e “exageros de zelo”. Desde criança que eu sei disso e isso nunca me incomodou e nem me perturbou.

CdL – Hoje, você mudaria alguma coisa no livro O gênio do crime?
JCM – Não.

CdL – Qual foi a melhor opinião que lhe deram a respeito de O gênio do crime?
JCM – É uma que se repete sempre, de adultos me dizendo que meus livros abriram para eles os horizontes da boa leitura e que são guardados sempre na memória deles como inesquecíveis.

CdL – Você colecionava figurinhas quando era criança? Conseguiu completar algum álbum?
JCM – O fato de eu colecionar apaixonadamente figurinhas é que gerou este livro, junto com o fato de que era muito difícil encher um álbum por causa das figurinhas difíceis. Eu nunca enchi um álbum. Era uma emoção muito grande. Se quiserem saber como era o meu álbum é só acessar o vídeo MEU ÁLBUM que se acha no meu site.

CdL – Como são as visitas que professores e alunos fazem a você? Há um agendamento?
JCM – Os professores entram em contato comigo através do meu site que está impresso em todos os livros ou através dos divulgadores da Global e explicam que livro eles estão lendo, quantos alunos são e fica marcada uma data. O meu prédio tem um auditório muito agradável que fica no fundo de um grande jardim que as crianças devem atravessar para chegar até ele e por isso já chegam felizes. No mês passado esteve aqui o Colégio Maria Imaculada de Jacareí e na semana que vem receberei o Colégio Ceni de Taubaté. No ano passado recebi o Pequeno Príncipe (SEPP) de Jacareí, assim como recebo também escolas mais distantes do interior mas a grande maioria é daqui de São Paulo mesmo.

João Carlos Marinho nasceu no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1935, e logo se mudou para Santos onde cursou o primário no Ateneu Progresso Brasileiro. Fez o ginasial em São Paulo no Colégio Mackenzie, e depois se mudou para Lausanne, na Suíça, onde cursou o colegial na Maturité Fédérale Suíça. Voltando ao Brasil morou em São Paulo e se formou em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco (USP). Formado passou a morar e advogar em Guarulhos, no escritório de Advocacia Trabalhista J.C. Marinho, até 1987, quando voltou pra São Paulo, onde mora até hoje, e passou a viver exclusivamente de literatura.

Em 1969, quando ainda advogava, publicou o livro O gênio do crime que virou um clássico da literatura infantojuvenil brasileira, já tendo passado a marca de 60 edições. Depois de O gênio do crime vieram outros livros da Turma do Gordo, Sangue fresco, Berenice detetive, O conde Futreson, O disco I – A viagem, O disco II – A catástrofe do planeta ebulidor, O gordo contra os pedófilos, Assassinato na literatura infantil, ao todo são doze os títulos da Turma do Gordo. Escreveu ainda quatro livros para adultos. Com o livro Sangue fresco ganhou o Prêmio Jabuti e o Prêmio da Crítica APCA, e com o livro Berenice detetive, o Prêmio Mercedes Benz. O livro O gênio do crime virou filme de cinema em 1973, como O detetive Bolacha contra o gênio do crime, dirigido por Tito Teijido, e também foi traduzido para o espanhol, como El gênio del crimen. Em 2009 aconteceram muitas comemorações para festejar os 40 anos deste livro.

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Mandela, Jabuti e outro encontro

Como prometi no post anterior hoje vou falar de dois livros, O jovem Mandela e Ela tem olhos de céu. O primeiro foi escrito por Jeosafá Fernandes Gonçalves e faz parte de uma coleção da Editora Nova Alexandria, “Jovens Sem Fronteiras”, que reconstitui a juventude de importantes personagens da cultura brasileira e mundial. O segundo foi escrito por Socorro Acioli, ilustrado por Mateus Rios, publicado pela Editora Gaivota e está entre os finalistas ao Prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil.

Também vou falar de outro encontro bem legal que eu participei na semana passada, na biblioteca Monteiro Lobato, promovido pelo LiteraSampa, que reuniu quase cem crianças e adolescentes pra conversar sobre livro, leitura e biblioteca. E no final deste post já vou anunciar o próximo, vamos fazer o clube de leitura com uma escola municipal de São José dos Campos.

Amandla! Ngawethu!

O escritor Jeosafá Fernandes Gonçalves é meu amigo e companheiro de luta na defesa do livro e da leitura, eu o conheci na Bienal de São Paulo e já estive com ele em algumas reuniões, ele também estava no encontro municipal para organizar a construção do Plano Municipal do Livro e da Leitura do dia 13 de setembro, que contei aqui no blog. Hoje vou falar de um livro que ele escreveu, que conta um pouco da vida do grande personagem da História e principal líder na luta pela democracia, pela liberdade e contra o apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

Apartheid foi um regime de segregação racial que existiu durante muitos anos, a maioria negra da Africa do Sul não tinha direito a nada, nem votar podia e até os casamentos inter-raciais eram proibidos. Por lutar por democracia e liberdade, Nelson Mandela ficou preso durante 27 anos, mas continuou sua luta contra o apartheid. Na prisão, promoveu debates, deu palestras e verdadeiras aulas, com currículo estabelecido pelos próprios participantes, até os guardas acompanhavam as aulas de Mandela.

Essa sua iniciativa de educação geral e de formação política ficou conhecida como Universidade Mandela, e essa história está em O jovem Mandela, escrito por Jeosafá Fernandes Gonçalves e publicado pela Editora Nova Alexandria. Para escrever esse livro, o autor fez muita pesquisa, misturou realidade e ficção e mostrou como se formou o homem e o líder que derrotou o apartheid. Mandela deixou a prisão em 1990 e em 1994 foi eleito presidente da África do Sul, pelo voto direto de todos os sul-africanos, não apenas dos brancos.

Havia um grito de guerra para as manifestações antiapartheid: Amandla! Ngawethu! Um líder saudava a multidão Amandla! (o poder) e esta respondia numa só voz Ngawethu! (está com a gente!), depois vou perguntar ao Jeosafá como pronuncia essas palavras, ele me disse que gostou de escrever esse livro, e eu adorei ler, comecei e não parei mais, até acabar.

Jeosafá Fernandez Gonçalves, nasceu em São Paulo, em 1963. Trabalhou como jornaleiro, operário metalúrgico, vendedor de roupas, porteiro de cineclube, entre outros, até ingressar no curso de Letras da Universidade de São Paulo e tornar-se professor, carreira que exerceu por dezesseis anos, na Educação Básica e no Ensino Superior. Doutorou-se em Literatura pela mesma Universidade, com especialização nas relações Brasil-África, em 2002, publicou seu primeiro livro em 1986 e reúne hoje em sua obra, entre poesia, ficção, ensaio e ensino, mais de quarenta livros. É autor de uma série de romances chamada Era uma vez no meu bairro, resultado de mais de vinte anos de pesquisa sobre a violência, particularmente contra crianças e jovens.

Sebastiana, a menina que fazia chover

Já fui uma vez à entrega do Prêmio Jabuti, até contei aqui e neste ano, quero ir de novo. Tem um livro entre os finalistas ao Prêmio de Melhor Livro Infantil, que estou torcendo pra ganhar, é o livro da minha amiga Socorro Acioli e se chama Ela tem olhos de céu. O resultado final sai no dia 17 de outubro, quando serão anunciados os três primeiros colocados por categoria e a festa de entrega dos prêmios será no dia 13 de novembro. Quero ir e reencontrar minha amiga, que mora em Fortaleza.

Ela tem olhos de céu, escrito por Socorro Acioli, ilustrado por Mateus Rios e publicado pela Editora Gaivota conta a história de Sebastiana, uma menina que nasceu em Santa Rita do Norte, cidade que fica “lá pras bandas do Nordeste, onde a água nunca pinga, onde a seca não tem pena, de gente de bicho e cacimba.” Sua mãe era Lúcia Natalina, “parindo depois dos trinta”, não tinha água em casa pra Chica Parteira fazer seu trabalho.

Os vizinhos lhe ajudaram, cada um “deu o que pôde” e depois de cinco filhos homens, nasceu sua primeira mulher. Nasceu chorando e não parou de chorar, logo “ouviu-se o trovão, uma pancada no céu, mais parecia explosão”, e quanto mais a menina chorava, mais o céu escurecia, até começar a chover. Este é só o começo dessa história, contada em versos de cordel, Sebastiana chora-chuva ainda vai virar atração e um grande problema pra cidade.

A Socorro Acioli já lançou o Ela tem olhos de céu aqui em São Paulo, nesse dia foi também o lançamento da Editora Gaivota, eu fui e contei aqui no blog. Até peguei um autógrafo dela! Li outro livro da Socorro contado em versos de cordel, é o Inventário de Segredos, que “revela” os segredos dos habitantes de uma cidade do interior do Ceará. Tem cada segredo nessa história, que só lendo! O Inventário também foi ilustrado pelo Mateus Rios. Gosto muito das ilustrações dele, são desenhos, que vistos de longe já dá vontade de pegar o livro e ler.

Socorro Acioli nasceu em Fortaleza, em 1975. É jornalista e doutoranda em estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. Estuda roteiro de cinema e foi aluna de Gabriel García Márquez e Guilhermo Arriaga. Além do Ela tem olhos de céu, publicou, A Bailarina Fantasma, Inventário de Segredos, O Anjo do Lago, Bia que tanto lia, Tempo de Caju e muitos outros. Por seus livros infantojuvenis já recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e o prêmio de Melhor Obra Infantil do Governo do Estado do Ceará.

Mateus Rios é carioca, mas mora e trabalha em São Paulo. Fez faculdade de cinema e hoje trabalha com ilustração de livros, projetos de animação e publicidade. Gosta de descobrir e testar novos modos de contar histórias, experimentando diversos materiais, meios e modos de narrar, deixando os olhos descobrirem caminhos e cores neste jogo com o texto, e dando forma ao que as palavras inspiram. Além de Ela tem olhos de céu, ilustrou Planeta Bicho, Vozes da Floresta, Pedro Noite, A ideia que se esquecia, Inventário de Segredos, O Barba-Azul e muitos outros.

LiteraSampinha

Na semana passada participei de um encontro, quem me avisou foi a Bel do LiteraSampa, ela deixou um comentário no post anterior: “… Nesta sexta-feira (04/10) estarei no LiteraSampinha, na Biblioteca Monteiro Lobato com uma garotada de 06 a 12 anos. Vamos conversar sobre o PMLL. Falarei de você.” Não resisti e fui, pessoalmente, o encontro durou o dia todo, saí da escola e fui direto pra lá, deu tempo de pegar o lanche e os trabalhos da tarde. As atividades seriam dentro e fora da biblioteca, no jardim da praça onde fica a Lobato, mas como naquele dia estava chovendo em São Paulo, só teve as atividades internas, mas, mesmo assim, foi bem gostoso.

Teve mediação de leitura, contação de história e duas atividades em grupo. Na primeira atividade, os grupos conversaram sobre “um elemento da narrativa essencial para uma história: o personagem”. Desenhamos no papel e cada um construiu a identidade de seu personagem, se era idoso, mulher, homem, jovem, animal, que tempo ele viveu ou vive, como é sua família, o que gosta de fazer, qual é o seu nome, que planeta vive e onde nasceu. Depois, escolhemos em que gênero literário de histórias estaria o nosso personagem, num romance, história em quadrinhos, fábula, conto, poesia. No final, nosso personagem ficou construído e desenhado.

A segunda atividade começou com uma contação, a escritora Thayame Porto contou uma história de seu livro Carrego Comigo!. Depois o grupo conversou sobre os dois primeiros eixos do PMLL, “democratização do acesso” e “fomento à leitura e à formação de mediadores” e todo mundo teve que desenhar o lugar onde mais gosta de ler, teve de tudo, gente que desenhou uma árvore, uma casa, uma biblioteca, um jardim, um bosque, o sítio do avô, uma montanha, um rio, um banheiro, teve até desenho de privada, mas o curioso, mesmo, é que ninguém desenhou uma escola. Daí todos começaram a falar como queriam que fosse a sua escola.

A escola tem que ter mais espaço, pra ir pra fora e não ficar só dentro da sala; as salas deveriam ser mais espaçosas, com puffs e tapetes; no mesmo espaço da sala, estante de livros; sala de leitura mais silenciosa; biblioteca aberta direto, quando a gente pode ir na biblioteca da escola, ela está fechada; acesso direto ao livro, ir lá e poder pegar; aulas diferentes, fora da sala; lugar de leitura no pátio, mais dias para pegar livro e biblioteca aberta todos os dias. No final, perguntei pra a Bel se essas reivindicações seriam encaminhas para o grupo de trabalho do Plano Municipal do Livro e da Leitura. A Bel respondeu que sim, que o PMLL precisa ouvir todo mundo, inclusive crianças e adolescentes.

Entrevista coletiva no Clube de Leitura

No próximo post vamos fazer o clube de leitura com o professor Carlos e os alunos da EMEF Profa. Vera Lúcia Carnevalli Barreto, de São José dos Campos. O livro será O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho e ainda vamos publicar uma entrevista coletiva que fizemos (eu e os alunos do professor Carlos) com o autor. Não percam!

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PMLL, Grupo de Trabalho e próximo post

Já faz três semanas que não publico nada aqui, provas na escola, já contei que quando é assim, meus pais me regulam a internet e dizem que é para o meu bem. Hoje tive uma folga, amanhã não tem nenhuma prova, e resolvi começar a por em dia os meus posts. Vou falar do encontro municipal para organizar a construção do Plano Municipal do Livro e da Leitura (PMLL) na cidade de São Paulo, que aconteceu no último dia 13, anunciei no post anterior e participei.

Livro e Leitura

O encontro foi o dia todo, fiquei lá, desde o comecinho até o final, fiz algumas anotações e agora vou contar um pouco do que ouvi.

A abertura foi com o secretário-adjunto da Secretaria da Cultura, Alfredo Manevy, e o diretor de orientação técnica da Secretaria de Educação, Fernando José de Almeida. O Alfredo Manevy disse que a base da construção do PMLL é a articulação de todas as forças ligadas a questão do livro e da leitura, disse também que a leitura tem que ser encarada como um direito de todos e o plano deve criar condições para isso.

Disse ainda que as duas secretarias tem que se unir nesse trabalho, que as bibliotecas devem ter usos mais amplos, integrar escolas e comunidades, envolver as editoras, livrarias e bibliotecas estaduais, e criar políticas que busquem o leitor e não fique esperando ele chegar. O representante da Educação, Fernando José de Almeida disse que a Secretaria tem 750 salas de leitura, bibliotecas nos CEUs, promove a formação de mediadores de leitura, e que devemos dar atenção especial para as crianças da educação infantil na formação de leitores.

A outra mesa foi com o José Castilho, secretário-executivo do Plano Nacional do Livro de da Leitura, do Ministério da Cultura, e a Cida Fernandes, coordenadora-executiva do Centro de Cultura Luiz Freire, de Pernambuco. O Castilho disse que o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) é resultado da união entre os ministérios da Educação e da Cultura, e que o objetivo é construir uma “política de Estado” para o livro e a leitura, disse que o governo municipal deve cumprir o seu papel para que Estado e sociedade trabalhem pela construção de um Brasil de leitores, que o Estado tem que financiar as políticas públicas, e que a leitura não se faz do dia para a noite,  assim como a cidadania. “É preciso pensar a longo prazo.”

Cida Fernandes disse que a participação da sociedade foi fundamental na construção dos planos municipais de Recife e Olinda, disse que a presença de saraus na cidade de São Paulo é um exemplo que onde inexiste política pública, a cidade reage e busca seus caminhos, contou que houve um desmonte das bibliotecas públicas em 2012, em Pernambuco, e que os eventos Seminário de Literatura e Encontro Estadual de Bibliotecas Públicas foram muito importantes para o Plano de lá.

Na parte da tarde houve quatro oficinas. A primeira foi sobre a “Democratização do acesso” e quem coordenou foi a Vera Saboya, Superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. A segunda foi sobre “Fomento à leitura e à formação de mediadores”, coordenada por Neide A. de Almeida, socióloga e consultora nas áreas educacional e editorial. A terceira, “Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico”, coordenada por Sandra Medrano, da Revista Emília, e a última foi sobre “Desenvolvimento da economia do livro”, coordenada por Kim Doria, da Libre – Liga Brasileira de Editores. Eu fiquei na segunda mesa e aprendi muita coisa sobre mediação de leitura. Um dia ainda vou falar sobre mediação de leitura aqui no blog.

No final ficou decidido que o GD – Grupo de Discussão que vem se reunindo desde o ano passado será ampliado e transformado em GT – Grupo de Trabalho. O GT será formado por representantes das entidades ligadas ao livro e a leitura nas diversas regiões da cidade, por meio de uma portaria intersecretarial (Cultura e Educação) da Prefeitura do Município de São Paulo. Para definir os pontos dessa portaria e a composição do GT, foi marcada uma reunião para o próximo dia 7 de outubro, segunda-feira, às 14h00 no auditório da Biblioteca Pública Viriato Corrêa, que fica na rua Sena Madureira, 298, na Vila Mariana. Todos estão convidados!

Eu vou, queria tanto participar desse grupo de trabalho, mesmo que fosse como simples observador, tipo café-com-leite, nem ligo, só quero mesmo é acompanhar de perto, mais essa luta em defesa do livro e da leitura na minha cidade.

Próximo post

Hoje também ia falar de um livro bem legal que li, escrito pelo meu amigo Jeosafá Fernandes Gonçalves, que conta a história de Nelson Mandela e de sua luta contra o apartheid, e que se chama O jovem Mandela. Outro livro que li e queria falar também é o Ela tem olhos de céu. Escrito por Socorro Acioli e ilustrado por Mateus Rios, ele foi indicado para concorrer ao prêmio Jabuti de melhor livro infantil. Agora já tenho pra quem torcer no Jabuti deste ano, vou torcer para o livro da minha amiga Socorro!

Mas tenho que deixar pra falar desses dois livros no próximo post, pois este já está grande e o meu tempo na internet, por hoje, já acabou.

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A Rússia e minha segunda luta política

Com esse título meu pai disse que parece que vou falar da Revolução Bolchevique e riu, não entendi a piada, ele me explicou, mas não é nada disso, só dei esse nome para o post de hoje, pois achei bonito e é mais ou menos o que vou contar. No post de hoje, vou anunciar dois eventos importantes, um começa amanhã, o outro acontece na próxima sexta-feira.

O primeiro evento se chama “A Rússia visita o Sítio”. Serão diversas atividades organizadas pela Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato em parceria com a Associação Cultural Grupo Volga de Folclore Russo, realizadas entre os dias 10 e 30 setembro, na própria biblioteca, que fica na rua General Jardim, 485, na Vila Buarque, região central de São Paulo.

Haverá oficina de língua, de culinária, de artesanato e de dança russas, palestra sobre cultura russa e contação de histórias russas. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 3256-4122, com Marta ou Nilce. Eu já fiz a minha inscrição, vou participar da oficina de língua russa, assistir à palestra sobre cultura russa e também quero ouvir algumas histórias russas. Soube que esse evento é um intercâmbio entre crianças russas e brasileiras. Quando eu for lá, vou conversar com a Sueli e a Muriel, minhas amigas da Lobato, pegar mais informações e contar aqui no blog. Vejam abaixo a programação.

Primeiro Encontro Municipal

Outro dia contei aqui no blog, que participei de uma reunião para discutir a criação do PMLL – Plano Municipal do Livro e da Leitura em São Paulo, e que passei a chamar de “minha segunda luta política” – a primeira foi a luta em defesa da biblioteca do meu bairro, que já contei aqui no blog. O PMLL deve ser criado para “garantir a promoção do acesso ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas públicas, escolares e comunitárias a todos os cidadãos e cidadãs do município”. Fui a essa reunião com o meu amigo escritor, Jeosafá, e lá conheci a Bel, do LiteraSampa, o Paulo, da Bibli-ASPA; a Sueli, da Biblioteca Monteiro Lobato; o Miro, do Centro Cultural São Paulo; e o Flavio, o jornalista do sindicato.

Desde então, sempre converso com eles, que continuaram se reunindo com outras pessoas e entidades interessadas em livro e leitura, e agora decidiram organizar um grande encontro municipal para dar início à construção do PMLL/São Paulo. O objetivo desse encontro é ampliar e levar a discussão para as diversas regiões da cidade. Para isso, convidam todas as entidades e pessoas interessadas em discutir o Livro e a Leitura, a fim de construir o Plano da cidade de São Paulo. O evento acontece na próxima sexta-feira, 13 de setembro, no Centro Cultural São Paulo, que fica na rua Vergueiro, 1000, no Paraíso, e todos estão convidados. Eu vou! Vejam abaixo o convite e a programação.

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Nelson Cruz no clube de leitura

Hoje começa outra edição do nosso clube de leitura com os alunos da Escola Municipal Luiz Gatti, de Belo Horizonte, e vamos falar do livro Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz. Também vamos mostrar uma entrevista coletiva que fizemos com o autor. O clube funciona assim, eu posto sobre o livro, e na sequência, os alunos, que leram e trabalharam esse livro com as professoras, escrevem seus comentários. Se alguém mais quiser comentar, claro que pode, mesmo não fazendo parte do clube. A edição anterior (“A professora encantadora no clube de leitura”) teve 147 comentários.

Esse nosso clube é formado por, aproximadamente, 170 alunos das turmas do 6º ano. Quem organiza o clube na escola são as professoras de Língua Portuguesa, e nesta edição entrou mais uma professora pra nossa turma, a Nádia. Agora são três professoras, a Luciana, a Ana Paula e a Nádia. Aqui no blog, somos eu e o meu amigo Lipe. Ele sempre me ajuda, lê os livros do clube, depois fazemos uma “roda de conversa” e compartilhamos nossas leituras.

Nossa roda de conversa

Na semana passada eu estava preocupado, precisava fazer a roda de conversa com o Lipe e a gente não se falava, desde o dia que ele me chamou de comédia. Contei isso no post anterior. Não nos encontramos na escola, ele não me procurou e eu também não o procurei. Estava com saudades do meu amigo e queria conversar com ele, não só pra falar do livro do clube, mas também pra conversar de outras coisas, essas coisas que só os grandes amigos conversam. Contei para o meu pai, ele me disse que isso acontece com todo mundo, e que nessas horas, alguém tem que ceder. Eu cedi e liguei para o Lipe.

- E aí, Lipe, beleza?

- Beleza, Le!

- Na semana que vem tenho que publicar o post do clube de leitura… Você já leu o livro Os herdeiros do Lobo?

- Li.

- Gostou?

- Gostei.

- Você pode passar aqui em casa, hoje, pra gente fazer a roda de conversa?

- Que horas?

- Às cinco. Você pode?

- Posso. Às cinco eu passo aí.

Ele veio, no começo estava meio esquisito, mas nem tocamos no assunto da briga. Fomos conversando sobre o livro, ficamos animados com a história, e em poucos minutos, eu nem lembrava mais que estava brigado com o meu amigo. A história do livro Os herdeiros do Lobo fez as nossas pazes. No final ainda bolamos uma pergunta para entrevista coletiva com o Nelson Cruz.

As histórias de vô João

Quando a professora Luciana sugeriu que a gente lesse o livro Os herdeiros do Lobo no clube de leitura, fiquei muito feliz. Primeiro porque já tinha lido dois livros do Nelson Cruz (Mestre Lisboa – o Aleijadinho, escrito e ilustrado por ele, e Conto de escola, de Machado de Assis, que ele ilustrou) e tinha adorado! Segundo porque já conhecia o Nelson Cruz pessoalmente, conversei com ele uma vez, tinha o seu e-mail e tive uma ideia:

- Professora Luciana, que tal a gente tentar entrevistar o Nelson Cruz no nosso clube?

- Seria ótimo, Heitor! – ela me respondeu. Será que conseguimos?

Conseguimos! Entrevistamos o Nelson Cruz, li Os herdeiros do Lobo, e adorei! Esse livro ganhou o prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil de 2009.

Os herdeiros do Lobo, escrito e ilustrado por Nelson Cruz, publicado pelo selo Comboio de Corda da Edições SM conta uma história que parece ser a história do próprio autor. O vô João seria o avô de Nelson ou ele o inventou. Também pode ser que a história tenha um pouco de verdade e bastante fantasia. Os personagens existiram, mas a história é inventada. Vai saber… O Nelson Cruz diz que em alguns casos é “escolha do leitor”, o leitor escolhe e dá um destino aos personagens. Vamos seguir o seu conselho, então, e brincar de escolher os destinos da história desse livro, que agora, também, é um pouco nossa.

Vô João nasceu na Itália, seu nome era Giovanni Ferdinando, durante a guerra naturalizou-se brasileiro e adotou o nome de João Fernandes. Ele gostava de contar histórias e contava as histórias de Pinóquio, de Cinderela, como se tivesse participado delas. Mas havia uma história que ele sempre repetia e toda vez que contava ficava emocionado. Abria uma velha caixa metálica e retirava de dentro dela antigas fotografias de quadros, com o verso manuscrito, como se fossem cartões-postais.

Todas tinham endereços de remessa de diferentes cidades e vilarejos da região da serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais. As pinturas eram de um artista chamado Camilo Amarante Lobo, o fotógrafo era um amigo de vô João, Cosme Zanone. Vô João ainda vivia na Itália e seu amigo Cosme, ja tinha se mudado para o Brasil. Certo dia, vô João resolve vir também para o Brasil para procurar o seu amigo, e vive uma aventura cheia de mistérios, que só, mesmo, lendo o livro Os herdeiros do Lobo pra descobrir.

Entrevista coletiva

‘Prefiro acreditar que minhas fantasias sejam reais’

Entrevistamos o Nelson Cruz!

Fizemos algumas perguntas (eu, o Lipe e os alunos da Escola Municipal Luiz Gatti, de Belo Horizonte – por isso, entrevista coletiva), lhe enviamos e ele respondeu.

Clube de Leitura – Como você se inspirou para criar a história de Os herdeiros do Lobo?
Nelson Cruz – Essa história me pregou uma peça; um dia acordei e ela estava inteirinha na minha cabeça. É verdade. Não tive que pesquisar, estudar nem nada. Pronto. Apareceu. O que fiz em seguida, foi escrevê-la e, ao longo do tempo, melhorar alguns personagens e o texto.

CdL – Qual é o paradeiro do personagem Cosme – ele está morto ou escondido?
NC – Olha, essa conclusão sobre o paradeiro desse personagem deve ser do leitor. Se eu falar vai resolver o mistério? Acho que não devo fazer isso. Como cada um escolhe um doce para comer penso que debater e escolher o destino que levou esse personagem deve ser uma escolha do leitor.

CdL – Por que os personagens ficavam atrás da cortina?
NC – Bom, uma passagem da história que não vou revelar. Principalmente, porque é a mais importante da história. Só chamo a atenção para a leitura de imagem.

CdL – Você tem um avô que se chama João? Você é um dos personagens?
NC – Não, eu não sou nenhum dos personagens. Mas, tive esse avô italiano que adotou minha mãe quando ela era criança. Ele era um imigrante. Para homenagear esse gesto de nobreza, de ter adotado minha mãe, e para que ele não fosse esquecido na família adotei-o como personagem dessa história.

CdL – Sabemos que o livro todo não é real, mas algumas partes são reais?
NC – Prefiro acreditar que minhas fantasias sejam reais. Porque, constantemente no noticiário aparecem fatos que já existem na literatura de ficção.  Então…

CdL – Quando você era criança você gostava de fazer e contar histórias?
NC – O mais forte em mim sempre foi o ato de desenhar. Agora, contar histórias é algo inerente ao ser humano. Nunca vou me esquecer das fogueiras e da turma de amigos ao redor do fogo ouvindo e contando histórias, principalmente de assombração.

CdL – Com quem você aprendeu a fazer histórias?
NC – Aprendi a contar histórias lendo histórias. Parece simples mas é aí que entra a ilustração me facilitando o desenvolvimento da narrativa. O que eu não conseguia esclarecer na escrita a ilustração entrava e vice-versa.

CdL – Do que você gosta mais, de desenhar ou de escrever?
NC – Minha alma é de ilustrador e ligada à arte do desenho. Não dá para camuflar isso. Amo ser ilustrador e ser reconhecido como autor de imagem.

Nelson Cruz nasceu em Belo Horizonte e mora em Santa Luzia, Minas Gerais. Escritor, ilustrador e artista plástico, recebeu prêmios nacionais e estrangeiros, como o de Melhor Ilustração Hors-Concours da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em 2003, para Conto de escola, de Machado de Assis. Entre outros, também ilustrou O aprendiz de feiticeiro, de J. W. Goethe, e O menino poeta, de Heriqueta Lisboa.

Além de Os herdeiros do Lobo, que ganhou o prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil, em 2009, é autor de A árvore do Brasil, Mestre Lisboa e No longe dos Gerais, neste último também fez o projeto editorial e o livro foi 3º lugar na categoria juvenil, do Jabuti, em 2005. Em 2002, foi indicado ao Hans Christian Andersen de ilustração. Em 2008, ao lado de sua esposa, a autora e ilustradora Marilda Castanha, lançou a coleção Histórias para contar História, que reúne seus livros Dirceu e Marília, Chica e João e Bárbara e Alvarenga e os livros de Marilda, Pindorama, terra das palmeiras e Agbalá, um lugar-continente.

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Notícias da luta política e de caros amigos

Hoje vou contar novidades sobre a luta em defesa do quarteirão e da biblioteca do nosso bairro; vou falar do primeiro livro da minha amiga Stela Greco Loducca, que tem um site bem legal chamado “O Pequeno Leitor” – o livro dela se chama A lobinha ruiva e foi ilustrado pelo, agora, meu amigo Renato Moriconi. Também vou mostrar trecho de um vídeo de animação do meu amigo escritor Almir Correia; e vou falar do livro O Elefante Infante, de Rudyard Kipling, um clássico da literatura infantil, editado pela Musa, editora da minha amiga Ana Cândida Costa, traduzido pelo meu amigo Adriano Messias e ilustrado por Fernando Vilela, que ainda não conheço pessoalmente.

Coisas do meu melhor amigo

- Você é o maior comédia, Heitor!

Fiquei surpreso com o Lipe, por dizer que sou comédia e por me tratar pelo nome, faz tempo que ele só me chama pelo apelido. Deve estar p. comigo!

- Por que, Lipe?

- Esses seus “amigos”

Falou com desdém e fez sinal com os dedos colocando aspas em amigos.

- O que é que tem meus amigos?

- Você fica falando no seu blog que é amigo de todos esses escritores. É tudo ficção!

- Não é tudo ficção, não, Lipe! Tem alguma ficção no meu blog, sim, mas a minha amizade com esses escritores, é verdadeira. Pode perguntar a eles.

Quem acompanha o meu blog sabe da minha amizade com esses escritores e de como tudo começou. Primeiro conheci o pessoal da Sintaxe, em uma visita que fiz a uma editora, tudo isso está contado aqui. Foram eles que me deram a ideia do blog, me ajudaram a fazer, a divulgar e me introduziram nesse mundo da literatura. Eles me levaram a feiras de livros, lançamentos, a outros passeios literários e me apresentaram a seus amigos escritores, ilustradores e editores. Depois aprendi a me virar sozinho, meti as caras e hoje continuo ampliando minha rede de amigos do livro. O Lipe é o meu melhor amigo e sabe disso tudo, não sei por que fica tão p. comigo.

Minha primeira luta política

Faz tempo que não falo da minha primeira luta política, a luta em defesa do quarteirão e da biblioteca do nosso bairro. Todos devem ter acompanhado pelo jornal ou aqui no meu blog. O prefeito anterior queria demolir a biblioteca, o teatro, duas escolas, uma creche e duas unidades de saúde, que ficam em um terreno público aqui no Itaim Bibi, para construir um prédio de apartamentos particulares.  A biblioteca é a Anne Frank, que eu frequento desde criancinha.

Quando soube que as pessoas do bairro estavam se organizando pra defender o quarteirão, perguntei pro meu pai se eu podia participar do movimento, também. Ele me deu a maior força e disse: “Essa será sua primeira luta política, de verdade, Heitor!” E é por isso que eu a chamo assim: “minha primeira luta política”. Esta e outras cenas dessa minha luta estão aqui no blog, e em breve vou contar toda essa história, completa, em detalhes. Aguardem!

As comissões

Apesar de o prefeito ter cedido a nossa pressão e, antes de terminar seu mandato, desistido de demolir o quarteirão, a lei que autoriza a prefeitura a vender o terreno continua valendo. No ano passado o então vereador Eliseu Gabriel, que apoiou o nosso movimento, entrou com um PL (Projeto de Lei) na Câmara para revogar essa lei. Mas antes de ir à plenária para ser votado pelos atuais vereadores, esse projeto tem que passar por quatro comissões: Comissão de Constituição e Justiça, de Política Urbana e Meio Ambiente, de Administração Pública, e de Finanças e Orçamento.

Na quarta-feira, ele passou pela primeira comissão, a de Constituição e Justiça, foi aprovado, e o nosso grupo estava lá, fazendo pressão. Eu não fui, não podia faltar à escola, mas foram meus amigos e companheiros de luta, o Helcias, o Luiz, a Joyce, o Cacildo e o Toufic. Nossa luta vai continuar, vamos pressionar as próximas comissões e também acompanhar o processo de tombamento que está parado no Condephaat, para salvar o nosso quarteirão, para sempre.

Personagens trocadas

Na outra semana recebi um e-mail da minha amiga Stela Greco Loducca me convidando para o lançamento de seu primeiro livro, A Lobinha Ruiva:

Oi Heitor, tudo bem com você? Quanto tempo! Queria muito te contar que sábado que vem, dia 3, será o lançamento do meu primeiro livro com uma das historinhas do meu site O Pequeno Leitor. Estou muito feliz e gostaria muito que você desse uma passadinha lá na livraria já que é fã de livros. Beijos, Stela.

Fazia tempo que eu não via a Stela, eu a conheci no lançamento de “O Pequeno Leitor” (essa história eu contei aqui no blog), depois nos encontramos na entrega do prêmio de uma revista para os melhores livros infantojuvenis (essa eu não contei aqui, não dá pra contar tudo), ela já tinha me falado que estava pra lançar o livro. Respondi ao e-mail dizendo que ia, sim, ao lançamento e que, além de ser fã de livros, também era fã do site e do trabalho dela. O Pequeno Leitor é um site bem legal, tem um monte de histórias e ainda dá pra criar personagens e construir sua própria história. Fui ao lançamento do livro, conversei com a Stela, com o Renato Moriconi, que fez as ilustrações e peguei autógrafo dos dois.

A Lobinha Ruiva é o primeiro de uma série de livros que a Companhia das Letrinhas vai lançar com as histórias que Stela Greco Loducca escreveu para o site O Pequeno Leitor. Será um lançamento por semestre e o segundo já está previsto para o final de 2013. Ilustrado por Renato Moriconi, esse livro reconta a história da Chapeuzinho Vermelho e troca as personagens. Nessa história a Chapeuzinho  se chama Amanda e é uma lobinha bem boazinha. Sua mãe é Dora e a vovó, Gertrudes. Todas lobas!

E o bicho malvado que tenta enganar Amanda, é “bem esquisito”, quase não tem pelos no corpo e anda com duas pernas. “Seria o caçador?” Sua mãe alertou-a para que “tomasse cuidado com os caçadores maus que poderiam aparecer na floresta”. A lobinha desconfiada pede a ajuda dos outros bichos para salvar sua vovozinha. No final, o livro dá algumas sugestões para o leitor misturar personagens de outra história e criar sua própria, como acontece no site O Pequeno Leitor, ou inventar outros finais para essa história.

Stela Greco Loducca trabalhou por 18 anos com redatora publicitária, mas foi depois do nascimento de seu filho, sua maior fonte de inspiração, que virou a página e, assim como a Chapeuzinho, foi caminhando estrada afora. Começou a escrever histórias, que tinham a ver com os momentos de vida dele, e também desenvolveu um trabalho de incentivo à leitura em uma comunidade carente. A partir dessas experiências criou O Pequeno Leitor, um site interativo e cheio de histórias para pequenos que um dia serão grandes leitores. A Lobinha Ruiva é o seu primeiro livro.

Renato Moriconi nasceu na cidade de Taboão da Serra, em São Paulo. Estudou artes plásticas e design gráfico. Tem mais de quarenta livros publicados no Brasil e também em outros lugares do mundo, como França, México e Coreia do Sul. Recebeu alguns prêmios ao longo de sua carreira, como o de Melhor Livro-Imagem, em 2011, e de Melhor Livro Para a Criança, em 2012, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Foi finalista do prêmio Jabuti 2011 em duas categorias: Melhor Ilustração Infantil e Melhor Livro Infantil.

Um teaser de animação

Conheci o Almir Correia na Bienal do Livro e falei de um livro dele aqui no blog. Depois disso trocamos alguns e-mails, gosto de acompanhar todas as coisas que ele faz e sempre peço notícias. Ele é escritor, com muitos livros publicados por diversas editoras; roteirista; produtor de vídeos de animação e autor da série “Carrapatos e Catapultas”, sucesso de animação que passou na TV Cultura, na TV Brasil e no Cartoon Network. Em breve quero fazer um post especial sobre o trabalho dele. Hoje vou mostrar um trecho de uma animação nova, que ele produziu e me mandou o link por e-mail:

Oi, Heitor. Aqui vai o teaser da nossa mais recente animação “Menina Lua Menino Lua”. Abraços, Almir Correia.

Teaser do curta de animação “Menina Lua. Menino Lua.”. Roteiro e direção de Almir Correia. Animação e direção de arte de Giordana Medaglia. Trilha sonora de Rodrigo Grigoletti. Produção Zoom Elefante. Junho de 2013.

Um prêmio Nobel de Literatura

O conto O Elefante Infante, de Rudyard Kipling, com ilustrações do próprio autor e de Fernando Vilela, traduzido por Adriano Messias, e publicado em versão trilíngue (português, inglês e francês) pela Musa Editora foi tirado do livro Histórias assim (Just so stories), uma de suas mais famosas coletâneas de contos. Ele é dedicado a sua filha Josephine e conta a história de um elefantinho muito curioso, que queria saber de tudo, e vivia fazendo perguntas.

À sua tia Avestruz perguntava por que as plumas de sua cauda cresciam daquele jeito, à sua tia Girafa, por que tinha a pele manchada, à gorda tia hipopótamo, por que tinha olhos vermelhos, e ao seu tio peludo Babuíno, por que os melões tinham aquele gosto. O Elefante Infante tinha perguntas pra tudo, não conseguia respostas pra nada, e só apanhava a cada pergunta feita.

Até que um dia, numa bela manhã, ele aparece com uma pergunta que jamais havia feito: “O que o Crocodilo come no jantar?” Todos os bichos ficaram assustados e bateram no Elefantinho por muito tempo. Depois, encontrou o Pássaro Kolokolo, que disse pra ele seguir pelas margens do grande rio Limpopo, que encontraria sua resposta. O Elefantinho foi e isso mudou sua vida e o transformou para sempre.

O escritor Adriano Messias, de quem eu já falei aqui no blog, disse que, traduzir Rudyard Kipling do francês e do inglês para nosso idioma foi tarefa de responsabilidade e prazer. Sobre essa história ele diz que “a interessante relação do narrador com sua ‘bem-amada menina’ torna a narrativa agradável, ora se reportando às densas florestas, ora voltando o contador ao ambiente em que narra a história, por meio de seus desenhos, o que promove uma maior interação leitor e autor.” Kipling foi um escritor marcante na infância e juventude do Adriano.

Rudyard Kipling nasceu em Bombaim (atual Mumbai), na Índia, em 1865, e morreu em Londres, em 1936. Jornalista, poeta e escritor é considerado o maior inovador na arte do conto curto e seus livros para crianças são clássicos da literatura infantil. Foi um dos escritores mais populares da Inglaterra no final do século XIX e início do século XX. Em 1907 ganhou o prêmio Nobel de Literatura, na época foi o primeiro autor de língua inglesa a receber esse prêmio, e até hoje, o mais jovem. Foi um lutador pelos direitos dos povos indianos colonizados, e seus textos tratam com ironia as incongruências do império britânico. Ao mesmo tempo, foi considerado por outros, como o profeta do imperialismo britânico.  A controvérsia sobre esses temas em sua obra perdurou por muito tempo, mesmo assim, ele é reconhecido como um intérprete incomparável de como o império era vivido. É autor da série O livro da Selva, das diversas versões de Mogli, o menino-lobo, entre muitas outras obras de prosa e poesia.

Próximo post

O próximo post será sobre o livro Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz, em mais uma edição do clube de leitura com os alunos da Escola Municipal Luiz Gatti, de Belo Horizonte. Haverá entrevista coletiva com o autor, não percam!

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Editora nova e novo amigo escritor

Outro dia fui ao lançamento de um livro da minha amiga escritora e ilustradora Aline Abreu. O livro dela se chama Menina Amarrotada, e conta a história da relação de uma menina com o seu pai. Essa história que a Aline escreveu e ilustrou, às vezes, é um pouco triste – que é quando a menina fica amarrotada, mas é muto bonita. Ganhei o livro e ainda peguei um autógrafo da autora. Já li e adorei.

Esse livro foi publicado pela Jujuba, a editora da minha outra amiga, a Daniela, que também estava lá. O lançamento foi bem gostoso e encontrei muitos amigos – a Raquel, a Lúcia, a Maria, a Sônia, o Cláudio, a Cecília, o Peter, e a Gizele e o Manu, que contaram a história do livro, e ainda conheci a Silvia Fernandes, que também tem uma editora, a Dedo de Prosa. Tudo isso graças ao meu blog. Depois que comecei a fazer este blog, conheci tanta gente legal!

No final conversei com a Silvia, ela me falou de um escritor que ela gosta muito e disse que eu precisava conhecer, o Gil Veloso. Ele tem dois livros publicados pela Dedo de Prosa, O menino arteiro e A pedra encantada. Ela me deu os livros, li e também virei fã deste escritor. Já fui a um bate-papo com ele, peguei autógrafo, o conheci pessoalmente, e hoje vou falar dos seus livros, mas antes vou contar duas novidades dos nossos clubes de leitura.

Coletiva de imprensa nos clubes de leitura

Os dois próximos livros dos nossos clubes de leitura serão Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz, que vamos ler com os alunos das professoras Luciana e Ana Paula, de Belo Horizonte, e O gênio do crime, de João Carlos Marinho, que será lido com os alunos do professor Carlos, de São José dos Campos. A novidade é que vamos entrevistar os autores, sim, vamos, eu e os alunos das escolas. Vou mandar as perguntas por e-mail e publicar a entrevista nos posts dos livros.

O pessoal da Sintaxe me disse que o que vamos fazer é uma “coletiva de imprensa”. Não é legal?! Vamos ter coletiva de imprensa no blog! Já mandei e-mail para os dois autores e eles concordaram em dar a entrevista. O Nelson Cruz, que eu já conhecia – o encontrei na entrega do prêmio Jabuti – nos agradeceu por fazer esse trabalho com o seu livro. O João Carlos Marinho, que a Silvia da Dedo de Prosa me passou o contato, retornou dizendo que será um prazer responder as nossas perguntas.

Um escritor que brinca com as palavras

Gilmar França Veloso é o seu nome completo. Foi o escritor Caio Fernando Abreu, que o batizou de Gil Veloso, misturando o nome dos dois compositores baianos. Gil Veloso foi amigo, confidente e secretário de Caio Fernando Abreu, e também trabalhou com outros dois escritores importantes, o João Silvério Trevisan e a Lygia Fagundes Telles. Também conheceu Hilda Hilst, que uma vez o convidou para morar em sua casa, a Casa do Sol, em Campinas.

Ele conheceu esses escritores muito antes de começar a mostrar seus textos e publicar livros. Convivia diariamente com a Lygia Fagundes Telles e ela só foi descobrir que ele escrevia no dia do lançamento de seu primeiro livro, o Fábulas Farsas, que, inclusive, traz um conto inspirado em uns cupins que naquele tempo apareceram na casa da Lygia. Eu li esse conto e gostei muito! O Gil adora brincar com as palavras e buscar os seus diversos significados. Foi o que ele fez nesse conto e também nos dois livros que li e que vou contar aqui.

A pedra encantada, escrito por Gil Veloso, com ilustrações de Nara Amelia e publicado pela Dedo de Prosa conta a história de Pedrita, uma menina que colecionava pedras. Na verdade, Pedrita era seu apelido, seu nome era outro, que a gente só descobre no final do livro, e que tem tudo a ver com as coisas que acontecem nessa história. Pelo menos foi o que eu entendi, perguntei ao Gil Veloso se era isso mesmo e ele me disse que não pensou assim quando escreveu o livro. É engraçado isso! Tem histórias que cada um entende de um jeito diferente (diferente até de quem escreveu), por isso que é bom conversar sobre os livros e fazer clubes de leitura. Uma vez eu ouvi dizer que quando o escritor publica seu livro, o livro deixa de ser do escritor e passa a ser do leitor. Então, na parte que me cabe deste livro do Gil Veloso, a história acontece do jeitinho que eu entendi, e pronto.

Desde pequena a menina gostava de pedras, tinha uma porção delas, de cores, formatos e tamanhos variados. Para qualquer lugar que fosse, sempre trazia uma lembrança, ao menos uma pedrinha. Todos na família pensavam que ela era “louquinha de pedra” e queriam que ela parasse com aquela mania. O seu quarto (“quartzo” como dizia o irmão, que vivia lhe zoando) parecia uma pedreira, não havia espaço pra mais nada. Além das pedras que pegava por aí, também ganhava de presente, algumas sujinhas, outras embrulhadas em papel de seda, com fitas, caixinha e tudo, como se fosse uma joia. Pedrita não era elegante e nem bonita, como os especialistas costumam classificar, mas tinha seu estilo. Ela também escrevia e Pedro, seu ex-namorado, achava seus textos bicho-grilos demais. E a história segue, com a Pedrita se transformando e enfrentando todas as pedras de seu caminho.

O menino arteiro, escrito por Gil Veloso e publicado pela Dedo de Prosa faz uma homenagem ao artista Guto Lacaz, apresenta alguns de seus trabalhos e conta uma história bem legal. Este livro é outro exemplo daqueles que a gente entende uma coisa, mas que pode ser outra, e neste caso, é outra, mesmo. Eu pensei que fosse uma pequena biografia do Guto Lacaz quando menino, mas a história contada é pura invenção de Gil Veloso. A história começa assim, como no livro anterior, com o autor brincando com as palavras e buscando outros significados.

“Era, desde pequeno, um artista verdadeiro. Estava sempre ocupado com coisas, troços, trecos e cacarecos, fazendo dos objetos gato-sapato, parecia possuído pelo bicho-carpinteiro. Quando bebê já se notava, tinha parafuso a menos. Ou a mais? Até seu choro continha algo diferente, gutural, parecia chorado de trás pra frente. Mal começou a engatinhar já tentava correr, quebrando recordes e coisas que estavam em seu caminho. Tão logo aprendeu a falar fazia perguntas sobre perguntas sem deixar espaço para as respostas. Isto quando não respondia ele mesmo; às vezes a pergunta já vinha com a resposta embutida. (…) Assim o menino, arguto e loquaz, vivia aprontando, xeretando por todas as partes, o tempo inteiro fazendo artes.”

Gil Veloso contou numa entrevista que deu para o site Estudos Lusófonos (http://etudeslusophonesparis4.blogspot.fr/2013/05/o-novo-so-e-possivel-no-olhar-do-leitor.html): “O Menino Arteiro nasceu de uma brincadeira-homenagem ao Guto, artista que muito admiro, pencas e quilos; era apenas um agrado, não pretendia se tornar livro, tampouco ilustrado. Mas aí o Guto gostou e pediu para expor no blog… Eu, que nem sabia que ele tinha isso, considerei então a possibilidade de editar. A Silvia Fernandes topou e fez-se book, pela editora Dedo de Prosa.”

Gil Veloso nasceu no Paraná e vive em São Paulo desde 1983 . Além de O menino arteiro e A pedra encantada, escreveu o livro de contos Fábulas Farsas e também o Travessuras, histórias para anjos e marmanjos. Publicados pela editora Ópera Prima, estes dois foram premiados pelo PROAC – Projeto de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo – concurso de apoio a projetos de publicação de livros. Fábulas Farsas também foi selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o catálogo da Feira de Bolonha em 2010.

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Colocado em Geral por Heitor. 17 Comentários

Manifestação, lutas e livro sobre livros

- Pai, posso ir à manifestação de hoje?

- Eu não posso te levar…

- Eu vou com o Lipe, vai ser aqui perto, no largo da Batata. Deixa, vai…

- Tudo bem, mas toma cuidado…

- Pode deixar, hoje a passeata vai ser tranquila, li no jornal.

E foi tranquila, mesmo! Uma multidão se encontrou no largo da Batata, em Pinheiros, e caminhou pela Faria Lima. Eu e o Lipe fomos no meio dessa multidão, gritando as palavras de ordem, principalmente as que eram contra o aumento do busão e pela educação. Eu nunca tinha participado de uma passeata tão grande! Seguimos com ela até aqui, no nosso bairro, depois, uma parte desceu pra marginal e a outra subiu pra Paulista, e nós voltamos pra casa, com nossa missão cumprida. Além de melhor amigo, o Lipe é meu companheiro de luta.

Todos já devem ter lido um monte sobre as manifestações, não se falou em outra coisa na semana passada. Eu estou contando isso também, só pra dizer que estive lá, e que não acordei agora, como disseram por aí. Quem acompanha meu blog, sabe disso. Sei de muita gente que luta desde a ditadura, algumas, até antes. É injustiça com essas pessoas dizer que o “gigante acordou”. Estamos acordados há muito tempo, apesar de só ter 12 anos, minha luta política também é antiga.

Lutei contra o prefeito da minha cidade, que queria derrubar a biblioteca do nosso bairro, essa luta foi vitoriosa, derrotamos o prefeito e protegemos a nossa biblioteca do ataque da especulação imobilária. Agora estou participando de uma luta maior, a luta pela implantação do PMLL na cidade de São Paulo. PMLL quer dizer Plano Municipal do Livro e da Leitura, eu já falei dele aqui no blog. Nesta semana participei de uma reunião para organizar um grande encontro e discutir o PMLL.

Esse encontro vai acontecer no próximo dia 13 de setembro no Centro Cultural São Paulo e vai reunir as pessoas que trabalham com livro, leitura e biblioteca ou simplesmente interessadas nesses assuntos. Em breve vou fazer um post especial pra falar disso. Cida Fernandes, coordenadora executiva do Centro de Cultura Luiz Freire, que participou da elaboração do PMLL em Pernambuco, estava nessa reunião e contou pra gente como foi a experiência de lá. Conversei com a Cida no final da reunião, ela conhece a Rosinha, minha amiga escritora e ilustradora, que mora em Olinda. Ela é sua vizinha! Esse mundo é mesmo pequeno.

Clube de leitura

Vocês viram? O post anterior teve 147 comentários! Isso tudo foi graças ao sucesso do nosso clube de leitura com os alunos das professoras Luciana e Ana Paula, da Escola Municipal Luiz Gatti, da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Todos os alunos comentaram e contaram o que acharam do livro. Teve até comentário do autor, o Márcio Vassallo! E esse nosso clube ainda vai continuar, vamos ler outros livros, o próximo será Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz.

Adoro fazer clube de leitura, com ele conheço um monte de gente que gosta de livro, assim como eu. Além do clube com a Luiz Gatti, estamos preparando outro, será com os alunos do professor Carlos, de uma escola municipal de São José dos Campos, interior de São Paulo. Até já escolhemos o livro, gênio do crime, de João Carlos Marinho. Vou conversar com o professor Carlos pra ver se dá pra gente falar desse livro, logo depois das férias, em agosto.

Três livros em um

Conheço um editor que faz coleção de livros que falam de livros. Também adoro esses livros! Sempre que descubro um que conta uma história que tem escritor, biblioteca ou qualquer coisa relacionada ao livro, já quero ler. Outro dia recebi um e-mail de uma editora – ela já tinha deixado um comentário no blog -, dizendo que estavam lançando um livro novo e me perguntou se eu teria “interesse em ler”. Junto, ela mandou um texto sobre o livro, dizendo que nele “o autor conduz o leitor por uma narrativa metalinguística que conta a história de dois livros que se encontram numa mesma estante, separados apenas por um Dicionário de Português.” Já gostei, de cara e respondi ao e-mail da editora. “Oi, Gabriela, por favor, me manda esse livro, que eu quero ler, adoro histórias assim”, e passei o meu endereço. Gabriela é o nome da moça da editora, ela já me mandou, li e adorei.

Bruno e Amanda: histórias misturadas, escrito por Pedro Veludo, ilustrado por Henrique Koblitz e publicado pela Editora Quatro Cantos conta uma história, misturando duas, que no final se transformam em três. É a história de dois livros, Os mapas de Bruno e O mistério do sumiço do sorriso da princesa Amanda. Como já tinha lido naquele texto, eles ficavam em uma estante, separados por um dicionário de português. Eram muito parecidos, os dois contavam histórias que não terminavam.

Os mapas de Bruno conta a história de um menino, que sonhava acordado e adorava inventar histórias. Ele sempre passava suas histórias para o papel e buscava palavras pra isso. Às vezes as palavras certas não apareciam e ele aproveitava outra, que passasse perto, ou inventava alguma. Bruno também colecionava mapas de lugares que acreditava existirem, mas que não eram muito fáceis de serem encontrados. Muitas vezes seus pensamentos iam longe, ele chegava até as últimas páginas de sua história e, nos breves momentos em que o dicionário não estava entre eles, conseguia enxergar a capa do livro de Amanda.

O mistério do sumiço do sorriso da princesa Amanda começa assim: “Numa manhã, pouco depois de acordar, o sorriso da princesa Amanda começou, bem devagarzinho, a sumir.” E não parou de sumir, a cada dia ela foi ficando cada vez mais triste. As pessoas ficaram com medo e não acreditaram no que viam: Como podia o sorriso da princesa estar sumindo? Ela sofria de um vazio no coração e sentia uma dor aguda e tão profunda, que não sabia explicar de onde vinha. Até que um dia seu sorriso sumiu de vez. Surgiram muitas explicações para o mal da princesa e as respectivas soluções salvadoras, mas nenhuma delas conseguia trazer de volta o seu sorriso. Depois de várias tentativas, o rei concluiu que o remédio poderia estar em outra história. Seu conselheiro, que só aparecia no final, preocupado com a princesa, caminhou até as primeiras páginas do livro.

Então, numa noite, em que o dicionário de português não foi devolvido à estante, não foi colocado no lugar entre os dois livros, as duas histórias sem finais se encontraram e formaram uma terceira, com muitos finais imaginados.

Além desse, também ganhei da Editora Quatro Cantos, outro livro de Pedro Veludo, Da guerra dos mares e das areias – fábula sobre marés, ilustrado por Murilo Silva. É uma história bonita que junta mar, areia, búzios, lua, e depois dessa guerra se formam os golfos, as enseadas, as ilhas, as penínsulas e as praias.

Pedro Veludo nasceu na cidade do Porto, em Portugal, foi ainda criança para Moçambique, onde cresceu, se formou em Engenharia de Telecomunicações, fez teatro e teve um conjunto musical. De lá veio para o Brasil, onde reside atualmente. Cursou Formação de Ator na UNI-RIO e, em 1986, abandonou a engenharia para se dedicar a escrever. Tem textos de teatro premiados pelo INACEN e teve peças montadas no Brasil, México, Portugal e EUA. Além de Bruno e Amanda: histórias misturadas e Da guerra dos mares e das areias – fábula sobre as marés, é autor de vários livros infantojuvenis, crônicas, um romance para adultos (A sétima maldição), e roteiros para jogos educativos em CD-ROM. Seu livro Viagens de Raoni ganhou o Prêmio FNLIJ – O Melhor para Criança, em 1990.

Henrique Koblitz desenha intensamente desde os catorze anos. Trabalha como designer gráfico,ilustrador e editor gráfico, criando interfaces para jogos de celulares. Participa de vários projetos culturais ligados à arte visual, como o “Olho de Bolso”, patrocinado pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, que já lançou 22 artistas gráficos, e o “Na Rua!”, exposição de diversos quadrinistas do Recife no formato de pôsteres urbanos (lambe-lambes) espalhados pelos muros da cidade.

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Colocado em Geral por Heitor. 12 Comentários

A professora encantadora no clube de leitura

Como já havia anunciado, hoje vamos inaugurar um novo clube de leitura no blog. Esse clube será feito com alunos do 6º ano, da Escola Municipal Luiz Gatti, da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Quem está coordenando o clube, lá na escola, são as professoras de Língua Portuguesa, Luciana e Ana Paula – já contei aqui, como conheci a professora Luciana e como surgiu a ideia de fazer o clube. No total, vão participar 170 alunos, aproximadamente.

Hoje vou publicar o post do primeiro livro do nosso clube: A professora encantadora, de Márcio Vassallo, ilustrado por Ana Terra. Nos próximos dias, aos poucos, os alunos vão deixar, aqui, os comentários sobre suas leituras. A professora Luciana me contou que eles já leram, conversaram e desenvolveram algumas atividades em sala de aula. Depois quero saber tudo o que eles fizeram.

Roda de conversa

Eu li no site da editora, a Abacatte Editorial, algumas sugestões de temas para conversar sobre esse livro e chamei o meu amigo Felipe, o Lipe, pra fazer uma “roda de conversa”. O Lipe sempre me ajuda nos clubes de leitura, já falei dele aqui no blog, é o meu melhor amigo, a gente mora na mesma rua e estuda na mesma escola. Antes ele me chamava de Heitor, mas depois que apareceu esse apelido na escola, ele também me chama de Le.

- Gostei da história desse livro, Le. Me lembrou daquela nossa professora do 5º ano, a professora Rose. Você se lembra dela?

- Claro que eu me lembro, Lipe. Ela era maior legal! Era apaixonada pelo escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Eu já falei dela no blog, no post que fiz sobre o Bartolomeu.

- Sabe Le, acho que foi ela que me ensinou a gostar de leitura. Ela falava dos livros, dos escritores e das histórias de um jeito tão gostoso, que dava maior vontade de ler.

- Ela dizia que ler era a coisa mais gostosa da vida! Lembra?

- Claro que eu lembro.

Adorei o livro A professora encantadora, a história é muito bonita e emocionante. Na roda de conversa com o Lipe, além de lembrar da nossa professora, conversamos sobre o livro e descobrimos muitas coisas. Por enquanto, só vou contar um pouco da história do livro, depois, nas respostas aos comentários, vou revelando as nossas descobertas.

Uma professora diferente

A professora encantadora, de Márcio Vassallo, ilustrado por Ana Terra e publicado pela Abacatte Editorial conta a história da professora Maísa, que “olhava para tudo com olho de assombro e estranheza.” Suas aulas eram assombrosas, estranhas e surpreendentes, e ela se derretia de amor pelas palavras, pelas frases e pelos livros.

Mas o que ela mais gostava era de gente, dos seus alunos. Suas aulas eram muito estranhas. Dava aula de esticar suspiros, por exemplo, e a classe inteira suspirava com ela. Nessas aulas ela pendurava um aviso na porta: “Não entre agora. Estamos suspirando.”

Outra aula estranha da professora Maísa era a que ela ensinava a catar perguntas novas dentro das histórias, das pessoas e de outros lugares. A Maísa dizia que pergunta nova é aquela que desdobra seus alunos por dentro, e ela gostava de desdobrar gente por dentro. A professora Maísa também ensinava a diminuir medos no coração, dividir silêncio na frente de uma beleza e multiplicar poesia no pensamento.

Com isso, seus alunos aprendiam muitas coisas, que naquela escola, só ela sabia ensinar. Mas nem todo mundo aprovava as aulas de Maísa, alguns diziam que ela não preparava os alunos para o futuro. Os alunos adoravam, principalmente um, o mesmo que conta essa história pra gente.

Márcio Vassallo é jornalista, escritor e faz palestras e oficinas sobre educação e formação de leitores. Foi repórter dos jornais O Globo e Tribuna da Imprensa, colaborador da Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil, editou o jornal literário Lector e colaborou com as revistas Você S/A, Crescer e Leituras Compartilhadas. Além de A professora encantadora, publicou Mario Quintana (biografia), Mães: o que elas têm a dizer sobre educação, A princesa Tiana e o sapoGazé,O príncipe sem sonhos, Valentina, A fada afilhada, Da minha praia até o Japão, O menino da chuva no cabelo e Minha princesa africana.

Ana Terra é ilustradora, escritora e contadora de histórias. Tem mais de quarenta livros publicados e suas ilustrações participaram da 5ª e da 6ª Traçando Histórias e da Bienal de Ilustrações Bratislava 2009. Também receberam o selo de Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juveni (FNLIJ).

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