A Rússia e minha segunda luta política

Com esse título meu pai disse que parece que vou falar da Revolução Bolchevique e riu, não entendi a piada, ele me explicou, mas não é nada disso, só dei esse nome para o post de hoje, pois achei bonito e é mais ou menos o que vou contar. No post de hoje, vou anunciar dois eventos importantes, um começa amanhã, o outro acontece na próxima sexta-feira.

O primeiro evento se chama “A Rússia visita o Sítio”. Serão diversas atividades organizadas pela Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato em parceria com a Associação Cultural Grupo Volga de Folclore Russo, realizadas entre os dias 10 e 30 setembro, na própria biblioteca, que fica na rua General Jardim, 485, na Vila Buarque, região central de São Paulo.

Haverá oficina de língua, de culinária, de artesanato e de dança russas, palestra sobre cultura russa e contação de histórias russas. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 3256-4122, com Marta ou Nilce. Eu já fiz a minha inscrição, vou participar da oficina de língua russa, assistir à palestra sobre cultura russa e também quero ouvir algumas histórias russas. Soube que esse evento é um intercâmbio entre crianças russas e brasileiras. Quando eu for lá, vou conversar com a Sueli e a Muriel, minhas amigas da Lobato, pegar mais informações e contar aqui no blog. Vejam abaixo a programação.

Primeiro Encontro Municipal

Outro dia contei aqui no blog, que participei de uma reunião para discutir a criação do PMLL – Plano Municipal do Livro e da Leitura em São Paulo, e que passei a chamar de “minha segunda luta política” – a primeira foi a luta em defesa da biblioteca do meu bairro, que já contei aqui no blog. O PMLL deve ser criado para “garantir a promoção do acesso ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas públicas, escolares e comunitárias a todos os cidadãos e cidadãs do município”. Fui a essa reunião com o meu amigo escritor, Jeosafá, e lá conheci a Bel, do LiteraSampa, o Paulo, da Bibli-ASPA; a Sueli, da Biblioteca Monteiro Lobato; o Miro, do Centro Cultural São Paulo; e o Flavio, o jornalista do sindicato.

Desde então, sempre converso com eles, que continuaram se reunindo com outras pessoas e entidades interessadas em livro e leitura, e agora decidiram organizar um grande encontro municipal para dar início à construção do PMLL/São Paulo. O objetivo desse encontro é ampliar e levar a discussão para as diversas regiões da cidade. Para isso, convidam todas as entidades e pessoas interessadas em discutir o Livro e a Leitura, a fim de construir o Plano da cidade de São Paulo. O evento acontece na próxima sexta-feira, 13 de setembro, no Centro Cultural São Paulo, que fica na rua Vergueiro, 1000, no Paraíso, e todos estão convidados. Eu vou! Vejam abaixo o convite e a programação.

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Nelson Cruz no clube de leitura

Hoje começa outra edição do nosso clube de leitura com os alunos da Escola Municipal Luiz Gatti, de Belo Horizonte, e vamos falar do livro Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz. Também vamos mostrar uma entrevista coletiva que fizemos com o autor. O clube funciona assim, eu posto sobre o livro, e na sequência, os alunos, que leram e trabalharam esse livro com as professoras, escrevem seus comentários. Se alguém mais quiser comentar, claro que pode, mesmo não fazendo parte do clube. A edição anterior (“A professora encantadora no clube de leitura”) teve 147 comentários.

Esse nosso clube é formado por, aproximadamente, 170 alunos das turmas do 6º ano. Quem organiza o clube na escola são as professoras de Língua Portuguesa, e nesta edição entrou mais uma professora pra nossa turma, a Nádia. Agora são três professoras, a Luciana, a Ana Paula e a Nádia. Aqui no blog, somos eu e o meu amigo Lipe. Ele sempre me ajuda, lê os livros do clube, depois fazemos uma “roda de conversa” e compartilhamos nossas leituras.

Nossa roda de conversa

Na semana passada eu estava preocupado, precisava fazer a roda de conversa com o Lipe e a gente não se falava, desde o dia que ele me chamou de comédia. Contei isso no post anterior. Não nos encontramos na escola, ele não me procurou e eu também não o procurei. Estava com saudades do meu amigo e queria conversar com ele, não só pra falar do livro do clube, mas também pra conversar de outras coisas, essas coisas que só os grandes amigos conversam. Contei para o meu pai, ele me disse que isso acontece com todo mundo, e que nessas horas, alguém tem que ceder. Eu cedi e liguei para o Lipe.

- E aí, Lipe, beleza?

- Beleza, Le!

- Na semana que vem tenho que publicar o post do clube de leitura… Você já leu o livro Os herdeiros do Lobo?

- Li.

- Gostou?

- Gostei.

- Você pode passar aqui em casa, hoje, pra gente fazer a roda de conversa?

- Que horas?

- Às cinco. Você pode?

- Posso. Às cinco eu passo aí.

Ele veio, no começo estava meio esquisito, mas nem tocamos no assunto da briga. Fomos conversando sobre o livro, ficamos animados com a história, e em poucos minutos, eu nem lembrava mais que estava brigado com o meu amigo. A história do livro Os herdeiros do Lobo fez as nossas pazes. No final ainda bolamos uma pergunta para entrevista coletiva com o Nelson Cruz.

As histórias de vô João

Quando a professora Luciana sugeriu que a gente lesse o livro Os herdeiros do Lobo no clube de leitura, fiquei muito feliz. Primeiro porque já tinha lido dois livros do Nelson Cruz (Mestre Lisboa – o Aleijadinho, escrito e ilustrado por ele, e Conto de escola, de Machado de Assis, que ele ilustrou) e tinha adorado! Segundo porque já conhecia o Nelson Cruz pessoalmente, conversei com ele uma vez, tinha o seu e-mail e tive uma ideia:

- Professora Luciana, que tal a gente tentar entrevistar o Nelson Cruz no nosso clube?

- Seria ótimo, Heitor! – ela me respondeu. Será que conseguimos?

Conseguimos! Entrevistamos o Nelson Cruz, li Os herdeiros do Lobo, e adorei! Esse livro ganhou o prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil de 2009.

Os herdeiros do Lobo, escrito e ilustrado por Nelson Cruz, publicado pelo selo Comboio de Corda da Edições SM conta uma história que parece ser a história do próprio autor. O vô João seria o avô de Nelson ou ele o inventou. Também pode ser que a história tenha um pouco de verdade e bastante fantasia. Os personagens existiram, mas a história é inventada. Vai saber… O Nelson Cruz diz que em alguns casos é “escolha do leitor”, o leitor escolhe e dá um destino aos personagens. Vamos seguir o seu conselho, então, e brincar de escolher os destinos da história desse livro, que agora, também, é um pouco nossa.

Vô João nasceu na Itália, seu nome era Giovanni Ferdinando, durante a guerra naturalizou-se brasileiro e adotou o nome de João Fernandes. Ele gostava de contar histórias e contava as histórias de Pinóquio, de Cinderela, como se tivesse participado delas. Mas havia uma história que ele sempre repetia e toda vez que contava ficava emocionado. Abria uma velha caixa metálica e retirava de dentro dela antigas fotografias de quadros, com o verso manuscrito, como se fossem cartões-postais.

Todas tinham endereços de remessa de diferentes cidades e vilarejos da região da serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais. As pinturas eram de um artista chamado Camilo Amarante Lobo, o fotógrafo era um amigo de vô João, Cosme Zanone. Vô João ainda vivia na Itália e seu amigo Cosme, ja tinha se mudado para o Brasil. Certo dia, vô João resolve vir também para o Brasil para procurar o seu amigo, e vive uma aventura cheia de mistérios, que só, mesmo, lendo o livro Os herdeiros do Lobo pra descobrir.

Entrevista coletiva

‘Prefiro acreditar que minhas fantasias sejam reais’

Entrevistamos o Nelson Cruz!

Fizemos algumas perguntas (eu, o Lipe e os alunos da Escola Municipal Luiz Gatti, de Belo Horizonte – por isso, entrevista coletiva), lhe enviamos e ele respondeu.

Clube de Leitura – Como você se inspirou para criar a história de Os herdeiros do Lobo?
Nelson Cruz – Essa história me pregou uma peça; um dia acordei e ela estava inteirinha na minha cabeça. É verdade. Não tive que pesquisar, estudar nem nada. Pronto. Apareceu. O que fiz em seguida, foi escrevê-la e, ao longo do tempo, melhorar alguns personagens e o texto.

CdL – Qual é o paradeiro do personagem Cosme – ele está morto ou escondido?
NC – Olha, essa conclusão sobre o paradeiro desse personagem deve ser do leitor. Se eu falar vai resolver o mistério? Acho que não devo fazer isso. Como cada um escolhe um doce para comer penso que debater e escolher o destino que levou esse personagem deve ser uma escolha do leitor.

CdL – Por que os personagens ficavam atrás da cortina?
NC – Bom, uma passagem da história que não vou revelar. Principalmente, porque é a mais importante da história. Só chamo a atenção para a leitura de imagem.

CdL – Você tem um avô que se chama João? Você é um dos personagens?
NC – Não, eu não sou nenhum dos personagens. Mas, tive esse avô italiano que adotou minha mãe quando ela era criança. Ele era um imigrante. Para homenagear esse gesto de nobreza, de ter adotado minha mãe, e para que ele não fosse esquecido na família adotei-o como personagem dessa história.

CdL – Sabemos que o livro todo não é real, mas algumas partes são reais?
NC – Prefiro acreditar que minhas fantasias sejam reais. Porque, constantemente no noticiário aparecem fatos que já existem na literatura de ficção.  Então…

CdL – Quando você era criança você gostava de fazer e contar histórias?
NC – O mais forte em mim sempre foi o ato de desenhar. Agora, contar histórias é algo inerente ao ser humano. Nunca vou me esquecer das fogueiras e da turma de amigos ao redor do fogo ouvindo e contando histórias, principalmente de assombração.

CdL – Com quem você aprendeu a fazer histórias?
NC – Aprendi a contar histórias lendo histórias. Parece simples mas é aí que entra a ilustração me facilitando o desenvolvimento da narrativa. O que eu não conseguia esclarecer na escrita a ilustração entrava e vice-versa.

CdL – Do que você gosta mais, de desenhar ou de escrever?
NC – Minha alma é de ilustrador e ligada à arte do desenho. Não dá para camuflar isso. Amo ser ilustrador e ser reconhecido como autor de imagem.

Nelson Cruz nasceu em Belo Horizonte e mora em Santa Luzia, Minas Gerais. Escritor, ilustrador e artista plástico, recebeu prêmios nacionais e estrangeiros, como o de Melhor Ilustração Hors-Concours da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em 2003, para Conto de escola, de Machado de Assis. Entre outros, também ilustrou O aprendiz de feiticeiro, de J. W. Goethe, e O menino poeta, de Heriqueta Lisboa.

Além de Os herdeiros do Lobo, que ganhou o prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil, em 2009, é autor de A árvore do Brasil, Mestre Lisboa e No longe dos Gerais, neste último também fez o projeto editorial e o livro foi 3º lugar na categoria juvenil, do Jabuti, em 2005. Em 2002, foi indicado ao Hans Christian Andersen de ilustração. Em 2008, ao lado de sua esposa, a autora e ilustradora Marilda Castanha, lançou a coleção Histórias para contar História, que reúne seus livros Dirceu e Marília, Chica e João e Bárbara e Alvarenga e os livros de Marilda, Pindorama, terra das palmeiras e Agbalá, um lugar-continente.

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Notícias da luta política e de caros amigos

Hoje vou contar novidades sobre a luta em defesa do quarteirão e da biblioteca do nosso bairro; vou falar do primeiro livro da minha amiga Stela Greco Loducca, que tem um site bem legal chamado “O Pequeno Leitor” – o livro dela se chama A lobinha ruiva e foi ilustrado pelo, agora, meu amigo Renato Moriconi. Também vou mostrar trecho de um vídeo de animação do meu amigo escritor Almir Correia; e vou falar do livro O Elefante Infante, de Rudyard Kipling, um clássico da literatura infantil, editado pela Musa, editora da minha amiga Ana Cândida Costa, traduzido pelo meu amigo Adriano Messias e ilustrado por Fernando Vilela, que ainda não conheço pessoalmente.

Coisas do meu melhor amigo

- Você é o maior comédia, Heitor!

Fiquei surpreso com o Lipe, por dizer que sou comédia e por me tratar pelo nome, faz tempo que ele só me chama pelo apelido. Deve estar p. comigo!

- Por que, Lipe?

- Esses seus “amigos”

Falou com desdém e fez sinal com os dedos colocando aspas em amigos.

- O que é que tem meus amigos?

- Você fica falando no seu blog que é amigo de todos esses escritores. É tudo ficção!

- Não é tudo ficção, não, Lipe! Tem alguma ficção no meu blog, sim, mas a minha amizade com esses escritores, é verdadeira. Pode perguntar a eles.

Quem acompanha o meu blog sabe da minha amizade com esses escritores e de como tudo começou. Primeiro conheci o pessoal da Sintaxe, em uma visita que fiz a uma editora, tudo isso está contado aqui. Foram eles que me deram a ideia do blog, me ajudaram a fazer, a divulgar e me introduziram nesse mundo da literatura. Eles me levaram a feiras de livros, lançamentos, a outros passeios literários e me apresentaram a seus amigos escritores, ilustradores e editores. Depois aprendi a me virar sozinho, meti as caras e hoje continuo ampliando minha rede de amigos do livro. O Lipe é o meu melhor amigo e sabe disso tudo, não sei por que fica tão p. comigo.

Minha primeira luta política

Faz tempo que não falo da minha primeira luta política, a luta em defesa do quarteirão e da biblioteca do nosso bairro. Todos devem ter acompanhado pelo jornal ou aqui no meu blog. O prefeito anterior queria demolir a biblioteca, o teatro, duas escolas, uma creche e duas unidades de saúde, que ficam em um terreno público aqui no Itaim Bibi, para construir um prédio de apartamentos particulares.  A biblioteca é a Anne Frank, que eu frequento desde criancinha.

Quando soube que as pessoas do bairro estavam se organizando pra defender o quarteirão, perguntei pro meu pai se eu podia participar do movimento, também. Ele me deu a maior força e disse: “Essa será sua primeira luta política, de verdade, Heitor!” E é por isso que eu a chamo assim: “minha primeira luta política”. Esta e outras cenas dessa minha luta estão aqui no blog, e em breve vou contar toda essa história, completa, em detalhes. Aguardem!

As comissões

Apesar de o prefeito ter cedido a nossa pressão e, antes de terminar seu mandato, desistido de demolir o quarteirão, a lei que autoriza a prefeitura a vender o terreno continua valendo. No ano passado o então vereador Eliseu Gabriel, que apoiou o nosso movimento, entrou com um PL (Projeto de Lei) na Câmara para revogar essa lei. Mas antes de ir à plenária para ser votado pelos atuais vereadores, esse projeto tem que passar por quatro comissões: Comissão de Constituição e Justiça, de Política Urbana e Meio Ambiente, de Administração Pública, e de Finanças e Orçamento.

Na quarta-feira, ele passou pela primeira comissão, a de Constituição e Justiça, foi aprovado, e o nosso grupo estava lá, fazendo pressão. Eu não fui, não podia faltar à escola, mas foram meus amigos e companheiros de luta, o Helcias, o Luiz, a Joyce, o Cacildo e o Toufic. Nossa luta vai continuar, vamos pressionar as próximas comissões e também acompanhar o processo de tombamento que está parado no Condephaat, para salvar o nosso quarteirão, para sempre.

Personagens trocadas

Na outra semana recebi um e-mail da minha amiga Stela Greco Loducca me convidando para o lançamento de seu primeiro livro, A Lobinha Ruiva:

Oi Heitor, tudo bem com você? Quanto tempo! Queria muito te contar que sábado que vem, dia 3, será o lançamento do meu primeiro livro com uma das historinhas do meu site O Pequeno Leitor. Estou muito feliz e gostaria muito que você desse uma passadinha lá na livraria já que é fã de livros. Beijos, Stela.

Fazia tempo que eu não via a Stela, eu a conheci no lançamento de “O Pequeno Leitor” (essa história eu contei aqui no blog), depois nos encontramos na entrega do prêmio de uma revista para os melhores livros infantojuvenis (essa eu não contei aqui, não dá pra contar tudo), ela já tinha me falado que estava pra lançar o livro. Respondi ao e-mail dizendo que ia, sim, ao lançamento e que, além de ser fã de livros, também era fã do site e do trabalho dela. O Pequeno Leitor é um site bem legal, tem um monte de histórias e ainda dá pra criar personagens e construir sua própria história. Fui ao lançamento do livro, conversei com a Stela, com o Renato Moriconi, que fez as ilustrações e peguei autógrafo dos dois.

A Lobinha Ruiva é o primeiro de uma série de livros que a Companhia das Letrinhas vai lançar com as histórias que Stela Greco Loducca escreveu para o site O Pequeno Leitor. Será um lançamento por semestre e o segundo já está previsto para o final de 2013. Ilustrado por Renato Moriconi, esse livro reconta a história da Chapeuzinho Vermelho e troca as personagens. Nessa história a Chapeuzinho  se chama Amanda e é uma lobinha bem boazinha. Sua mãe é Dora e a vovó, Gertrudes. Todas lobas!

E o bicho malvado que tenta enganar Amanda, é “bem esquisito”, quase não tem pelos no corpo e anda com duas pernas. “Seria o caçador?” Sua mãe alertou-a para que “tomasse cuidado com os caçadores maus que poderiam aparecer na floresta”. A lobinha desconfiada pede a ajuda dos outros bichos para salvar sua vovozinha. No final, o livro dá algumas sugestões para o leitor misturar personagens de outra história e criar sua própria, como acontece no site O Pequeno Leitor, ou inventar outros finais para essa história.

Stela Greco Loducca trabalhou por 18 anos com redatora publicitária, mas foi depois do nascimento de seu filho, sua maior fonte de inspiração, que virou a página e, assim como a Chapeuzinho, foi caminhando estrada afora. Começou a escrever histórias, que tinham a ver com os momentos de vida dele, e também desenvolveu um trabalho de incentivo à leitura em uma comunidade carente. A partir dessas experiências criou O Pequeno Leitor, um site interativo e cheio de histórias para pequenos que um dia serão grandes leitores. A Lobinha Ruiva é o seu primeiro livro.

Renato Moriconi nasceu na cidade de Taboão da Serra, em São Paulo. Estudou artes plásticas e design gráfico. Tem mais de quarenta livros publicados no Brasil e também em outros lugares do mundo, como França, México e Coreia do Sul. Recebeu alguns prêmios ao longo de sua carreira, como o de Melhor Livro-Imagem, em 2011, e de Melhor Livro Para a Criança, em 2012, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Foi finalista do prêmio Jabuti 2011 em duas categorias: Melhor Ilustração Infantil e Melhor Livro Infantil.

Um teaser de animação

Conheci o Almir Correia na Bienal do Livro e falei de um livro dele aqui no blog. Depois disso trocamos alguns e-mails, gosto de acompanhar todas as coisas que ele faz e sempre peço notícias. Ele é escritor, com muitos livros publicados por diversas editoras; roteirista; produtor de vídeos de animação e autor da série “Carrapatos e Catapultas”, sucesso de animação que passou na TV Cultura, na TV Brasil e no Cartoon Network. Em breve quero fazer um post especial sobre o trabalho dele. Hoje vou mostrar um trecho de uma animação nova, que ele produziu e me mandou o link por e-mail:

Oi, Heitor. Aqui vai o teaser da nossa mais recente animação “Menina Lua Menino Lua”. Abraços, Almir Correia.

Teaser do curta de animação “Menina Lua. Menino Lua.”. Roteiro e direção de Almir Correia. Animação e direção de arte de Giordana Medaglia. Trilha sonora de Rodrigo Grigoletti. Produção Zoom Elefante. Junho de 2013.

Um prêmio Nobel de Literatura

O conto O Elefante Infante, de Rudyard Kipling, com ilustrações do próprio autor e de Fernando Vilela, traduzido por Adriano Messias, e publicado em versão trilíngue (português, inglês e francês) pela Musa Editora foi tirado do livro Histórias assim (Just so stories), uma de suas mais famosas coletâneas de contos. Ele é dedicado a sua filha Josephine e conta a história de um elefantinho muito curioso, que queria saber de tudo, e vivia fazendo perguntas.

À sua tia Avestruz perguntava por que as plumas de sua cauda cresciam daquele jeito, à sua tia Girafa, por que tinha a pele manchada, à gorda tia hipopótamo, por que tinha olhos vermelhos, e ao seu tio peludo Babuíno, por que os melões tinham aquele gosto. O Elefante Infante tinha perguntas pra tudo, não conseguia respostas pra nada, e só apanhava a cada pergunta feita.

Até que um dia, numa bela manhã, ele aparece com uma pergunta que jamais havia feito: “O que o Crocodilo come no jantar?” Todos os bichos ficaram assustados e bateram no Elefantinho por muito tempo. Depois, encontrou o Pássaro Kolokolo, que disse pra ele seguir pelas margens do grande rio Limpopo, que encontraria sua resposta. O Elefantinho foi e isso mudou sua vida e o transformou para sempre.

O escritor Adriano Messias, de quem eu já falei aqui no blog, disse que, traduzir Rudyard Kipling do francês e do inglês para nosso idioma foi tarefa de responsabilidade e prazer. Sobre essa história ele diz que “a interessante relação do narrador com sua ‘bem-amada menina’ torna a narrativa agradável, ora se reportando às densas florestas, ora voltando o contador ao ambiente em que narra a história, por meio de seus desenhos, o que promove uma maior interação leitor e autor.” Kipling foi um escritor marcante na infância e juventude do Adriano.

Rudyard Kipling nasceu em Bombaim (atual Mumbai), na Índia, em 1865, e morreu em Londres, em 1936. Jornalista, poeta e escritor é considerado o maior inovador na arte do conto curto e seus livros para crianças são clássicos da literatura infantil. Foi um dos escritores mais populares da Inglaterra no final do século XIX e início do século XX. Em 1907 ganhou o prêmio Nobel de Literatura, na época foi o primeiro autor de língua inglesa a receber esse prêmio, e até hoje, o mais jovem. Foi um lutador pelos direitos dos povos indianos colonizados, e seus textos tratam com ironia as incongruências do império britânico. Ao mesmo tempo, foi considerado por outros, como o profeta do imperialismo britânico.  A controvérsia sobre esses temas em sua obra perdurou por muito tempo, mesmo assim, ele é reconhecido como um intérprete incomparável de como o império era vivido. É autor da série O livro da Selva, das diversas versões de Mogli, o menino-lobo, entre muitas outras obras de prosa e poesia.

Próximo post

O próximo post será sobre o livro Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz, em mais uma edição do clube de leitura com os alunos da Escola Municipal Luiz Gatti, de Belo Horizonte. Haverá entrevista coletiva com o autor, não percam!

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Editora nova e novo amigo escritor

Outro dia fui ao lançamento de um livro da minha amiga escritora e ilustradora Aline Abreu. O livro dela se chama Menina Amarrotada, e conta a história da relação de uma menina com o seu pai. Essa história que a Aline escreveu e ilustrou, às vezes, é um pouco triste – que é quando a menina fica amarrotada, mas é muto bonita. Ganhei o livro e ainda peguei um autógrafo da autora. Já li e adorei.

Esse livro foi publicado pela Jujuba, a editora da minha outra amiga, a Daniela, que também estava lá. O lançamento foi bem gostoso e encontrei muitos amigos – a Raquel, a Lúcia, a Maria, a Sônia, o Cláudio, a Cecília, o Peter, e a Gizele e o Manu, que contaram a história do livro, e ainda conheci a Silvia Fernandes, que também tem uma editora, a Dedo de Prosa. Tudo isso graças ao meu blog. Depois que comecei a fazer este blog, conheci tanta gente legal!

No final conversei com a Silvia, ela me falou de um escritor que ela gosta muito e disse que eu precisava conhecer, o Gil Veloso. Ele tem dois livros publicados pela Dedo de Prosa, O menino arteiro e A pedra encantada. Ela me deu os livros, li e também virei fã deste escritor. Já fui a um bate-papo com ele, peguei autógrafo, o conheci pessoalmente, e hoje vou falar dos seus livros, mas antes vou contar duas novidades dos nossos clubes de leitura.

Coletiva de imprensa nos clubes de leitura

Os dois próximos livros dos nossos clubes de leitura serão Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz, que vamos ler com os alunos das professoras Luciana e Ana Paula, de Belo Horizonte, e O gênio do crime, de João Carlos Marinho, que será lido com os alunos do professor Carlos, de São José dos Campos. A novidade é que vamos entrevistar os autores, sim, vamos, eu e os alunos das escolas. Vou mandar as perguntas por e-mail e publicar a entrevista nos posts dos livros.

O pessoal da Sintaxe me disse que o que vamos fazer é uma “coletiva de imprensa”. Não é legal?! Vamos ter coletiva de imprensa no blog! Já mandei e-mail para os dois autores e eles concordaram em dar a entrevista. O Nelson Cruz, que eu já conhecia – o encontrei na entrega do prêmio Jabuti – nos agradeceu por fazer esse trabalho com o seu livro. O João Carlos Marinho, que a Silvia da Dedo de Prosa me passou o contato, retornou dizendo que será um prazer responder as nossas perguntas.

Um escritor que brinca com as palavras

Gilmar França Veloso é o seu nome completo. Foi o escritor Caio Fernando Abreu, que o batizou de Gil Veloso, misturando o nome dos dois compositores baianos. Gil Veloso foi amigo, confidente e secretário de Caio Fernando Abreu, e também trabalhou com outros dois escritores importantes, o João Silvério Trevisan e a Lygia Fagundes Telles. Também conheceu Hilda Hilst, que uma vez o convidou para morar em sua casa, a Casa do Sol, em Campinas.

Ele conheceu esses escritores muito antes de começar a mostrar seus textos e publicar livros. Convivia diariamente com a Lygia Fagundes Telles e ela só foi descobrir que ele escrevia no dia do lançamento de seu primeiro livro, o Fábulas Farsas, que, inclusive, traz um conto inspirado em uns cupins que naquele tempo apareceram na casa da Lygia. Eu li esse conto e gostei muito! O Gil adora brincar com as palavras e buscar os seus diversos significados. Foi o que ele fez nesse conto e também nos dois livros que li e que vou contar aqui.

A pedra encantada, escrito por Gil Veloso, com ilustrações de Nara Amelia e publicado pela Dedo de Prosa conta a história de Pedrita, uma menina que colecionava pedras. Na verdade, Pedrita era seu apelido, seu nome era outro, que a gente só descobre no final do livro, e que tem tudo a ver com as coisas que acontecem nessa história. Pelo menos foi o que eu entendi, perguntei ao Gil Veloso se era isso mesmo e ele me disse que não pensou assim quando escreveu o livro. É engraçado isso! Tem histórias que cada um entende de um jeito diferente (diferente até de quem escreveu), por isso que é bom conversar sobre os livros e fazer clubes de leitura. Uma vez eu ouvi dizer que quando o escritor publica seu livro, o livro deixa de ser do escritor e passa a ser do leitor. Então, na parte que me cabe deste livro do Gil Veloso, a história acontece do jeitinho que eu entendi, e pronto.

Desde pequena a menina gostava de pedras, tinha uma porção delas, de cores, formatos e tamanhos variados. Para qualquer lugar que fosse, sempre trazia uma lembrança, ao menos uma pedrinha. Todos na família pensavam que ela era “louquinha de pedra” e queriam que ela parasse com aquela mania. O seu quarto (“quartzo” como dizia o irmão, que vivia lhe zoando) parecia uma pedreira, não havia espaço pra mais nada. Além das pedras que pegava por aí, também ganhava de presente, algumas sujinhas, outras embrulhadas em papel de seda, com fitas, caixinha e tudo, como se fosse uma joia. Pedrita não era elegante e nem bonita, como os especialistas costumam classificar, mas tinha seu estilo. Ela também escrevia e Pedro, seu ex-namorado, achava seus textos bicho-grilos demais. E a história segue, com a Pedrita se transformando e enfrentando todas as pedras de seu caminho.

O menino arteiro, escrito por Gil Veloso e publicado pela Dedo de Prosa faz uma homenagem ao artista Guto Lacaz, apresenta alguns de seus trabalhos e conta uma história bem legal. Este livro é outro exemplo daqueles que a gente entende uma coisa, mas que pode ser outra, e neste caso, é outra, mesmo. Eu pensei que fosse uma pequena biografia do Guto Lacaz quando menino, mas a história contada é pura invenção de Gil Veloso. A história começa assim, como no livro anterior, com o autor brincando com as palavras e buscando outros significados.

“Era, desde pequeno, um artista verdadeiro. Estava sempre ocupado com coisas, troços, trecos e cacarecos, fazendo dos objetos gato-sapato, parecia possuído pelo bicho-carpinteiro. Quando bebê já se notava, tinha parafuso a menos. Ou a mais? Até seu choro continha algo diferente, gutural, parecia chorado de trás pra frente. Mal começou a engatinhar já tentava correr, quebrando recordes e coisas que estavam em seu caminho. Tão logo aprendeu a falar fazia perguntas sobre perguntas sem deixar espaço para as respostas. Isto quando não respondia ele mesmo; às vezes a pergunta já vinha com a resposta embutida. (…) Assim o menino, arguto e loquaz, vivia aprontando, xeretando por todas as partes, o tempo inteiro fazendo artes.”

Gil Veloso contou numa entrevista que deu para o site Estudos Lusófonos (http://etudeslusophonesparis4.blogspot.fr/2013/05/o-novo-so-e-possivel-no-olhar-do-leitor.html): “O Menino Arteiro nasceu de uma brincadeira-homenagem ao Guto, artista que muito admiro, pencas e quilos; era apenas um agrado, não pretendia se tornar livro, tampouco ilustrado. Mas aí o Guto gostou e pediu para expor no blog… Eu, que nem sabia que ele tinha isso, considerei então a possibilidade de editar. A Silvia Fernandes topou e fez-se book, pela editora Dedo de Prosa.”

Gil Veloso nasceu no Paraná e vive em São Paulo desde 1983 . Além de O menino arteiro e A pedra encantada, escreveu o livro de contos Fábulas Farsas e também o Travessuras, histórias para anjos e marmanjos. Publicados pela editora Ópera Prima, estes dois foram premiados pelo PROAC – Projeto de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo – concurso de apoio a projetos de publicação de livros. Fábulas Farsas também foi selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o catálogo da Feira de Bolonha em 2010.

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Manifestação, lutas e livro sobre livros

- Pai, posso ir à manifestação de hoje?

- Eu não posso te levar…

- Eu vou com o Lipe, vai ser aqui perto, no largo da Batata. Deixa, vai…

- Tudo bem, mas toma cuidado…

- Pode deixar, hoje a passeata vai ser tranquila, li no jornal.

E foi tranquila, mesmo! Uma multidão se encontrou no largo da Batata, em Pinheiros, e caminhou pela Faria Lima. Eu e o Lipe fomos no meio dessa multidão, gritando as palavras de ordem, principalmente as que eram contra o aumento do busão e pela educação. Eu nunca tinha participado de uma passeata tão grande! Seguimos com ela até aqui, no nosso bairro, depois, uma parte desceu pra marginal e a outra subiu pra Paulista, e nós voltamos pra casa, com nossa missão cumprida. Além de melhor amigo, o Lipe é meu companheiro de luta.

Todos já devem ter lido um monte sobre as manifestações, não se falou em outra coisa na semana passada. Eu estou contando isso também, só pra dizer que estive lá, e que não acordei agora, como disseram por aí. Quem acompanha meu blog, sabe disso. Sei de muita gente que luta desde a ditadura, algumas, até antes. É injustiça com essas pessoas dizer que o “gigante acordou”. Estamos acordados há muito tempo, apesar de só ter 12 anos, minha luta política também é antiga.

Lutei contra o prefeito da minha cidade, que queria derrubar a biblioteca do nosso bairro, essa luta foi vitoriosa, derrotamos o prefeito e protegemos a nossa biblioteca do ataque da especulação imobilária. Agora estou participando de uma luta maior, a luta pela implantação do PMLL na cidade de São Paulo. PMLL quer dizer Plano Municipal do Livro e da Leitura, eu já falei dele aqui no blog. Nesta semana participei de uma reunião para organizar um grande encontro e discutir o PMLL.

Esse encontro vai acontecer no próximo dia 13 de setembro no Centro Cultural São Paulo e vai reunir as pessoas que trabalham com livro, leitura e biblioteca ou simplesmente interessadas nesses assuntos. Em breve vou fazer um post especial pra falar disso. Cida Fernandes, coordenadora executiva do Centro de Cultura Luiz Freire, que participou da elaboração do PMLL em Pernambuco, estava nessa reunião e contou pra gente como foi a experiência de lá. Conversei com a Cida no final da reunião, ela conhece a Rosinha, minha amiga escritora e ilustradora, que mora em Olinda. Ela é sua vizinha! Esse mundo é mesmo pequeno.

Clube de leitura

Vocês viram? O post anterior teve 147 comentários! Isso tudo foi graças ao sucesso do nosso clube de leitura com os alunos das professoras Luciana e Ana Paula, da Escola Municipal Luiz Gatti, da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Todos os alunos comentaram e contaram o que acharam do livro. Teve até comentário do autor, o Márcio Vassallo! E esse nosso clube ainda vai continuar, vamos ler outros livros, o próximo será Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz.

Adoro fazer clube de leitura, com ele conheço um monte de gente que gosta de livro, assim como eu. Além do clube com a Luiz Gatti, estamos preparando outro, será com os alunos do professor Carlos, de uma escola municipal de São José dos Campos, interior de São Paulo. Até já escolhemos o livro, gênio do crime, de João Carlos Marinho. Vou conversar com o professor Carlos pra ver se dá pra gente falar desse livro, logo depois das férias, em agosto.

Três livros em um

Conheço um editor que faz coleção de livros que falam de livros. Também adoro esses livros! Sempre que descubro um que conta uma história que tem escritor, biblioteca ou qualquer coisa relacionada ao livro, já quero ler. Outro dia recebi um e-mail de uma editora – ela já tinha deixado um comentário no blog -, dizendo que estavam lançando um livro novo e me perguntou se eu teria “interesse em ler”. Junto, ela mandou um texto sobre o livro, dizendo que nele “o autor conduz o leitor por uma narrativa metalinguística que conta a história de dois livros que se encontram numa mesma estante, separados apenas por um Dicionário de Português.” Já gostei, de cara e respondi ao e-mail da editora. “Oi, Gabriela, por favor, me manda esse livro, que eu quero ler, adoro histórias assim”, e passei o meu endereço. Gabriela é o nome da moça da editora, ela já me mandou, li e adorei.

Bruno e Amanda: histórias misturadas, escrito por Pedro Veludo, ilustrado por Henrique Koblitz e publicado pela Editora Quatro Cantos conta uma história, misturando duas, que no final se transformam em três. É a história de dois livros, Os mapas de Bruno e O mistério do sumiço do sorriso da princesa Amanda. Como já tinha lido naquele texto, eles ficavam em uma estante, separados por um dicionário de português. Eram muito parecidos, os dois contavam histórias que não terminavam.

Os mapas de Bruno conta a história de um menino, que sonhava acordado e adorava inventar histórias. Ele sempre passava suas histórias para o papel e buscava palavras pra isso. Às vezes as palavras certas não apareciam e ele aproveitava outra, que passasse perto, ou inventava alguma. Bruno também colecionava mapas de lugares que acreditava existirem, mas que não eram muito fáceis de serem encontrados. Muitas vezes seus pensamentos iam longe, ele chegava até as últimas páginas de sua história e, nos breves momentos em que o dicionário não estava entre eles, conseguia enxergar a capa do livro de Amanda.

O mistério do sumiço do sorriso da princesa Amanda começa assim: “Numa manhã, pouco depois de acordar, o sorriso da princesa Amanda começou, bem devagarzinho, a sumir.” E não parou de sumir, a cada dia ela foi ficando cada vez mais triste. As pessoas ficaram com medo e não acreditaram no que viam: Como podia o sorriso da princesa estar sumindo? Ela sofria de um vazio no coração e sentia uma dor aguda e tão profunda, que não sabia explicar de onde vinha. Até que um dia seu sorriso sumiu de vez. Surgiram muitas explicações para o mal da princesa e as respectivas soluções salvadoras, mas nenhuma delas conseguia trazer de volta o seu sorriso. Depois de várias tentativas, o rei concluiu que o remédio poderia estar em outra história. Seu conselheiro, que só aparecia no final, preocupado com a princesa, caminhou até as primeiras páginas do livro.

Então, numa noite, em que o dicionário de português não foi devolvido à estante, não foi colocado no lugar entre os dois livros, as duas histórias sem finais se encontraram e formaram uma terceira, com muitos finais imaginados.

Além desse, também ganhei da Editora Quatro Cantos, outro livro de Pedro Veludo, Da guerra dos mares e das areias – fábula sobre marés, ilustrado por Murilo Silva. É uma história bonita que junta mar, areia, búzios, lua, e depois dessa guerra se formam os golfos, as enseadas, as ilhas, as penínsulas e as praias.

Pedro Veludo nasceu na cidade do Porto, em Portugal, foi ainda criança para Moçambique, onde cresceu, se formou em Engenharia de Telecomunicações, fez teatro e teve um conjunto musical. De lá veio para o Brasil, onde reside atualmente. Cursou Formação de Ator na UNI-RIO e, em 1986, abandonou a engenharia para se dedicar a escrever. Tem textos de teatro premiados pelo INACEN e teve peças montadas no Brasil, México, Portugal e EUA. Além de Bruno e Amanda: histórias misturadas e Da guerra dos mares e das areias – fábula sobre as marés, é autor de vários livros infantojuvenis, crônicas, um romance para adultos (A sétima maldição), e roteiros para jogos educativos em CD-ROM. Seu livro Viagens de Raoni ganhou o Prêmio FNLIJ – O Melhor para Criança, em 1990.

Henrique Koblitz desenha intensamente desde os catorze anos. Trabalha como designer gráfico,ilustrador e editor gráfico, criando interfaces para jogos de celulares. Participa de vários projetos culturais ligados à arte visual, como o “Olho de Bolso”, patrocinado pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, que já lançou 22 artistas gráficos, e o “Na Rua!”, exposição de diversos quadrinistas do Recife no formato de pôsteres urbanos (lambe-lambes) espalhados pelos muros da cidade.

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A professora encantadora no clube de leitura

Como já havia anunciado, hoje vamos inaugurar um novo clube de leitura no blog. Esse clube será feito com alunos do 6º ano, da Escola Municipal Luiz Gatti, da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Quem está coordenando o clube, lá na escola, são as professoras de Língua Portuguesa, Luciana e Ana Paula – já contei aqui, como conheci a professora Luciana e como surgiu a ideia de fazer o clube. No total, vão participar 170 alunos, aproximadamente.

Hoje vou publicar o post do primeiro livro do nosso clube: A professora encantadora, de Márcio Vassallo, ilustrado por Ana Terra. Nos próximos dias, aos poucos, os alunos vão deixar, aqui, os comentários sobre suas leituras. A professora Luciana me contou que eles já leram, conversaram e desenvolveram algumas atividades em sala de aula. Depois quero saber tudo o que eles fizeram.

Roda de conversa

Eu li no site da editora, a Abacatte Editorial, algumas sugestões de temas para conversar sobre esse livro e chamei o meu amigo Felipe, o Lipe, pra fazer uma “roda de conversa”. O Lipe sempre me ajuda nos clubes de leitura, já falei dele aqui no blog, é o meu melhor amigo, a gente mora na mesma rua e estuda na mesma escola. Antes ele me chamava de Heitor, mas depois que apareceu esse apelido na escola, ele também me chama de Le.

- Gostei da história desse livro, Le. Me lembrou daquela nossa professora do 5º ano, a professora Rose. Você se lembra dela?

- Claro que eu me lembro, Lipe. Ela era maior legal! Era apaixonada pelo escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Eu já falei dela no blog, no post que fiz sobre o Bartolomeu.

- Sabe Le, acho que foi ela que me ensinou a gostar de leitura. Ela falava dos livros, dos escritores e das histórias de um jeito tão gostoso, que dava maior vontade de ler.

- Ela dizia que ler era a coisa mais gostosa da vida! Lembra?

- Claro que eu lembro.

Adorei o livro A professora encantadora, a história é muito bonita e emocionante. Na roda de conversa com o Lipe, além de lembrar da nossa professora, conversamos sobre o livro e descobrimos muitas coisas. Por enquanto, só vou contar um pouco da história do livro, depois, nas respostas aos comentários, vou revelando as nossas descobertas.

Uma professora diferente

A professora encantadora, de Márcio Vassallo, ilustrado por Ana Terra e publicado pela Abacatte Editorial conta a história da professora Maísa, que “olhava para tudo com olho de assombro e estranheza.” Suas aulas eram assombrosas, estranhas e surpreendentes, e ela se derretia de amor pelas palavras, pelas frases e pelos livros.

Mas o que ela mais gostava era de gente, dos seus alunos. Suas aulas eram muito estranhas. Dava aula de esticar suspiros, por exemplo, e a classe inteira suspirava com ela. Nessas aulas ela pendurava um aviso na porta: “Não entre agora. Estamos suspirando.”

Outra aula estranha da professora Maísa era a que ela ensinava a catar perguntas novas dentro das histórias, das pessoas e de outros lugares. A Maísa dizia que pergunta nova é aquela que desdobra seus alunos por dentro, e ela gostava de desdobrar gente por dentro. A professora Maísa também ensinava a diminuir medos no coração, dividir silêncio na frente de uma beleza e multiplicar poesia no pensamento.

Com isso, seus alunos aprendiam muitas coisas, que naquela escola, só ela sabia ensinar. Mas nem todo mundo aprovava as aulas de Maísa, alguns diziam que ela não preparava os alunos para o futuro. Os alunos adoravam, principalmente um, o mesmo que conta essa história pra gente.

Márcio Vassallo é jornalista, escritor e faz palestras e oficinas sobre educação e formação de leitores. Foi repórter dos jornais O Globo e Tribuna da Imprensa, colaborador da Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil, editou o jornal literário Lector e colaborou com as revistas Você S/A, Crescer e Leituras Compartilhadas. Além de A professora encantadora, publicou Mario Quintana (biografia), Mães: o que elas têm a dizer sobre educação, A princesa Tiana e o sapoGazé,O príncipe sem sonhos, Valentina, A fada afilhada, Da minha praia até o Japão, O menino da chuva no cabelo e Minha princesa africana.

Ana Terra é ilustradora, escritora e contadora de histórias. Tem mais de quarenta livros publicados e suas ilustrações participaram da 5ª e da 6ª Traçando Histórias e da Bienal de Ilustrações Bratislava 2009. Também receberam o selo de Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juveni (FNLIJ).

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Uma sugestão e dois clubes de leitura

Hoje vou falar de uma sugestão de leitura que recebi da professora Luciana: Papel-manteiga para embrulhar segredos: cartas culinárias, de Cristiane Lisbôa. A Luciana é professora de Língua Portuguesa em Belo Horizonte e leu esse livro com seus alunos. Ela disse que “amou” o livro e que a autora conversou com os alunos dela pelo skype.  A professora Luciana conheceu meu blog quando foi trabalhar com o livro Carol, em sala de aula, leu a postagem que fiz aqui sobre as histórias em quadrinhos do Laerte e deixou um comentário.

Mas antes de falar desse livro, vou anunciar dois novos clubes de leitura que vamos fazer aqui, em breve. Um será com os alunos do professor Carlos, de São José dos Campos. Conheci o professor Carlos, pessoalmente, na Bienal do Livro. Além de professor, ele também é escritor e eu já falei de um livro dele aqui no blog, o Jogadas bem-assombradas da série Histórias da Lua-Cheia. Depois desse, ele já publicou outro da mesma série: O dia em que tentaram virar os pés do Curupira, que ainda não li, mas quero ler!

O professor Carlos sugeriu um título bem legal pra gente ler no clube, O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho. Ele disse que leu O Gênio do Crime aos 12 anos de idade e foi um dos livros que o incentivou à leitura. O meu amigo Lipe já está lendo, ele sempre me ajuda nos clubes de leitura, lê também e depois conversamos, antes de eu publicar o post. Aprendi isso com a professora Rose, que fazia rodas de conversa com os alunos. Aqui, eu faço minha roda com o Lipe.

O outro clube de leitura que vamos fazer será com os alunos da professora Luciana, de Belo Horizonte, a mesma que me deu a sugestão do Papel-manteiga para embrulhar segredos. Quando a professora Luciana deixou o comentário no blog, alguns alunos dela também comentaram e disseram que minhas postagens tinham ajudado na leitura dos livros. Teve uma que disse até que o post lhe ajudou tanto, que achava que ia tirar nota dez no trabalho.

Fiquei muito feliz com os comentários, perguntei quais seriam os próximos livros que iriam ler, dei a ideia do clube de leitura e pedi a eles que conversassem com a professora. No final, troquei e-mails com a professora Luciana, ela gostou da ideia e sugeriu uma lista de livros para o nosso clube de leitura. Vamos começar pelo A professora encantadora, de Márcio Vassallo, ilustrado por Ana Terra e depois vamos ler Os herdeiros do Lobo, de Nelson Cruz.

Romance epistolar

Papel-manteiga para embrulhar segredos: cartas culinárias, de Cristiane Lisbôa, publicado pela editora Memória Visual é um romance epistolar, em que a história é contada por meio de cartas. Epístola é carta em latim. O livro tem também receitas culinárias escritas pela gastrônoma e redatora publicitária Tatiana Damberg.

Pesquisei e descobri que o objetivo do romance epistolar é dar maior realismo a história e que esse estilo teve seu auge nos séculos XVIII e XIX, com Montesquieu (Cartas persas), Samuel Richardson (Pamela), Honoré de Balzac (Memórias de duas jovens esposas), entre outros. Mas há romances recentes, como A cor púrpura (1982), de Alice Walker, e A caixa preta (1987), de Amos Oz, que também usaram essa técnica.

As cartas de Papel-manteiga para embrulhar segredos são escritas por Antônia e endereçadas a sua bisavó.

Bisa Ana

Estou em alguma parte do mapa. Não posso dizer qual, pelos motivos que nós duas sabemos. Espero eu, e imagino, espera a senhora, que estejamos fazendo a coisa certa. Chegamos de carro na casa onde também funciona o restaurante. É inteira de pedras com janelas enormes, que em alguns casos vão até o teto. Temos, cada uma, um quarto minúsculo. O único cômodo espaçoso e arejado da casa é a cozinha, o que era de se esperar. Tudo me assusta. Sobretudo ter que confiar apenas na minha memória “degustativa”. Senhorita Virgínia revisou minha mala e tirou de lá o gravador de fitas pequenas, os blocos, os lápis e meu relógio. Disse que não devolveria jamais, o que me causou péssima primeira impressão. (…) Se isso for um castigo divino por estar desobedecendo a Mamãe, imagino que será cumprido nos mínimos detalhes.

Já com saudades, Antônia

Antônia fugiu de casa para fazer um curso de gastronomia e não deixou carta alguma para sua mãe, foi aprender a cozinhar com a Senhorita Virgínia, num país onde nem sabia falar a língua. Ela tinha divergências com a mãe, que nunca a perdoou “por aprender a fazer bolo antes de entender o que significava submissão.” Sua mãe era professora universitária e não aprovava o fato de sua filha amar “o ambiente doméstico e, sobretudo, as cozinhas.” Antônia achava que isso não era uma vergonha e que para ser mulher moderna ela não precisava mentir que não gostava de panos de prato.

As cartas de Antônia para sua bisavó, que no final foram escritas em papel-manteiga, traziam no verso as misteriosas receitas da Senhorita Virgínia, escritas por Tatiana Damberg, e algumas lembranças curiosas e surpreendentes de sua professora.

Cristiane Lisbôa nasceu em Uruguaiana (RS), é escritora e, além de Papel-manteiga para embrulhar segredos: cartas culinárias, ela também publicou Pequenos pedaços soltos de histórias de amor às vezes verdadeiras (Fina Flor), que foi traduzido para o inglês e espanhol; Deles e quase o resto (Fina Flor), adquirido pela grife paulistana Madalena, que aplicou os contos em saias, vestidos e blusas de uma coleção chamada Literatura inclusa; Sylvia não sabe dançar (Mercuryo) e Duas pessoas são muitas coisas (Memória Visual). Ela edita um blog: www.cristianelisboa.zip.net

Tatiana Damberg é gastrônoma por vocação, desde pequena, quando acompanhava o pai à feira e decorava as tortas de sua mãe. Estudiosa de todas as coisas comestíveis, adora cozinhar e escrever a respeito. Além da paixão pelos sabores, gosta das palavras e trabalha com redação publicitária. Ela também edita um blog: www.mixirica.com.br

Contador zerado

Na quarta-feira passada, o contador de visitas do meu blog zerou sozinho. Ele já marcava mais de 43.200 visitas. A partir desse dia, ele registrava algumas visitas e zerava novamente. Agora, ele não está contando nada, não sai do número 1. Já reclamei, disseram que isso aconteceu, também, com outros blogs hospedados lá e estão tentando resolver o problema.

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A dura vida de um escritor

Martin Eden sofreu muito pra virar escritor e viver de literatura e quando, finalmente, conseguiu, já era tarde

Antes de começar a fazer este blog, achava que vida de escritor era uma maravilha. Ler, escrever e passear pelas feiras e bienais de livros, conversando com os leitores. Que vida poderia ser melhor do que essa? Mas depois que conheci, com meu blog, um pouco do mundo da literatura, descobri que a realidade é diferente do que eu imaginava, escritor também sofre. Sofre para publicar seu livro e depois que consegue uma editora, sofre para vender. A maioria dos escritores não vive só de literatura, muitos têm outras profissões, são jornalistas, professores, tem até médico escritor.

Não sei como arrumam tempo para escrever, devem escrever de madrugada ou nos finais de semana. Mas acho que o maior sofrimento, mesmo, é na hora de publicar o livro. Mandam o original para as editoras e tempos depois recebem de volta, com alguma observação do tipo: “o texto é bom, mas não tem o perfil da nossa editora”. As editoras também recebem tantos textos, que nem conseguem ler todos. Com o meu blog já conheci muitos escritores que sofreram para publicar seu livro, mas até hoje nunca tinha visto um escritor sofrer tanto como sofreu Martin Eden.

A primeira vez que ouvi falar de Martin Eden foi lendo o jornal. Martin Eden é o nome de um livro de Jack London. Li um artigo do escritor Sérgio Telles n’O Estado de S. Paulo, contando que ganhou esse livro de seu filho, que lhe presenteou, dizendo que a história o fez lembrar de quando era criança e via o pai “escrevendo, mandando originais para as editoras e aguardando suas respostas.” O Sérgio Telles se lembrava de Jack London das suas leituras de infância, mas não conhecia esse livro. No artigo ele fala um pouco do livro, e só de ler o que ele escreveu, já gostei da história.

Não conhecia o Jack London, fui procurar o livro e pesquisar a obra do autor. Encontrei outro livro dele na estante de casa, O Lobo do Mar, depois soube que é um clássico da literatura. A edição que tem em casa de O Lobo do Mar é da Companhia Editora Nacional e foi traduzida por Monteiro Lobato. É um livro importante! Já separei pra ler depois, mas antes queria, mesmo, era ler o Martin Eden, a história dele me interessava muito. Já li, adorei e hoje vou contar um pouco a dura vida do escritor Martin Eden.

Martin Eden, de Jack London, traduzido por Aureliano Sampaio e publicado pela Editora Nova Alexandria conta a história da luta de um marinheiro pobre, que queria ser escritor e viver de literatura. Li que o Jack London fez sucesso escrevendo livros de aventura, como O Lobo do Mar e que este romance é diferente de tudo que ele escreveu, é “semi-autobiográfico” – a vida de Jack London foi bem parecida com a de Martin Eden.

Convidado por Arthur para jantar em sua casa, Martin Eden conhece sua irmã, Ruth, “uma criatura pálida e etérea, com uns olhos azuis grandes e espirituosos e abundante cabeleira loira. Comparou-a a uma pálida flor de ouro sobre uma haste delicada. Não; era um espírito, uma divindade, uma deusa. Tal beleza não podia ser da Terra.” Ruth estudava Literatura na universidade e Martin já tinha muito interesse pelo assunto, apesar de só ter lido poucos livros.

Conversaram e Ruth lhe falou de Swineburne, um poeta de quem Martin só tinha lido alguns versos. Ficou tão impressionado com o discurso da moça que chegou a seguinte conclusão: “Isto é que é vida intelectual, isto é que é beleza viva, maravilhosa, como nunca sonhei que existisse. Eis uma coisa por que valia a pena viver, uma coisa que merecia ser conquistada com luta, enfim, pela qual valia a pena morrer. Os livros diziam a verdade.” Ficou apaixonado por Ruth e pela literatura e decidiu lutar pelas duas.

Não foi nada fácil a luta de Martin Eden para conquistar suas duas paixões. A Ruth, depois de algum tempo e muita dedicação, ele começou a namorar, contra a vontade da família dela, que não aprovava a união da filha com um rapaz que pertencia a outra classe social e não tinha uma profissão definida. Depois que decidiu virar escritor abandonou o trabalho de marinheiro e só fazia alguns bicos para pagar sua comida, o aluguel do quarto onde morava e da máquina de escrever.

Só dormia quatro horas por dia e nas outras vinte lia e escrevia. Escrevia ensaios e contos, que mandava para as revistas literárias publicarem, por isso também gastava grande parte de seu dinheiro em selos do correio. Mas as revistas recusavam todos os seus textos. Depois escreveu livros, que também foram recusados. Um dia Ruth tentou convencer Martin a deixar seu sonho um pouco de lado e procurar um emprego: “Por que não tenta um lugar num jornal, se sente assim tanto gosto em escrever? Por que não experimenta a carreira de repórter?” “Estragaria meu estilo. Não faz ideia de quanto trabalhei para apurar meu estilo” – ele respondeu.

Depois o assunto da conversa passou para os editores, que viviam recusando os textos de Martin. Ele devia estar com tanta raiva dos editores, que disse: “A principal qualidade de noventa e nove por cento de todos os editores é o fracasso. Fracassaram como escritores. Tentaram escrever, mas falharam. E aqui está o maldito paradoxo da questão. Cada porta de acesso ao êxito literário encontra-se vigiada por esses cães de guarda – os fracassados da literatura.” No final da história Martin Eden conquista os editores que tanto odiava, consegue publicar todos os seus livros, vender e fazer muito sucesso como escritor, mas aí, já era tarde.

Jack London nasceu em São Francisco, nos EUA, em 1876, e morreu em 1916. Viveu uma infância pobre em Oakland e na adolescência trabalhou dezesseis horas por dia numa fábrica. Depois se alistou por algum tempo numa escuna, virou marinheiro e conheceu o Japão e a Sibéria. Voltou a ser operário para largar tudo novamente, levou uma vida de andarilho e chegou a ser preso. Terminou os estudos formais e matriculou-se na Universidade de Berkeley. Mas o preconceito contra estudantes pobres o fez sair da faculdade e tentar a sorte na “corrida do ouro” do Alasca. Ainda tentou ser carteiro e aos 25 anos largou tudo e decidiu ser escritor. Publicou mais de cinquenta livros, entre eles O filho do lobo (1900), O chamado da floresta (1903), O povo do abismo (1903), O lobo do mar (1904), Caninos brancos (1906), A estrada (1907), O tacão de ferro (1907), Martin Eden (1909), A travessia de Snark (1911), John Barleycorn (1913) e O Vale da lua (1913), além de mais de cem contos publicados em revistas.

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Biblioteca pública, livro, leitura e o Cine Bijou

- Como foi a reunião de ontem, Heitor?

- Foi legal, pai!

- Foi sobre o mesmo assunto daquela, na biblioteca do Tatuapé?

- Não, aquela foi em defesa das bibliotecas públicas.

- E essa, não foi também?

- Não, essa foi em defesa do Plano Municipal do Livro e da Leitura, o PMLL. Você sabia que São Paulo ainda não tem um PMLL?

- Sabia… São Paulo não tem muita coisa, meu filho. Motivo pra lutas políticas não faltam na nossa cidade.

- Se lembra de quando eu fui àquela passeata e você disse que era a minha primeira luta política?

- Claro que eu me lembro, a passeata era pra defender o quarteirão e a biblioteca do nosso bairro.

- E nós vencemos!

- E você gostou da ideia!

- Gostei!

- Gostou tanto que não parou mais.

- E nem quero parar, pois a luta continua… Não é mesmo, pai?

Meu pai riu, pegou um livro da mesa e me deu.

- Olha… Vi este livro na livraria e comprei pra você.

- Obrigado! “Cine Bijou”?

- Sim. Como o autor deste livro, eu também assisti a muitos filmes nesse cinema. Leia, acho que você vai gostar. Eu gostei!

Tive essa conversa com o meu pai na quinta-feira passada e hoje vou falar um pouco do debate sobre as bibliotecas públicas, da manifestação em defesa do Plano Municipal do Livro e da Leitura da cidade de São Paulo, e do livro sobre o Cine Bijou.

As bibliotecas públicas e o Plano Municipal do Livro e da Leitura

No post anterior eu falei de uma reunião que eu ia, na Biblioteca Hans Christian Andersen, para assistir a um debate sobre Bibliotecas Públicas. Pois eu fui, e gostei muito. Conheci a Lucina Melo, coordenadora dessa biblioteca, que fica no bairro do Tatuapé, aqui em São Paulo, e encontrei os meus amigos, o escritor Jeosafá e o Plínio.

Nesse debate se falou de muita coisa. Disseram que hoje a gente não vai mais à biblioteca pra fazer pesquisa pra escola, encontramos tudo na internet, e que a biblioteca não serve só pra isso. Eu, por exemplo, vou à biblioteca pra ler, pegar livros emprestados e encontrar os meus amigos. Tem muita coisa que a gente pode fazer lá. Depois, o pessoal que estava debatendo levantou uma questão: Que biblioteca é essa que devemos ter?

Eles acham que a gente tem que ter uma biblioteca mais receptiva e acolhedora e que seja aberta à comunidade. “A biblioteca como um espaço de democratização da informação”. No final do debate eles concluíram que tem que ser criada uma política de Estado para as bibliotecas e decidiram elaborar um documento com algumas sugestões.

Depois desse debate eu ainda fui a outro evento, que aconteceu no dia 27 de março, no quarteirão literário, em frente à Biblioteca Monteiro Lobato, que fica na Vila Buarque, região central de São Paulo. Fui convidado! Esse evento era para apoiar a criação e implantação do Plano Municipal do Livro e da Leitura da cidade de São Paulo. No final desse evento, que teve contação de histórias, música, dança, distribuição de livros; aconteceu um debate no auditório do Senac, que fica na rua ao lado do quarteirão.

A plateia estava cheia, e na mesa estavam o Paulo, da Bibliaspa; a Sueli, da Biblioteca Monteiro Lobato; e a Bel, do LiteraSampa. Eu ouvi e também li num cartaz que o PMLL deve ser criado para garantir a promoção do acesso ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas públicas, escolares e comunitárias a todos os cidadãos e cidadãs do município. E para participar é só procurar o Grupo de Discussão e Estudo do PMLL e assinar a Petição de apoio ao PMLL, nos encontros do Grupo e na internet.

A Bel, do LiteraSampa, disse que esse debate deve acontecer mais vezes na cidade, para dar mais visibilidade e chamar mais pessoas para o movimento. O meu amigo Jeosafá também estava lá e pediu a palavra. Ele disse que participa de um grupo, que vem discutindo essas questões desde o ano passado. Eles elaboraram um documento que já tem mais de mil assinaturas.

O Fernando Haddad e a Nádia Campeão assinaram esse documento, no final do ano passado, durante a campanha eleitoral. O documento tem o apoio do prefeito e da vice-prefeita! No final do debate, os dois grupos se juntaram e o nosso movimento em defesa do livro e da leitura, pela criação e implantação da PMLL de São Paulo vem crescendo a cada dia.

Um cinema e uma época

A história do livro Cine Bijou, escrito por Marcelo Coelho, ilustrado por Caco Galhardo e publicado pela editora Cosac Naify e Edições SESC SP começa assim:

“Quando eu tinha quinze ou dezesseis anos, me achava extremamente inteligente na maior parte do tempo. No resto do tempo, eu me achava extremamente idiota. Não sei se idiota é a palavra. Ser um pateta não é igual a ser um imbecil, por exemplo. O imbecil tem mais profundidade; o pateta é mais avoado, mais feliz até. Ser um crianção tem cura; já um babaca é babaca pelo resto da vida. O burro é burro desde que nasceu, mas o idiota só é idiota de vez em quando. Isso eu dizia pra me consolar.”

Nesse livro o autor Marcelo Coelho conta um pouco da sua história, quando tinha essa idade, na década de 1970. Ele diz que uma das “atividades inteligentes” que fazia era ir ao cinema e os filmes que queria ver eram proibidos para menores de 18 anos. “Naquela época, 1974, 1975, a censura por faixa etária era levada bastante a sério.” Ele conta, também, que alguns filmes nem os adultos podiam ver, pois eram proibidos pela censura.

O Brasil vivia uma ditadura militar e o governo proibia filmes mesmo para quem tinha mais de dezoito anos. Ele disse que nessa época tinha cara de criança e o único cinema que o deixavam entrar era o Cine Bijou, que ficava no centro de São Paulo, na praça Roosevelt. Ele diz que o Cine Bijou exibia sempre filmes de arte e festivais de diretores famosos.

E assim segue a história desse livro, com o autor contando um pouco dos filmes que viu no Cine Bijou, da história dessa época, e de sua história, quando tinha quinze ou dezesseis anos.

Para criar as ilustrações desse livro, Caco Galhardo recuperou cartazes de filmes clássicos como, Laranja mecânica, de Stanley Kubrick e o Último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci . Ele também se inspirou em cenas marcantes dos filmes A morte em Veneza, de Luchino Visconti e Os amantes de Maria, de Andrey Konchalovsky, e a capa foi baseada em Viver a Vida, de Jean-Luc Godard.

Marcelo Coelho nasceu em São Paulo, em 1959. Formado pela Universidade de São Paulo (USP) em ciências sociais, é mestre em sociologia.  Ensaísta, escritor, e jornalista – dedicado, sobretudo à área de cultura, assina uma coluna no jornal Folha de S. Paulo, no caderno Ilustrada, desde 1990. O livro Tempo medido (Publifolha, 2007) reúne suas melhores crônicas publicadas no jornal. Traduziu obras de Voltaire e Paul Valéry e escreveu dois romances, Noturno (Iluminuras, 1992) e Jantando com Melvin (Imago, 1998). Também publicou os livros infantis A professora de desenho e outras histórias (1995) e Minhas férias (1999), os dois pela Cia das Letrinhas.

Caco Galhardo nasceu em São Paulo, em 1967. Formado em Comunicação pela FAAP, iniciou sua carreira como cartunista na década de 1980. É autor dos livros O banquete – As gostosas de Caco Galhardo (Barracuda, 2004), em parceira com o escritor Marcelo Mirisola, Dom Quixote em Quadrinhos (2005), Crésh (2007) – ambos publicados pela Editora Peirópolis – e Bilo (Girafinha, 2008). Suas tirinhas podem ser vistas no jornal Folha de S. Paulo.

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Vou a um debate sobre bibliotecas

Hoje vou fazer um post diferente, não vou contar nenhum livro, vou falar de um debate sobre bibliotecas públicas. Perguntei ao meu amigo Lipe, o que ele achava de eu fazer um post assim.

- Acho legal! ele respondeu.

- Mas eu não vou falar de nenhum livro, Lipe!

- Ora, se você fala de bibliotecas, fala de todos os livros! ele disse, como se estivesse me explicando o óbvio.

Tenho muitas divergências com o Lipe, mas às vezes a gente se entende. Ele é o meu melhor amigo, já falei dele aqui no blog.

Tive a ideia de fazer este post, pois, outro dia, recebi um e-mail de Luciana Melo, coordenadora da Biblioteca Pública Hans Christian Andersen. Ela disse no e-mail, que acompanha e adora o meu blog, e me convidou para um debate. O nome do debate é “Biblioteca pública como instrumento de cidadania e inclusão social” e será na terça-feira que vem, dia 12 de março, lá na biblioteca, mesmo, que fica no bairro do Tatuapé, aqui em São Paulo. A programação está aí embaixo, com o número de telefone e tudo. Quem quiser participar é só ligar e fazer a inscrição. Eu já fiz a minha!

Ainda não conheço a Luciana, pessoalmente, fiquei muito feliz por ela me convidar para esse debate, mas fiquei pensando: Por que será que ela me convidou? Justo, eu?! E fui conversar com minha mãe:

- Ela não disse que acompanha o seu blog, Heitor?

- Disse.

- Então é por isso! Além de saber que você gosta muito de livros, ela deve ter acompanhado sua luta em defesa da biblioteca do nosso bairro.

- É, mesmo!

Depois falei com meu pai e ele me explicou como eu faço pra chegar ao Tatuapé. Preciso pegar um ônibus e o metrô. Na terça, assim que chegar da escola, almoço correndo e saio. Não quero chegar atrasado ao debate.

Fórum de debate

“Biblioteca pública como instrumento de cidadania e inclusão social”

Cronograma

14h00 – Abertura: Luciana Melo (Coordenadora Biblioteca Hans C. Andersen)

Mediação: Rosely Daltério (Socióloga Biblioteca Cassiano Ricardo)

14h30 – Atividade artística: Contos populares com Tatiana Felix (Pedagoga Seduc – Praia Grande)

15h00 – Palestra: “Retratos da Leitura no Brasil” com Zoara Failla (Socióloga, coordenadora da área de projetos do Instituto Pró-Livro – IPL – organização criada e mantida pelas entidades do livro (Abrelivros, CBL e SNEL)

16h00 – Mesa redonda: “Bibliotecas Públicas como instrumento de cidadania e inclusão social”

Izilda Patti (Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo), Durvalina Soares (Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo), Ricardo Queiroz (Sistema Municipal de Bibliotecas de São Bernardo), e Professora Maria Edith Giusti (Coordenadora da Especialização em Bibliotecas Públicas / UNIFAI)

Mediação: Rosely Daltério (Socióloga Biblioteca Cassiano Ricardo)

17h30 – Café e atividade musical com os ex-alunos do Vocacional em Música da Secretaria Municipal de Cultura MC Dayse Liguori e Giorgio Arthur Passerino (Flauta e violão)

Quando: dia 12 de março de 2013, às 14h00

Local: Auditório da Biblioteca Hans Christian Andersen

Av. Celso Garcia, 4142, Tatuapé, São Paulo, SP

Inscrições pelo telefone: (11) 2295-3447

Com certificado validado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo

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