A palavra revelada – carta de Jorge Miguel Marinho

Hoje vamos saber qual é a palavra envergonhada, que estava escondida, e durante três semanas tentamos descobrir o nome dela. Quem vai nos contar é o próprio autor da história, A palavra que não queria dizer seu nome, o Jorge Miguel Marinho. Essa história foi publicada em três capítulos aqui no blog. E para revelar o nome dessa palavra, o Jorge Miguel escreveu uma carta pra gente, uma carta muito bonita! Eu adorei e confesso que fiquei muito emocionado com as palavras do Jorge.

Com este post, encerramos esse novo clube de leitura que fizemos com a turma da professora Luciana, meus novos amigos da Escola Municipal Luiz Gatti, de Belo Horizonte. Foi um clube de leitura bem diferente, me disseram que o que fizemos aqui foi mediação de leitura literária, e uma mediação muito especial, teve até a participação do autor. Adorei essa mediação e quero fazer outras! E agora vamos à carta do Jorge…

PARA O MEU AMIGO LE-HEITOR

Olá pessoa e pessoal.

Tem um escritor muito querido que, se vocês ainda não conhecem, têm de conhecer já. É o Mário de Andrade e ele diz:

“Ninguém escreve para si mesmo, a gente escreve para atrair, para encantar, para ser amado.”

Eu também escrevo para me aproximar das pessoas, para contar a minha vida e contar a vida de outras pessoas, para receber afetos de quem me lê. Foi isso que vocês me deram com a leitura tão sensível, com o entusiasmo que é a maior força da infância e da juventude, com as palavras bonitas que me enviaram. Agora somos amigos pela vida inteira e mais um dia, amigos eternos.

Vocês me fizeram feliz, muito feliz.

Esse gesto se chama amor e é o contrário da palavra que não queria dizer seu nome. É “violência” mesmo. Quem acertou acertou e quem não acertou chegou perto. O mais importante é entrar no jogo e tentar descobrir o sentido das palavras e o sentido da vida.

Agora a gente tem de pensar numa coisa: tem violência porque existe gente violenta e tem violência porque a vida é violenta. Pensa bem nisso, turma, a violência nunca tem perdão mas, às vezes, ela acontece e, de verdade mesmo, não queria existir. O que se pode fazer é combater a violência ou acabar com ela, descobrindo outros sentidos que têm dentro das palavras e dentro das pessoas, é claro.

Por exemplo, dentro da palavra violência tem “vi” de vida, de virtude e de vitória que não é só de quem ganha, mas de quem joga para, quem sabe, ganhar. E também tem “len” de silêncio e de lentidão que às vezes é bem bom para a saúde e para a criação. E “a” de amor e de altura que nem sempre dá vertigem quando a gente quer voar. E mais “ci” de cidadão e de cicatriz que pode ser a lembrança de uma dor que já passou.

Entenderam? Eu sabia que vocês iam entender.

Quero mandar um abraço bem forte para todos e já vou ficar pensando o que tem dentro de um abraço, o que tem dentro da palavra abraço, o que tem dentro do coração dos amigos que se abraçam. E dentro de nós que fomos brincando com a palavra violência e ficamos amigos que é o melhor da vida.

Outro abraço do Jorge.

Mário de Andrade: “Ninguém escreve para si mesmo, a gente escreve para atrair, para encantar, para ser amado.”

Compartilhe:
  • Print
  • Facebook
  • Add to favorites
  • email
  • LinkedIn
  • MySpace
  • Twitter
  • Live
  • Orkut
  • PDF

16 Comentários para "A palavra revelada – carta de Jorge Miguel Marinho"

  • Professora Luciana says:
  • Mario says:
  • Heitor says:
  • Heitor says:
  • Gustavo Henrique says:
  • italo oliveira says:
  • wagner lima says:
  • Lorena says:
  • lucas says:
  • João Pedro Patrocinio Tiburcio says:
  • Kaique Gonçalves says:
  • maria cecilia says:
  • Ygor says:
  • caio vinicius says:
  • Gustavo Braga says:
  • Heitor says:
Deixe o seu comentário