Clube da esquina, noite na biblioteca e meu voto

Hoje vou falar de um livro inspirado em um disco, também vou falar de um evento que acontece todo ano, é a “Noite na Biblioteca”, na Monteiro Lobato, aqui de São Paulo, e ao final do post, vou declarar meu voto para presidente

O CLUBE DA ESQUINA

Outro dia ganhei um livro de meu pai, ele viu a entrevista com o autor, na televisão, gostou do assunto e me deu de presente. Esse livro é inspirado em um disco que cresci ouvindo, vira e mexe, meu pai põe pra tocar, na verdade, são dois discos, o volume 1 e o volume 2, e se chamam Clube da Esquina.

Os discos

Quando eu era bem pequeno, só gostava de duas músicas do pessoal do clube da esquina e sempre pedia para o meu pai tocar, elas nem são desses dois discos, uma é “Bola de meia, bola de gude” e a outra, “Maria Solidária”, que começa assim: “Eu choro de cara suja, meu papagaio o vento carregou / E lá se foi prá nunca mais, linha nova que pai comprou”. Eu cantava junto e até hoje sei as letras de cor.

Mas com o tempo fui descobrindo outras músicas dessa turma; “Paisagem da janela”; “O trem azul”; “Meu menino”, “Ruas da cidade”; “Trem de doido”; “Tudo que você podia ser”; “Canoa, canoa”; “O que foi feito de Vera”; “Clube da esquina nº 1”; “Clube da esquina nº 2”, a que diz que os ‘sonhos não envelhecem’; “Maria Maria”; “Nascente”; e muitas outras. O Clube da Esquina era formado por Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes, Fernando Brant e Ronaldo Bastos, que se reuniam na esquina da rua Divinópolis com a rua Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte.

O livro

O livro que li, inspirado nas músicas da turma do Clube da Esquina se chama O Segredo do disco perdido – Uma aventura ao som do Clube da Esquina, foi escrito por Caio Tozzi e Pedro Ferrarini, que também cresceram ouvindo esse disco, tem ilustrações de Leandro Oliveira e foi publicado pela editora Panda Books. O livro apresenta um monte de músicas desses e de outros discos do pessoal do clube.

A história é mais ou menos assim, Daniel vai passar as férias na casa dos avós, no interior de Minas Gerais, era a primeira vez que ele viajava sozinho, e algo lhe dizia que essas férias seriam bem diferentes. Ele tinha estado na casa de seus avós quando ainda era bem pequeno e não se lembrava de muita coisa, mas pelo que o avô lhe contava pelo telefone, sabia que havia campos, montanhas, e que as pessoas da cidade eram sempre amigas e bacanas umas com as outras. As portas ficavam sempre abertas, a mesa cheia de comida gostosa, igrejas muito bonitas e histórias diferentes das que ele já tinha ouvido. “O vovô chamava isso de causos”.

No caminho já começa a acontecer coisas esquisitas, quando o ônibus entra no Estado de Minas, um sujeito bem diferente embarca, era um velhinho magro, com uma barbicha e um chapéu enorme, vestia uma roupa amassada, carregava duas grandes malas e um violão, era estranho e também um pouco engraçado. O velhinho se sentou numa poltrona ao lado de Daniel, conversaram e o menino acabou lhe emprestando um de seus gibis, que tinha levado para ler no caminho. No final da viagem, o velhinho sumiu, levando o gibi do menino. Esse velhinho e o sumiço do gibi vão ter uma explicação no decorrer da história.

E a história segue, o nome do avô de Daniel era Borges e a avó, Lilia. Todos os personagens dessa história tem seu nome ligado à vida ou à música do Clube da Esquina. Seu Borges tinha o LP Clube da Esquina, autografado pelo Lô Borges, um dia o disco some e ele fica deprimido, desisti até de promover o baile que fazia todo o ano na cidade. Em segredo, Daniel e sua nova amiga Maria, assumem a organização do baile. Muitas coisas acontecem nessa história, que tem como trilha sonora as músicas do Clube da Esquina. Sim, esse é o primeiro livro que li com “trilha sonora”, e fiz questão de ler, ouvindo as músicas do disco.

Soube que tem um livro que se chama Os sonhos não envelhecem, foi escrito por Márcio Borges, publicado pela Geração Editorial, e é considerada a biografia oficial do grupo, sei que é para adultos, mas eu também quero ler.

Os autores

Caio Tozzi nasceu em 1984 e Pedro Ferrarin, em 1983, os dois passaram a infância entre São Paulo e a casa dos avós, no interior, onde podiam viver as aventuras contadas nesse livro. Quando era criança, o Caio descobriu que gostava de desenhar e de escrever e o Pedro, de cantar. O Caio cresceu e começou a fazer e vender revistas em quadrinhos, descobriu os heróis das grandes aventuras literárias e percebeu que queria contar histórias, o Pedro cresceu e cantou em várias bandas. O Caio fez jornalismo, o Pedro deixou a música e foi para o cinema. Trabalhando juntos em uma agência de publicidade, descobriram que ambos eram apaixonados pelo Clube da Esquina e resolveram escrever esse livro.

Caio Tozzi é formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Roteiro Audiovisual na PUC-SP, trabalhou com jornalismo e publicidade, fez projetos editoriais, e além deste, publicou dois livros de contos e crônicas, Postal e outras histórias e Quando éramos mais. Pedro Ferrarini é produtor e diretor, formado em Rádio e TV pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Cinema, Vídeo e Fotografia pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Dirigiu alguns documentários, entre eles “Ele era um menino feliz – O Menino Maluquinho, 30 anos depois”.

NOITE NA BIBLIOTECA

No dia que eu estava no debate do PMLLLB do LiteraSampinha, que aconteceu na Biblioteca Monteiro Lobato e que contei no post anterior, encontrei a Sueli Nemen, que foi diretora dessa biblioteca e hoje coordena todo o sistema municipal de bibliotecas da cidade de São Paulo. Conversei com a Sueli e ela me convidou para conhecer um evento que acontece todo ano na Lobato, a “Noite na Biblioteca”. Todo dia 11 para o dia 12 de outubro, Dia da Criança, um grupo de crianças passa a noite na Monteiro Lobato, com leituras, contação de histórias e brincadeiras. Eu fui, não fiquei a noite toda, mas vou contar um pouco do que vi e do que fiquei sabendo, depois.

Logo que cheguei, encontrei a Muriel Scott, que cuida da programação da biblioteca e me passou um papel com todo o programa do evento, ela também me apresentou a Manu Fernandes, que é a nova diretora da Lobato. Conversei com a Edna e a Adriana, que fizeram a contação de histórias. Participaram do evento, 35 crianças de 7 a 11 anos.

Também conversei com a Bubby Fernandes, ela trabalha na biblioteca como jovem monitora cultural e estava fotografando o evento. Perguntei se não podia mandar algumas fotos para eu publicar no blog, ela me mandou um montão de fotos, eu escolhi algumas, e lá vão…

Quando chegaram todos os participantes, teve uma recepção para as crianças e seus pais, no teatro da biblioteca, foi um espetáculo de música, com uma pequena orquestra do municipal e apresentação de algumas crianças.

Depois da recepção, os pais se despediram das crianças, foram embora e as deixaram sozinhas para passar essa noite na biblioteca. A primeira atividade foi uma visitação guiada, a Sueli apresentou os espaços da Lobato, mas precisou da ajuda do Ale, que além de promover brincadeiras com as crianças, teve que ajudar a Sueli a conter a euforia da turma. Também, uma noite toda, fora de casa e sem os pais, ninguém vai conseguir ficar quieto.

Quando acabou a visitação eu tive que ir embora, não podia ficar toda a noite, conversei com a Adriana e a Edna, que fariam a contação de histórias e elas me contaram como seria. Mas antes teve o lanche.

A Edna recebeu a turma recitando poema de Manuel Bandeira.

A Adriana contou a história do Macaco e a Velha e as de Pedro Malazarte.

As crianças escolheram personagens das histórias, se vestiram com eles…

E foram para a Baladinha Literária com discotecagem.

E ainda teve cinema, com suco, pipoca e outras guloseimas e ao final, descanso, pois ninguém é de ferro.

MINHA DECLARAÇÃO DE VOTO

Meu pai me disse para eu não falar de eleições aqui, que meu blog não é espaço pra isso. Estava difícil de evitar, pois, nesses dias, só se fala dessas coisas, mas eu vinha resistindo, até que vi uma charge do Laerte e não consegui mais me controlar. Eu conheço o Laerte, pessoalmente, já fui a dois lançamentos de livros dele, falei aqui no blog, e ainda publiquei uma entrevista que fiz com ele. A charge é uma declaração de voto para presidente.

Meu pai também falou para eu não declarar meu voto. Eu não voto, ainda, nem tenho idade pra isso! Mas quer saber? Se eu votasse, votaria na Dilma, pelos mesmos motivos do Laerte e também por outros motivos, como a nossa luta pelo livro e pela leitura. Pronto, falei! Meu pai que me perdoe e espero que ele não me demita. E quer saber mais? Lá em casa todos vão votar na Dilma.

Compartilhe:
  • Facebook
  • Twitter
  1. Gostei, Heitor. Você está de parabéns pela coragem em declarar sua preferência política. Percebo que você é um garoto bem politizado e se interessa por um assunto de extrema importância, que são as eleições, pois envolve a vida de milhões de brasileiros. Assim como você, eu, Prof. Carlos Santos, e toda minha família vamos votar na Dilma. Como o Laerte disse em sua tirinha. Apesar de todas as coisas ruins do governo petista, as coisas boas ainda prevalecem. A preocupação com os mais pobres e desamparados é uma questão humanitária. E como penso que não egoísta, e como desejo que as outras pessoas sejam felizes assim como eu, reconheço que o melhor para o Brasil é Dilma, já que o outro candidato, está num partido que historicamente, preocupou-se mais com os mais abastados até então. Se não quiser publicar meu comentário, fique à vontade, queria apenas expressar minha imensa simpatia por você que tem um coração solidário. Forte abraço!

  2. Obrigado, Prof. Carlos! Pelo apoio e pelo comentário. Adorei! Nesses tempos de eleição, acho que precisa coragem, mesmo, para declarar nossas preferências políticas, já recebi um e-mail de uma amiga, condenando minha escolha. Ainda bem que meu pai resolveu me apoiar, ele disse que ficar calado nessas horas, não faz parte da minha natureza, e que ele nunca me censuraria. Um forte abraço pra você, também.

  3. Oi Heitor: você foi muito corajoso e mostra que apesar da pouca idade, já tem consciência política. Eu espero que o ‘mundo’ seja um lugar melhor quando você for ‘grande’. Espero que as pessoas possam declarar seus votos sem serem xingadas, espero que haja mais bibliotecas e livros bons para todos…Eu também acho que por meio do voto a gente (ainda) pode mudar algo nesse país, sim! Um abraço democrático e esperançoso.

  4. Obrigado, Ana! Quando participei da luta em defesa da biblioteca do bairro onde moro, aprendi o que é fazer política, e gostei muito. Acho que vou continuar lutando pelas coisas que acredito. Um abraço… isso, mesmo, esperançoso e democrático.

  5. Alô…

    Parabéns…

    Super matéria… Adorei…
    Vou compartilhar no face.

    Fórti Abrássu Fratérnu.

    Charlis Abraão
    Cantador e Compositor dus bão.

  6. Caro Heitor,
    Pena que as coisas da vida tenha nos afastado, sinto saudades.Eu já sou bem velhinha e posso votar e votarei pelos mesmos motivos que o seu.
    Um grande abraço da Nena

  7. Oi, Nena.
    Eu também sinto saudades. Você foi companheira na luta (vitoriosa) em defesa da biblioteca e do quarteirão da cultura de nosso bairro. Fico feliz em saber que nessa outra luta política, também estamos juntos.
    Abração!

  8. Oi Heitor, no segundo parágrafo de seu texto tem um equívoco enorme: o local onde os membros do Clube da Esquina se reuniam era sim “na esquina da rua Divinópolis com a rua Paraisópolis, em Belo Horizonte”, MAS, que NÃO era e nunca foi “em frente a um prédio, o Edifício Levy”!!!
    O Edifício Levy fica longe, no centro de BHz, e as ruas Paraisópolis e Divinópolis ficam em Santa Tereza!!!
    A família dos Borges morou nos dois locais, mas, em épocas distintas.
    Solicito a correção de seu texto, por gentileza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *