Li três romances fantásticos

Na semana passada duas professoras conversaram com o pessoal da Sintaxe. Para quem não sabe, a Sintaxe é a assessoria de imprensa que criou e me deu de presente este blog. Eles cuidam das mudanças e também divulgam. As professoras conheceram o blog, gostaram dele e querem participar com os seus alunos. Uma delas disse que no próximo ano, ela e a sua turma vão enviar as leituras que farão com comentários, para trocar experiências. A outra, que também é orientadora de sala de leitura, assim que terminarem as férias, vai se reunir com o pessoal da Sintaxe para descobrir uma forma bacana de participar do blog. Achei o maior legal essa novidade! Quando eles me contaram, eu fiquei tão feliz, mas tão feliz que já comecei a fazer planos para o blog. Tenho um monte de ideias, estou anotando tudo e depois também quero fazer uma reunião com eles.

Já li o outro livro que eu peguei emprestado da biblioteca. Na quinta-feira eu tenho que devolver. O livro é o Coraline, do Neil Gaiman, e foi publicado em 2002, pela Editora Rocco. Vou aproveitar para falar de outros dois livros que eu já tinha lido e ainda não tinha contado aqui. A Espada Turca, do Luiz Antonio Aguiar, e As Luas de Vindor, do Caio Riter, estes publicados neste ano, pela Editora Biruta. Juntei os três no mesmo post, pois eles são meio parecidos. São livros que mostram um mundo de fantasia e todos contam histórias de arrepiar e de botar medo! Confesso que teve partes que me deram um pouco de medo, sim. Para quem acredita em fantasmas deve ser pior ainda. Eu não acredito! Pois, como disse uma personagem da história do livro Coraline, “nenhuma pessoa sensata acredita em fantasmas – isso porque são todos uns grandes mentirosos.”

Coraline

A história do livro Coraline, do Neil Gaiman, começa com a menina Coraline descobrindo uma porta em sua casa, que não dava para lugar nenhum. A família dela tinha se mudado há pouco tempo para lá. Antes era uma casa grande e que foi dividida em apartamentos. A família de Coraline morava em um desses apartamentos. Ao lado, no mesmo andar, moravam a senhorita Spink e a senhorita Forcible, acompanhadas de três cachorros. Há muitos e muitos anos, elas tinham sido atrizes. No apartamento acima, sob o telhado da casa, morava um velho maluco que tinha bigodes enormes. Ele estava treinando um circo de ratos, mas não deixava que ninguém visse os ratos, pois não estavam prontos e nem ensaiados. No dia seguinte ao dia da mudança, Coraline começou a exploração pela casa e pelo quintal. Explorou o jardim, a velha quadra de tênis, um velho canteiro de rosas, “um recanto cheio de pedras e um anel de fadas formado por cogumelos marrons venenosos e moles e que exalavam um cheiro horrível quando pisados”. Coraline era uma exploradora! Também encontrou um poço profundo e perigoso, coberto de tábuas de madeira, e que será muito importante no final dessa história. Coraline passou as duas primeiras semanas explorando o jardim e o terreno em volta da casa. Um dia chovia muito e ela não podia sair para continuar sua exploração. Seu pai sugeriu que ela explorasse dentro da casa. Foi o que ela fez e anotou tudo. Contou as janelas (21). Contou as portas (14). “Das portas que encontrou, treze abriam e fechavam. A outra – a porta grande e de madeira escura e esculpida, no canto mais afastado da sala de visitas – estava trancada”. Coraline encontrou uma velha chave e conseguiu abrir essa porta e do outro lado viveu toda a aventura dessa história.

Neil Gaiman é um escritor muito premiado. Ele é o autor de Deuses americanos, Neverwhere, Stardust, da coleção de ficção científica Smoke and mirrors e da famosa série de quadrinhos Sandman. Ele nasceu na Inglaterra e vive nos Estados Unidos.

A Espada Turca

“O raio é que toda vez que se lembrava daquela tarde, na caverna no alto da montanha, as imagens se embaraçavam, como se fosse um sonho”. Assim começa a história de A Espada Turca, do Luiz Antonio Aguiar, e quem tinha essa sensação era Leonora, a personagem principal desse livro. O casarão e toda a propriedade em que morava o seu avô Martiniano estavam abandonados há pelo menos quatro anos e coisas estranhas começaram a acontecer. O terreno em volta era imenso. Havia um bosque cercando a casa, com árvores altas e antigas. Havia uma trilha pelo meio da vegetação. No sopé da montanha, a queda d’água e o riacho que atravessava a propriedade. Tudo isso no meio da cidade. Na verdade, a cidade que cresceu em torno “daquele pedaço de outro mundo”. Quando Leonora era criança, nas visitas que fazia ao seu avô, chegava com seus pais, deixava suas coisas num do quartos e já descia. “Ficava o dia inteiro vivendo suas aventuras, sozinha e solta. Só entrava quando escutava o sino chamando para o almoço, depois tornava a sair e daí nunca a viam em casa antes do escurecer”. E a lembrança que Leonora tem é que numa dessas visitas ela viu uma espada sair da parede de rocha da caverna, “foi expelida como uma bolha de sabão sai da outra, e ficou flutuando um instante no ar, depois fundiu-se de volta com a parede da caverna.” Na época ela contou esse episódio ao seu avô e depois, às vezes, pensava que isso poderia ter causado a sua morte. O corpo do avô foi encontrado próximo à caverna de onde Leonora viu sair a espada. Sentia muita culpa.  Leonora tinha que desvendar esse mistério. Ela nunca entendeu as meias explicações do avô. Ele dizia que tinha afastado de vez a Espada Turca, mas agora ela não acreditava mais nisso e queria descobrir a verdade.

Luiz Antonio Aguiar é um escritor muito premiado. Ganhou o Jabuti em 1994; várias menções do Prêmio Altamente Recomendável, da FNLIJ; foi inscrito na lista de honra do IBBY em 2007; e do White Ravens em 2008, a maior biblioteca de literatura infantil e juvenil do mundo. Ele nasceu e vive no Rio de Janeiro.

As Luas de Vindor

Olívia, a princesa do reino de Vindor está insatisfeita. Ela quer mais do que aquela vida de princesa lhe oferece. Ela é a personagem principal da história do livro As Luas de Vindor, do Caio Riter. Vida monótona, festas na corte em que senhores e senhoras dançam sem alegria, um mundo adulto do qual ela não tem vontade de participar. Refugia-se no jardim ou na biblioteca e para acabar com aquela solidão busca outra possibilidade de vida. Abre um livro e raios vermelhos marcam o papel. “Ergue os olhos, lá estão as três luas rumando para o alinhamento que todos aguardam com impaciente e temerosa ansiedade.” Diz o povo, que as três luas de Vindor, quando alinhadas são sinal de coisa ruim. No último alinhamento houve guerra e mortes, e o reino foi colocado em risco. Olívia não percebe, mas de uma das janelas do castelo, alguém a observa. Alguém que torce para que as luas se coloquem rapidamente lado a lado, e conhece o que ocorreu há mais de mil anos. Planeja a morte do Imperador e sabe as palavras certas que serão ditas para que as Criaturas do Espelho se curvem diante do seu poder. Ele sabe e aguarda o momento em que o Imperador dará o seu último suspiro. Olívia desconhece as intrigas do palácio. “Pouco conhece do passado de seu reino ou dos seres fantásticos que habitam o Espelho. E que querem sair. Basta as luas se alinharem. E agora falta pouco.” Olívia não sabe, mas saberá. O Sábio do palácio diz que está na hora de ela saber a verdade e a leva até o aposento imperial. Seu pai lhe faz uma grande revelação, de que há mais de mil anos Vindor era habitado por dois povos, “os humanos, e as Criaturas, seres translúcidos, feitos de ar e água.” Viviam em paz até que a cobiça e o desejo de poder trouxe a guerra. Depois de muita luta e mortes os humanos prenderam as Criaturas no interior do Grande Espelho com a tarefa de repetir todos os atos dos homens. Com o alinhamento da luas elas podem se libertar do Espelho e voltar. Olívia tem uma grande missão: Salvar o reino de Vindor. 

Caio Riter é um escritor muito premiado. Ganhou os prêmios Açorianos, Barco a Vapor, Orígenes Lessa e Selo Altamente Recomendável, da FNLIJ. É professor, mestre e doutor em Literatura Brasileira. Participa como palestrante em cursos de capacitação de professores. Ele nasceu e vive em Porto Alegre.

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  1. Viajei agora com a história de Kafka e a boneca que “desapareceu”! Que mundo fantático a Literatura nos proporciona, Le-Heitor com certeza é um voraz leitor, o criador dele está de Parabéns, são iniciativas como esta que devem ser levadas para as escolas públicas, onde o nível e grau de intimidade com a leitura às vezes é zero!
    Amei este blog e com certeza vou divulgá-lo às minhas amigas educadoras! Parabéns!

  2. Adorei a proposta desse blog, as histórias, os comentários. Vou segui-lo a partir de agora e compartilhar minhas impressões com as suas Le-Heitor. Desses livros li Coraline, de Neil Gaiman, que tive a oportunidade de conhecer em Paraty, em 2008. A história é muito boa, faz a gente viajar, se assustar, e se encantar. Muito legal. E boa as outras duas dicas que você deu. Parabéns pelo blog e, quando puder, visite o meu. Beijos.

  3. Oi, Cecilia. Obrigado! Também adorei o seu blog e vou segui-lo. Fiquei curioso para ler o livro Livros – Ilha Deserta, que você indica lá, e já estou pensando em fazer a lista dos 10 livros que eu levaria para uma ilha deserta. Mas pensando bem, ainda é muito cedo para eu ir para uma ilha deserta. Antes eu quero conhecer mais livros.

  4. ei heitor!
    vc já leu algum livro sobre aventura e esportes radicais? igual a leitura de romances, há também muitos livros sobre aventuras e esportes radicais que vc, eventualmente, possa vir a ter algum interesse em ler e indicar pra gente…

  5. Obrigada por sua visita. Fiquei hiper contente. Neste outro blog, linquei a sua página. Assim, não perco suas atualizações.
    Tô indicando pra toda gente que conheço. Abraços

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