Notícias da FELIT

Nosso clube de leitura

Querem saber? Eu não estou mais feliz com o nosso clube de leitura. Nove alunos da escola comentaram e os comentários estão lá no post anterior. Gostei muito do que esses alunos escreveram. Eles viram coisas na história que eu não tinha visto. Eu também vi que eles gostaram de ler o livro, de participar do clube e também gostaram do meu blog. Mas eu esperava mais, estava tão animado, achando que todos iam gostar como eu estava gostando. Mais de trinta alunos leram esse livro e só nove comentaram. Será que os outros não querem mais participar do clube e não gostaram de ler e escrever sobre o livro. Estava combinado que todos que leram esse livro iam comentar… Sei lá, fico pensando em tudo isso e fico muito triste. O pessoal da Sintaxe fala para eu ter paciência, que a professora tem mais o que fazer e que ela disse que todos os alunos estão muito animados, gostando de participar do clube e que vão colocar mais comentários. Mas por que não colocam logo, então?

O Salão vem à São Bernardo

Existe um ditado bem famoso que diz o seguinte: “Se Maomé não vai à montanha a montanha vem a Maomé” e foi o que aconteceu comigo nesses dias. O pessoal da Sintaxe vive me falando do Salão da FNLIJ, eles dizem que o salão é isso, que o salão é aquilo e que junta um monte de escritores e ilustradores bacanas, lançando livros e conversando com o público. Esse salão acontece todo ano na cidade do Rio de Janeiro e é promovido pela FNLIJ, que eu já falei dela aqui no blog e que quer dizer Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Eu sempre quis ir ao Salão da FNLIJ no Rio de Janeiro, mas nunca consegui, nunca me levaram. Não é que neste ano o Salão veio aqui pra perto, em São Bernardo e eu pude ir! A prefeitura da cidade fez parceira com a FNLIJ e promoveu a 1ª FELIT – Feira Literária de São Bernardo do Campo. Disseram que essa feira foi igualzinha ao Salão. Como eu nunca fui ao Salão, não posso dizer nada, só posso dizer que a FELIT foi bem legal e hoje eu vou falar um pouco do que eu vi e dos escritores e ilustradores que eu encontrei por lá. Mas mesmo tendo ido à FELIT, que dizem que foi igual, ainda tenho muita vontade de conhecer o Salão, quero ver como é esse lugar de que falam tanto. Também quero aproveitar para conhecer duas montanhas que ficaram por lá e não vieram até Maomé: o Pão de Açúcar e o Corcovado.

O pessoal da Sintaxe foi à FELIT para trabalhar e eu fui junto, passear. Logo que chegamos à feira, eu vi uma autora que eu conheci na Bienal: – Aquela não é a Luciana Savaget? – Sim é a Luciana, vamos lá conversar com ela, Heitor. Cumprimentamos a Luciana com dois beijinhos – no Rio eles beijam duas vezes, é engraçado – mas ela tinha um compromisso naquela hora e depois eu não a vi mais, nem conversamos, que pena! Vou procurar um livro dela para eu ler e contar aqui no blog. De lá fomos encontrar a Miriam Portela, ela estava lançando um livro chamado Só se você prometer e ia conversar com os alunos das escolas. Tinha um monte de alunos das escolas municipais passeando pela feira e conversando com os escritores e os ilustradores. A Miriam está participando do nosso clube de leitura com o livro Bullying – Vamos sair dessa?. Eu disse para ela que a “EMEF Itaim A” já está programando um debate na escola, pra quando a gente for ler o livro dela para o clube de leitura. Eu ganhei o livro novo da Miriam, já li, gostei e logo vou contar aqui no blog. Depois fomos encontrar o Jorge Miguel Marinho, ele também estava lançando um livro e ia conversar com os alunos. O novo livro dele tem um nome engraçado: A ideia que se esquecia. É uma história bem legal, de uma ideia que vai sendo esquecida. Depois eu vou contar essa historia aqui, também. O Jorge Miguel foi o primeiro escritor de verdade que eu conheci depois que eu comecei a fazer o blog. Ele disse que está gostando muito do meu blog e que tem umas ideias pra me dar. Vou mandar um e-mail para o Jorge, para ele não se esquecer das minhas ideias, ou melhor, das ideias dele.

Conheci outra escritora do Rio de Janeiro, a Ieda de Oliveira, ela conhece o pessoal da Sintaxe e eles conversaram um pouco. Ela me disse que já tinha lido o meu blog, me deu um exemplar de um livro que estava lançando, O leão e o macaco, já li, gostei e vou falar dele no próximo post. Conheci o André Neves, mas nem deu tempo de conversar com ele. Eu sei que ele tem muito livro bacana. Vou procurar algum para eu ler. Encontrei a Rosinha, ela é ilustradora e agora também está escrevendo. A Rosinha é de Recife e até já deixou comentário aqui no blog. Eu já fui a um lançamento dela aqui em São Paulo, nesse dia ela lançou três livros de literatura de cordel e eu contei aqui. A Rosinha me disse que tem mais três livros novos. Essa Rosinha é danada, como diz minha tia, só lança de três em três! Conheci o Jô Oliveira, ele é ilustrador. A Rosinha e o Jô falaram sobre desenhos e ilustração de livros. Eles disseram que desenham desde criança e nunca pararam, e hoje, desenhar é o trabalho deles. Legal, não é? Encontrei a Socorro Acioli, ela é de Fortaleza e falou de um livro dela, escrito em versos de cordel e que tem uma história bem engraçada. O nome do livro é Inventário de Segredos. A história conta os segredos dos habitantes de uma cidade do interior do Ceará. Tem cada segredo! A Socorro também vai participar do nosso clube de leitura com o livro A Bailarina Fantasma.

Conheci o Luiz Antonio Aguiar. Eu já falei de um livro dele aqui e ele até já deixou comentário no blog. Eu vi o Luiz Antonio falando para os alunos de uma escola. Ele disse que adora ser escritor e que para escrever é preciso ler muito. Ele disse que às vezes demora anos para terminar um livro, “o livro fica cozinhando dentro da gente”, e em outras vezes ele sai rapidinho. Encontrei também a Anna Claudia Ramos. Conheci a Anna Claudia na Bienal e encontrei com ela na FLIP. Eu disse pra ela que queria falar de um livro dela no meu blog e pedi para ela me indicar algum. Ela me deu o primeiro livro que ela escreveu, que se chama Pra onde vão os dias que passam?, e fez uma dedicatória muito bonita. Parece ser uma história bem bacana. Vou ler e depois vou contar aqui. O pessoal da Sintaxe me apresentou para a Nilma Lacerda. Eles disseram que ela tem um livro que conta uma história “emocionante”. Eles falaram que eu tenho que ler esse livro e que eu vou gostar. O nome do livro é Pena de Ganso e eles vão me dar de presente. Oba! Também assisti a uma palestra da Nilma. Ela disse que ler e escrever são atividades solitárias. Ela tem razão! Acho que é por isso que eu sempre falo pro meu amigo Lipe ler o livro que eu estou lendo pra gente fazer a nossa roda de conversa.

Conheci o Caio Riter, ele é de Porto Alegre. Eu já falei de um livro dele aqui e ele também já deixou comentário no blog. Ele disse que os personagens dos livros dele sempre têm que ter algum sofrimento e contou como inventa suas histórias. Uma vez ele ouviu uma frase de um aluno “rebelde”, que disse para os pais que o adotaram: “Eu sou assim, porque vocês mudaram a minha história.” Ele gostou tanto dessa frase, que escreveu um livro a partir dela: O rapaz que não era de Liverpool. Ganhei o livro e peguei um autógrafo dele, vou ler e depois vou contar aqui. Encontrei o Marciano Vasques, ele acompanha o meu blog desde o começo, mas eu ainda não o conhecia pessoalmente. Ele estava lançando um livro de versos bem bacana chamado Algazarra das Letras. As letras dos versos do Marciano mudam de lugar e sai cada coisa engraçada. Ele também escreveu um livro sobre a Tatiana Belinky. Ele conhece a Tatiana e vai me apresentar. Oba! Quero muito conversar com ela. Outro que estava lançando um livro de versos é o Almir Correia. Ele é de Curitiba e veio lançar o Enrola bola, língua e vitrola. O Almir também vai participar do nosso clube de leitura. Vamos ler um livro dele chamado O menino com monstros nos dedos. Ele disse que essa história vai virar animação de cinema. Quando a gente for falar desse livro, vou perguntar mais coisas para o Almir.

Então foi isso… Vi mais gente, os ilustradores Maurício Veneza e Ciça Fittipaldi, os escritores Ilan Brenman e Flávia Côrtes, e muito mais, mas não deu tempo de conversar com todo mundo. Fica pra próxima.

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Lia Zatz no Clube de Leitura

Hoje é um dia muito importante pra mim e para o meu blog. Vou falar do primeiro livro que lemos no clube de leitura e vamos colocar aqui, tudo o que a escola, o pessoal da Sintaxe e eu já fizemos para organizar o nosso clube. Todos sabem do nosso clube de leitura, não sabem? Pra quem não sabe, o Clube de Leitura do Blog do Le-Heitor foi organizado pela EMEF Itaim A e pelo pessoal da Sintaxe, e tem como “sócios” cento e oitenta alunos, do sexto e do sétimo anos dessa escola. Conseguimos o apoio de três editoras (Editora Biruta, Editora DCL e Editora Noovha América) que doaram para a escola dois títulos e dez exemplares de cada título. No total a escola recebeu sessenta exemplares de livros, que os alunos estão lendo em “sistema de revezamento.” Os livros escolhidos foram: A Bailarina Fantasma, de Socorro Acioli; e O Cachecol, de Lia Zatz, ilustrado por Inácio Zatz; da Editora Biruta. Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, recontado por Fernando Nuno e ilustrado por Marcelo Ribeiro; e A Odisseia, de Homero, recontada por Silvana Salerno e ilustrada por Dave Santana e Maurício Paraguassu; da Editora DCL. Bullying – Vamos sair dessa?, de Miriam Portela, ilustrado por Toni D’Agostinho, e O menino com monstros nos dedos, de Almir Correia, ilustrado por Victor Tavares; da Editora Noovha América. Quem quiser saber mais sobre o funcionamento do nosso clube de leitura pode ler em http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=1156.

Hoje vou falar de O Cachecol e vou esperar os comentários dos sócios do nosso clube, os alunos da escola, e quem mais quiser comentar também, é claro. Os alunos vão colocar os comentários durante as aulas. Devem aparecer alguns, ainda hoje e os outros virão nos próximos dias. Depois vamos sortear os brindes, que eu já falei aqui no blog, entre os alunos que comentarem.

O Cachecol

– Viu, Le, gostei desse livro! O que eu achei o maior legal no cachecol foi a avó contar o que aconteceu com elas de um jeito muito diferente da história que a neta contou. Era outra história! Nada a ver.

– É, mesmo, Lipe! Eu também achei maior legal isso. E a avó, tipo tentando adivinhar o que a neta estava sentindo, e a neta tipo achando que a avó estava gostando.

O Lipe é meu amigo, o nome dele é Felipe, ele mora na minha rua e estuda na mesma escola que eu. Ele está no sexto ano e eu estou no sétimo. Nós somos amigos desde criança, antes ele me chamava de Heitor, mas depois que apareceu esse apelido lá na escola, para me zoar, ele começou a me chamar de Le, também, e se acostumou. Eu pedi para o Lipe ler O cachecol pra gente fazer como fizeram os alunos da EMEF Itaim A, que “compartilharam” suas leituras em rodas de conversa. Às vezes eu peço para o Lipe ler os livros que eu leio. No começo ele reclama: – Poxa, Le, já tem tanto livro pra gente ler pra escola, ainda você fica inventando essas coisas. Mas depois de ler, ele gosta e vem correndo, todo animado, querendo fazer a nossa roda de conversa. E depois da conversa, eu sempre descubro muita coisa que eu não tinha percebido, quando li sozinho. E foi o que a gente fez com este livro. Foi muito legal! Agora, depois de ler O cachecol e conversar com o Lipe, eu vou falar um pouco do livro.

O cachecol, escrito por Lia Zatz, ilustrado por Inácio Zatz e publicado pela Editora Biruta faz parte da série de livos ver-a-cidade e conta o mesmo acontecimento em duas histórias. A avó e a neta que moravam em um sítio, mudam para uma cidade grande e essa mudança é contada de dois jeitos: a versão da avó e a versão da neta. O livro tem duas capas, a história da avó fica de um lado e a da neta está na outra capa. A avó começa a história dela assim: “O dia em que eu cheguei na cidade, eu mais minha neta, cruz credo! não gosto nem de lembrar: era tanto carro, tanta construção, tanto barulho, tanta sujeira, tanta gente mal encarada… A menina segurava firme na minha mão, acho que tava morrendo de medo, que nem eu. Se eu pudesse, voltava pro sítio na mesma hora.” E a neta começa sua história desse jeito: “O dia em que eu cheguei na cidade, eu e minha avó, puxa! Eu não sabia nem pra onde olhar: era tanta cor, tanta letra, tanta luz acendendo e apagando, tanta coisa nova, tanta gente bonita… Minha avó virava prum lado, depois pro outro, acho que ela tava boba que nem eu, querendo ver tudo de uma vez. Por mim eu ficava ali só olhando, esquecida da vida.”

A avó vai tricotando um cachecol, observando e descobrindo as coisas da cidade. A neta vai conhecendo pessoas, fazendo amigos e também vai descobrindo a cidade. E o final da história é bem legal! Na roda de conversa que eu fiz com o Lipe, depois de ler o livro, nós ficamos lendo alguns pedaços, vendo as ilustrações e imaginando outros jeitos de contar essa história. Saiu cada coisa engraçada! Estou curioso pra saber como foram as rodas de conversa dos alunos da escola e o que eles acharam do livro.

Lia Zatz é formada em filosofia pela Universidade de Paris e pós-graduada em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Recebeu por duas vezes o Prêmio APCA de melhor autor de literatura infantil, o Prêmio Monteiro Lobato promovido pela Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil (1990), fez parte do White Ravens, Catálogo Oficial da Biblioteca Internacional de Munique e ganhou a Menção no prêmio Espace Enfants (Suíça). Além de O Cachecol, ela publicou pela Editora Biruta, da série ver-a-cidade, os livros Dona Magnólia Roxa – Ser ou Não ser: eis a questão e Tô com Fome . Publicou cinco títulos da série Marrom de Terra: Uana e marrom de terra; Tenka, preta, pretinha; Luanda filha de Iansã; Manu da Noite Enluarada e Papí o construtor de Pipas, e publicou também Era uma vez uma bota, em parceria com Graça Abreu

Inácio Zatz nasceu em São Paulo. Formou-se em Cinema em 1980, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA-USP. Produziu curtas e médias metragens, compôs músicas para cinema e para outros artistas. Foi fundador das Revistas Balão e Boca, de HQ. Premiado várias vezes no Salão de Humor de Piracicaba.

Notícias da minha luta política

Na semana passada eu li no jornal notícias da minha luta política. Na sexta-feira saiu que o juiz concedeu uma liminar suspendendo a venda do quarteirão do meu bairro. O juiz disse que a venda foi “autorizada ilegalmente pela lei municipal” em “flagrante e potencial dano ao patrimônio cultural”. Concordo com esse juiz, só não entendo como a maioria dos vereadores não viu isso quando votou a favor de derrubar a minha biblioteca, um teatro, uma creche, duas escolas, duas unidades de saúde e a Apae para colocar no lugar um prédio de apartamentos. Com essa liminar a minha biblioteca fica protegida, mas por pouco tempo, pois no sábado eu li que o prefeito vai “recorrer sobre a venda do terreno”. Ele disse que “não tem sentido” suspender a venda e o pedido já deve ser apresentado no começo desta semana. A prefeitura não vai desistir da ideia de vender o quarteirão da cultura do meu bairro. Portanto, a nossa luta tem que continuar. Já participei de uma passeata, de uma audiência pública e de algumas reuniões e contei tudo aqui no blog. Vou continuar firme nessa luta, como diz o meu pai, minha primeira luta política.

Saiu na revista

Hoje de manhã o pessoal da Sintaxe me ligou.

– Tá ficando famoso, hem, Heitor!

– Famoso eu?! Por quê?

– Saiu matéria na revista Língua Portuguesa falando do seu blog.

– É mesmo!!!??? Quero ver.

– Vamos mandar a revista pra você. Antes dessa matéria já tinham falado do seu blog a revista Brasil Que Lê, do Galeno Amorim, a Villaggio Panamby, da Luiza Oliva, e também a revista do Conselho Federal de Biblioteconomia, que citou o post que você fez sobre a biblioteca (http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=172), para mostrar a importância do trabalho do bibliotecário. Não é legal?

– Poxa, se é.

– Mas não vai ficar se achando…

– Eu me achando? Sai fora… Mas, pensando bem, é o maior legal ver os outros falando bem da gente. Não é?

– Se liga rapaz.

– Tô ligado!

Ia me esquecendo

Estou tão preocupado com o nosso clube de leitura, que eu ia me esquecendo de contar um passeio que eu fiz na semana passada. O pessoal da Sintaxe me levou numa feira de livros, a FELIT – Feira Literária de São Bernardo do Campo. Essa feira é organizada pela prefeitura de São Bernardo e pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil). Começou no dia 2 de agosto e vai até o dia 14. Vi e conversei com alguns escritores, assisti a umas palestras e ganhei uns livros. Acho que vou mais uma vez nesta semana e depois vou contar tudo aqui.

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Li história legal de um menino chamado Luís

Minhas férias já estão acabando e logo vão começar as aulas. Eu gosto das férias, a gente não tem muito horário pra fazer as coisas, mas tudo bem, eu gosto de ir à escola, também. Mas o que está me deixando mais feliz, mesmo, é voltar às aulas e continuar o meu clube de leitura com os alunos da EMEF Itaim A. Logo eu vou poder escrever sobre o nosso primeiro livro lido e vou esperar o comentário deles. Não vejo a hora disso acontecer! Nesses dias eu ganhei mais brindes para sortear no clube. Com a quantidade de brindes que eu estou ganhando, acho que vai dar para fazer outro clube de leitura.

A Taís da Editora Martin Claret me mandou dois exemplares de um livro com três histórias de uma escritora inglesa muito famosa, a Jane Austen, que nasceu em 1775 e morreu em 1817. Um exemplar ela deu pra mim e o outro é para eu sortear no clube. Ela me disse que essa escritora não escreveu literatura infantojuvenil, mas que os livros dela são muito lidos pelos adolescentes. Vou ler e contar aqui no blog! Acho que eu vou gostar, afinal, já sou quase um adolescente, não sou?

O Carlos José dos Santos que é professor, escritor e poeta também mandou um livro de presente pra mim e seis livros para sortear no clube de leitura. O livro que ele me deu de presente chama-se Pérolas, são poesias sobre essas coisas que a gente fala ou escreve e que são verdadeiras “pérolas”. Eu não sabia disso, meu pai que me explicou. Eu dei uma olhada, tem umas muito legais e outras engraçadas. Vou ler e depois vou contar aqui. Os outros que ele deu para sortear são livros de poesia e de contos.

Outra escritora que me deu um livro de presente foi a Lúcia Winther. Ela escreveu a história de um menino que já estava no quinto ano, mas não sabia ler direito, o livro se chama O menino que não entendia o que lia. Também vou ler e depois vou contar aqui. Também ganhei uma revista em quadrinhos da Petra. Ela sempre coloca comentários aqui no blog e está me ajudando na campanha contra o fechamento da biblioteca. Outro dia eu conheci a Petra pessoalmente, ela me deu uma revista em quadrinhos e disse que vai me mandar mais. Quero ler todas e depois contar aqui.

Quanta coisa está acontecendo. Que bom! Desse jeito, nunca vai faltar assunto para o meu blog. Hoje, por exemplo, eu vou falar de outro livro que eu ganhei, já li e adorei! O livro se chama Olha a cocada, da Eloí Bocheco, com ilustrações de Walther Moreira Santos, publicado pela Editora Movimento. A Eloí acompanha o meu blog, sempre deixa um comentário e diz que gosta muito dele. Ela já escreveu um monte de livros e acaba de lançar esse, que ela me mandou de presente. O livro conta a história de um menino chamado Luís, que mora no Morro da Neblina, na cidade de Florianópolis (SC). O Luís queria estudar na classe da professora Letícia, mas caiu na turma de outra professora. Ele fez de tudo, conversou com a supervisora e conseguiu mudar de sala. Ele gostava da Letícia porque as aulas dela sempre “mudam de jeito”. “Uma hora é pra contar da gente. Outra hora é pra inventar. Tem dias que são para ‘sair de casa’ e visitar coisas que nem museus, planetários, feiras de livros. Tem hora que é pra ouvir. Tem vezes que é pra ler em voz alta pra aprender a ouvir a própria voz.” O Luís achou legal ouvir a própria voz, ele nunca tinha ouvido. Ele achou que a gente aumenta de tamanho quando ouve a própria voz.

É o próprio Luís que conta essa história, que tem outros personagens, o seu irmão mais novo, o Breno e a sua amiga, a Lúti. Eu gostei do jeito dele contar. Sempre que eu leio um livro, eu presto bastante atenção no jeito que a história é contada. Vou lendo, observando, pegando um pouquinho de cada jeito, e descobrindo o meu jeito de contar. Vou colar nesse Luís, eu acho que ele pode me ajudar a contar as minhas histórias. A professora Letícia também fazia mutirão poético, a turma dela ia nas outras salas ler poesia. A Letícia também tinha um balaio cheio de livros no canto da sala. Todos os alunos dela pegavam os livros pra ler nas horas de leitura ou pra levar pra casa. A professora também pedia para os alunos escreverem cartas para os escritores que eles leram. O Luís escreveu uma carta para a Cora Coralina e ele mostra a carta no livro. Uma coisa bem legal que a professora Letícia fez com a turma foi pedir pra eles escreverem um livro chamado O livro da minha vida. Cada aluno ia escrever a sua história. O Luís não sabia por onde começar, ele queria falar do seu pai, mas era uma parte triste e achou que não valia a pena começar o livro com coisa triste. Foi perguntar para professora e ela respondeu com outra pergunta: por que não? E o Luís começou a sua história pelo seu pai. E assim segue o livro da Eloí, com o Luís contando sua história. Tem umas partes tristes e outras engraçadas. É uma história bem legal. Eu gostei muito!

Eloí Bocheco mora na cidade de Bombinhas (SC). Escritora formada em Letras pela Universidade de Passo Fundo (RS) e pós-graduada em Alfabetização e Metodologias de Leitura. Atuou, até a aposentadoria, como professora, em classe, e como responsável pela biblioteca escolar. Escreveu muitos livros e ganhou diversos prêmios. Coordenou, durante dez anos, a pauta do Jornal de Literatura Infantil e Juvenil O Balainho – da Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC. Ela também tem blogs: http://wwwprosaseversos.blogspot.com/ http://wwwsaladeferramentas.blogspot.com/.

“Fica Décio, fica!”

Na sexta-feira passada eu fui à reinauguração do Teatro Décio de Almeida Prado, vizinho da minha biblioteca, a Anne Frank. A prefeitura reabriu o teatro, mas quer derrubar, junto com todo quarteirão. Eu já falei disso aqui no blog. O pessoal do movimento de defesa do quarteirão estava todo lá, estenderam faixas e distribuíram um folheto bem bacana,que eu coloquei aí ao lado. O teatro está lindo! Vocês precisam ver. Teve show da Graziela Medori, ela é filha de uma cantora bem famosa, chamada Cláudia. Ela cantou e defendeu o teatro. “Vamos manter esse espaço, ele é muito bom”. Neste fim de semana tem mais show e eu vou. A cantora Izzy Gordon vai se apresentar na sexta, sábado e domingo, às 19 horas. Eu quero conversar com a Izzy. Ela e o marido dela, o Edu são amigos do meu pai! Meu pai me disse que ela tem um CD com músicas de uma cantora e compositora antiga, que já morreu, chamada Dolores Duran. Ela é sobrinha da Dolores. Neste ano a Izzy lançou outro CD. Não quero perder esse show e também quero continuar a minha luta em defesa do quarteirão e da minha biblioteca. O Teatro Décio de Almeida Prado fica na Rua Cojuba, 45, no Itaim Bibi.

Agenda de eventos

A Regina Marchi colocou um comentário no blog dizendo que no dia 5 de agosto vai acontecer em sua cidade (Potim-SP) o “2º Interagindo com Monteiro Lobato”. Ela disse que esse evento “tem por objetivo discutir com educadores, a questão do pedido de veto a obra de Lobato, bem como oferecer alternativas para o trabalho com estratégias de leitura.” Na primeira edição do evento eles discutiram o livro Caçadas de Pedrinho e nesta edição eles vão falar sobre o Reinações de Narizinho. Quem quiser saber mais: http://letrasdovale.com.br. O comentário da Regina me deu uma ideia: Vou falar com o pessoal da Sintaxe e ver se dá pra gente abrir aqui no blog uma agenda de eventos e quem quiser divulgar o seu evento é só mandar pra cá, que a gente publica.

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Ajuda para minha luta política

Como eu contei no post anterior, na sexta-feira passada eu fui à Biblioteca Anne Frank pra saber das novidades da minha luta política.

– Oi, João Gabriel. Tudo bem?

– Tudo bem. E você, Heitor, como está? Andou sumido.

– Pois é… Antes de começarem as férias eu tive provas na escola e depois que acabaram as aulas, eu fui pra Flip.

– Você foi pra Flip??!! E como foi lá? Você gostou?

– Adorei e já contei tudo lá no blog.

– É mesmo. Vou ler.

– E como estão as coisas por aqui? Li no jornal que o prefeito vai, mesmo, derrubar a biblioteca e também o teatro…

– Foi o que ele disse, mas nós estamos lutando pra isso não acontecer.

– E o que eu posso fazer pra ajudar?

– Você pode divulgar no seu blog, que na próxima sexta-feira, dia 22 de julho, às 19 horas, haverá a reinauguração do teatro que passou por duas reformas. Trocaram todos os telhados, refizeram as saídas de água, também foi refeito todo aterro elétrico, os pararraios, o revestimento interno, a pintura, o revestimento acústico, trocaram todo piso e todas as poltronas. Ele está lindo!

– Você está falando do nosso teatro, o Décio de Almeida Prado, esse que fica aqui no quarteirão e que a prefeitura quer derrubar?

– Sim, esse mesmo.

– Mas quem vai inaugurar?

– A prefeitura.

– Mas como assim? Ela vai inaugurar e quer derrubar.

– Pra você ver, Heitor.

– Não posso faltar nessa! Na sexta eu estarei aqui pra defender o teatro e também a minha biblioteca. Não vamos deixar a prefeitura derrubar.

– Venha, mesmo, você vai ver como o teatro está bonito. Convida os leitores do seu blog pra virem também. Haverá um show da cantora Graziela Medori.

– Sim, claro, vou convidar, mesmo!

Essa foi a conversa que eu tive na sexta-feira passada com o meu amigo João Gabriel, o bibliotecário da Anne Frank. Sempre que eu vou lá, ele me dá ótimas sugestões de leitura. Dessa vez não foi exatamente uma sugestão de leitura, mas eu gostei muito dela. Portanto, estão todos convidados. Quem for de São Paulo ou estiver aqui por perto, venha assistir ao show da Graziela Medori e ajudar a nossa luta pela defesa do teatro, da biblioteca e de todo o quarteirão do meu bairro. Já estão programadas outras apresentações até o final de agosto. O endereço é rua Cojuba, 45 B, ao lado da biblioteca, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Meu pai inventou um nome pra essa festa e eu achei o maior legal: Festejando com o inimigo! Vou lá para festejar com o inimigo a reinauguração do teatro, mas também vou protestar contra a demolição.

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Notícias da Flip

Cheguei de Paraty e já estou com saudades. Tentei mandar notícias de lá, mas não consegui. A gente ficava o dia todo pela rua, assistindo às palestras e participando da festa literária, e só voltava para a pousada à noite. Não deu tempo de escrever nada. Um dia eu tentei e até escrevi o primeiro parágrafo: “Estou aqui em Paraty, na Flip, já assisti a um monte de coisas e também perdi muitas, não dá pra ver tudo, acontecem muitos eventos ao mesmo tempo. Meus pais e os amigos deles, que também estão por aqui, me disseram que antes só tinham os eventos da Flip, mas hoje tem também a Flipinha, para as crianças; a Flipzona, para os adolescentes; os eventos na Casa de Cultura, na Casa do Sesc, as atividades na rua, eventos de um jornal… é legal, mas às vezes eu fico um pouco perdido e não sei o que assistir, se fico com os meus pais e os amigos deles e assisto aos eventos da Flip ou se atravesso a ponte e vou para a Flipzona.” Só escrevi isso, quando eu comecei a tentar explicar que a Flip ficava de um lado do rio e os outros eventos, do outro lado e por isso eu tinha que atravessar a ponte, me deu um sono tão grande, que eu não consegui continuar e minha mãe me disse: – Vai dormir, Heitor, amanhã temos que acordar cedo.

Assim que chegamos em Paraty, deixamos a bagagem na pousada e fomos assistir a abertura, em que o professor Antônio Cândido falou sobre o homenageado deste ano. Todo ano na Flip eles fazem homenagem a algum escritor e neste fizeram homenagem ao Oswald de Andrade, que fez parte do Movimento Modernista e participou da Semana de Arte Moderna, que aconteceu em São Paulo, em 1922. O Antônio Cândido conheceu o Oswald de Andrade e conviveu com ele. Eu ainda não li nada do Oswald, mas quando eu ler, acho que vou me lembrar de tudo que foi dito lá e a minha leitura vai ficar mais legal.

Também assisti a outra mesa sobre o Oswald de Andrade, com a Marcia Camargos e o Gonzalo Aguilar. A Marcia é brasileira, jornalista, historiadora e escritora, estudou e escreveu livros sobre o Oswald e os modernistas, e também escreveu a biografia do Monteiro Lobato. Vou ver se eu consigo falar com a Marcia sobre o Monteiro Lobato! O Gonzalo é argentino. Ele estudou literatura brasileira e é especialista em Oswald de Andrade.

Sobre o homenageado também vi a mesa de encerramento da Flipinha, o “mesão” que foi coordenado pela Anna Claudia Ramos e juntou um monte de escritores e ilustradores de literatura infantojuvenil para falar do Oswald de Andrade. Eu encontrei a Anna Claudia nas ruas de Paraty, fui conversar com ela e disse que ia assistir ao mesão. Eu conheci a Anna Claudia no ano passado, na Bienal do Livro. Estavam nessa mesa, além da Anna Claudia; a Heloísa Prieto, que disse que o Oswald era como um menino rebelde, que às vezes faz birra; o Daniel Munduruku, que disse que o Oswald falava que o índio devia estar na literatura brasileira e hoje o índio faz literatura – Daniel é escritor e índio; a Lúcia Hiratsuka, que é escritora e ilustradora e leu um poema do Oswald; a Suppa, que é ilustradora e morou na França; o André Diniz, que é desenhista e roteirista e faz histórias em quadrinhos; a Ciça Fittipaldi, que é ilustradora e disse que a “crítica na obra de Oswald às vezes é maldosa, mas sempre tem humor”; a Flávia Lins e Silva, que estava lançando o livro Mururu no Amazonas; a Bia Hetzel, que é escritora e editora e leu um poema bem engraçado do Oswald, chamado “Erro de português”; o Mauricio Veneza, que é ilustrador e escritor e falou sobre o humor de Oswald; e o Ilan Brenman, que é escritor e disse que as crianças devem falar sem se preocupar com que os adultos vão pensar, devem ser “transgressoras”, como o Oswald.

Uma mesa que fez muito sucesso por lá e eu também assisti foi a que juntou a “musa da Flip” a escritora argentina Pola Oloixarac, – ela é muito bonita e é uma grande escritora, também – e o “queridinho da Flip”, o escritor português nascido em Angola, valter hugo mãe – assim mesmo, tudo com minúscula, como ele escreve o nome dele e o livro também. Eu dei uma olhada no livro dele, é tudo escrito com minúsculas. O mãe disse que escrever faz muito bem para ele, mesmo quando ele escreve histórias tristes e que “os livros são máquinas de criar sentimentos.” No final o moderador perguntou aos dois sobre a relação deles com o Brasil. A Pola disse que achava o Brasil um lugar de pessoas felizes e o mãe leu um texto que ele escreveu sobre sua relação com o Brasil, desde a sua infância e emocionou toda a plateia, que no final o aplaudiu de pé e assim ele virou o “queridinho da Flip”.

Outra mesa legal que eu assisti foi a do escritor francês Emmanuel Carrère com o escritor húngaro, Péter Esterházy, chamada “Laços de família”. O Carrère disse que quando escreve e inventa histórias de ficção a partir do real e das coisas que acontecem, o real cria coisas muito mais fortes que alteram a ficção e a história que ele está escrevendo. Não é bacana isso? O Péter disse que geralmente escreve na primeira pessoa, mas jamais pensa que é uma autobiografia. Ele disse que os escritores não são muito amigos uns dos outros, por ciúmes ou raiva, mas que os livros desses escritores conversam entre si. Achei legal isso, fiquei pensando e descobri que os livros conversam, mesmo. O Péter também falou que antes ele era conhecido como o irmão de um jogador de futebol famoso, que jogou na seleção húngara. Ele disse que em 1985 o Brasil foi jogar em Budapeste e perdeu para a Hungria por 2 a 0 e o irmão dele fez um gol no Brasil.

Assisti a uma mesa com o Ignácio Loyola Brandão. É legal ouvir o Loyola falar! No ano passado eu assisti a uma palestra dele na Bienal do Livro. Na Flip ele contou sobre um livro que está acabando de escrever e vai lançar e que me deu vontade de ler. Um livro que ele disse que escreveu para pedir desculpas ao seu avô, que já morreu há muito tempo. Ele roubou e perdeu umas bolinhas de gude, que o avô guardava dentro de uma caixa de madeira e que eram muito importantes para ele. Essas bolinhas tinham sido os olhos dos cavalos de um carousel, que o avô tinha construído e que foi destruído num incêndio. Só sobraram as bolinhas. Elas sumiram, o avô sentiu a falta, parece que até ficou doente por isso, mas o Loyola nunca disse para o avô que ele tinha roubado as bolinhas. Muitos anos depois ele escreve um livro para contar e pedir desculpas ao avô. Não dá vontade de ler esse livro?

Assisti a uma mesa diferente, com dois escritores colombianos, o Héctor Abad e a Laura Restrepo, que se chamava “Em nome do pai”. Os dois escritores estavam lançando livros que falam de pais. O livro do Abad fala de seu pai, médico colombiano, que foi assassinado por paramilitares em 1987; e o da Laura, fala do pai de seu filho, o seu marido, militante comunista argentino que a abandonou grávida para entrar na luta política. Essa mesa foi diferente, pois o Abad começou dizendo que já estava cheio de falar do seu livro, fez muitos lançamentos, palestras, deu entrevistas e já não aguentava mais, daí ele falou do livro da Laura. Depois a Laura falou do livro do Abad. Achei muito bacana isso. Só ouvir escritores falando de si, às vezes cansa!

Também teve uma mesa com dois jornalistas que editam revistas literárias, chamada “No calor da hora”. O mexicano Enrique Krauze é editor da revista Letras Libres e estava lançando o livro Redentores; e o americano John Freeman, editor da revista Granta, que já tem versão em português e na próxima Flip vai lançar uma edição especial com jovens escritores brasileiros.

Assisti a mesa do David Byrne, que estava lançando o livro Diários de bicicleta. Ele anda de bike desde a década de 1980, conheceu muitas cidades pedalando e falou de urbanismo com o Eduardo Vasconcelos, sociólogo e engenheiro, autor de Transporte e meio ambiente, entre outros livros sobre o assunto. Não vi o Joe Sacco, o famoso quadrinista que faz reportagens com histórias em quadrinhos. Deixei para assistir a mesa dele na Flipzona, mas havia só oitenta lugares e eu não consegui pegar a senha. Também não vi o João Ubaldo Ribeiro. Já li um livro dele e contei aqui no blog. Na hora dessa mesa eu fui assistir ao mesão na Flipinha. Por falar em Flipinha, ela estava bem legal! Tinha uma biblioteca, exposição de trabalhos sobre o Oswald de Andrade com alunos das escolas de Paraty, contação de histórias, teatro, e uns pés de livros. Um monte de livros pendurados nas árvores da praça, que pareciam frutas. A gente podia pegar, ler e depois deixar lá. Embaixo dessas árvores ficavam uns monitores lendo para qualquer criança que quisesse ouvir histórias. Gostei muito da Flip e de Paraty, a cidade estava cheia de gente, escritores, leitores, todo mundo andando pelas ruas, conversando e se divertindo.

Ah, também assisti a um teatro que circulou pelas ruas da cidade apresentando o Dom Quixote de La Mancha. Foi o maior barato, o Dom Quixote e o Sancho Pança que estavam em Paraty eram muito engraçados! Vi muito mais coisas, mas vou parar por aqui, senão este post vai ficar muito grande. No final de tudo teve uma apresentação teatral do José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina chamada “Macumba antropófaga”, mas eu não pude assistir, era proibido para menores de dezoito anos. Meus pais e os amigos deles assistiram e me disseram que os atores ficaram pelados e que algumas pessoas do público também tiraram a roupa. Que final maluco! Pena que eu não pude ver.

Notícias da minha biblioteca

Tinha um jornal de São Paulo distribuído, de graça, lá na Flip. No sábado eu peguei um exemplar e sentei pra ler. Justamente nesse dia saiu mais uma daquelas notícias sobre a minha biblioteca: “Prefeito diz agora que tirará biblioteca e teatro do Itaim”. “Ao contrário da promessa original do prefeito, a biblioteca Anne Frank e o teatro Décio de Almeida Prado, não ficarão no terreno do Itaim Bibi. O secretário da cultura disse que o acervo da biblioteca será distribuído”. Eles querem mesmo derrubar a minha biblioteca e desmanchar o acervo organizado em sessenta e cinco anos. Temos que lutar para isso não acontecer. Nesta sexta-feira eu vou à biblioteca. Quero conversar com o meu amigo João Gabriel, o bibliotecário da Anne Frank, e saber o que eu posso fazer para ajudar.

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Primeira derrota da minha luta política

Hoje eu li uma notícia no jornal que me deixou muito triste: “Câmara libera venda de terreno no Itaim”. Eu já falei muito aqui no blog da minha primeira luta política, a luta em defesa da minha biblioteca. Participei de passeata, fui a algumas reuniões e a uma audiência pública na Câmara Municipal. A prefeitura quer vender um terreno onde ficam a minha biblioteca, um teatro, duas escolas, uma creche, duas unidades de saúde e uma unidade da Apae. Quem quiser saber mais, pode procurar aqui no blog, eu contei tudo em alguns posts anteriores. Pois é, a Prefeitura enviou o seu projeto e ontem teve a votação na Câmara. Eu não estava lá, fiquei triste e frustrado. Triste pelo resultado e frustrado por não ter participado desse dia tão importante na história da luta contra o fechamento da minha biblioteca e da venda do quarteirão do meu bairro.

Em abril a gente teve uma vitória, quando foi aberto o processo de tombamento do quarteirão. O Condephaat, que quer dizer Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado começou a analisar o tombamento do lugar e se ele for aprovado, o terreno e todos os serviços serão considerados patrimônio histórico e cultural e assim a minha biblioteca estará salva. Pelo menos foi o que eu entendi. Enquanto esse processo está sendo analisado, a prefeitura não pode mexer no terreno, mas mesmo assim ela continuou com a sua intenção de vender para derrubar tudo e construir um prédio. Ontem ela levou o seu projeto para a avaliação dos vereadores na Câmara Municipal e o resultado me deixou muito triste.

Dezesseis vereadores ficaram do nosso lado e votaram contra a prefeitura e trinta e cinco votaram a favor dela. Esses vereadores também querem derrubar a minha biblioteca e todos os serviços públicos do meu bairro e construir um prédio de apartamentos no lugar. A prefeitura disse que a empresa que ficar com o terreno vai construir duzentas creches na cidade. Isso é bom, a cidade de São Paulo precisa de creches, mas deve ter outro jeito de construir essas creches sem precisar derrubar a minha biblioteca. O que é que tem a ver uma coisa com a outra? Assim como diz um amigo meu lá da escola: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Esse meu amigo é o Felipe, o Lipe, ele é uma figura.

O jornalista que fez a matéria entrevistou o José Eduardo Contreiras. Eu conheço o José Eduardo, ele é amigo do meu pai, eles estudaram juntos no colégio aqui do bairro. Eu o conheci no dia que eu fui com o meu pai na audiência pública na Câmara. Peguei o número do telefone e liguei para ele. Eu queria saber tudo que aconteceu lá e porque não me avisaram que a votação era ontem. Eu ia pedir para o meu pai me levar. O José Eduardo atendeu, disse que também estava triste e que tinha sentido a minha falta lá na Câmara.

– Você iria aprender muita coisa, Heitor, com tudo que aconteceu lá, ontem. Ele me disse que a aprovação da venda não é o fim da batalha, e que “nós devemos continuar lutando.” Eu disse que queria ajudar e que ele poderia contar comigo e que eu ia contar tudo, hoje mesmo, aqui no blog. Ele disse que nós devemos “promover atos públicos, ações na justiça, denúncias no Ministério Público e mobilizar o restante da comunidade.” Ele disse que está criando uma “rede de informações” com outros movimentos da cidade, pois estão acontecendo outros casos como esse, do nosso quarteirão. No final ele me deu alguns conselhos.

– Você ainda é novo, Heitor, mas eu gostaria que você estivesse lá, para prestar atenção em alguns vereadores e quando você começasse a votar, escolhesse direitinho aquele que, de verdade, irá representá-lo.

E antes de desligar o telefone ele disse mais.

– Eu quero que você perceba a importância de tudo que está acontecendo. A sua participação nessa luta em defesa da biblioteca e do quarteirão do bairro é muito importante. Você está tendo uma verdadeira aula de cidadania e quero ver você na próxima aula.
Estou adorando essa aula e prometo que não vou faltar na próxima.

Amanhã vou pra Flip em Paraty e quero mandar notícias de lá.

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Li história de mudança na vida de menino

Nesta semana o pessoal da Sintaxe me ligou.

– Tudo bem, Heitor?

– Tudo. E vocês?

– Também estamos bem, obrigado. Liguei para pedir que você tenha um pouco de paciência com o clube de leitura.

– Teve algum problema?

– Não exatamente. Falamos com a professora Rose e ela pediu para você esperar mais um pouco para publicar o primeiro post do clube. Os alunos já leram o livro e fizeram as rodas de conversa, mas nesta semana eles estão em provas. É a última semana antes do recesso e não vão ter tempo de colocar os comentários. Ela pediu para você publicar quando voltarem às aulas, depois do recesso. Tudo bem?

– Tudo.

– A professora disse que vai colocar um comentário no blog, explicando tudo direitinho pra você. Tudo bem, mesmo, Heitor?

– Sim. Às vezes eu fico um pouco ansioso. Acho esse nosso clube de leitura o maior legal e queria colocar logo o post para receber os comentários dos alunos da EMEF Itaim A. Não vejo a hora disso acontecer. Mas eu sei que é difícil organizar a leitura de cento e oitenta alunos. A professora Rose está tendo muito trabalho!

– Para lhe consolar, vamos lhe mandar um livro de presente. Se você gostar, pode comentar no blog.

– Oba!!! Qual é o livro?

– O livro é o Pra voar mais alto, da Flávia Côrtes, com ilustrações da Camila Matos. Esse livro tem um projeto gráfico muito bonito e conta uma história bem legal. Acabou de sair pela Editora Biruta. Acho que você vai gostar.

– Legal. Obrigado!

Eu li e gostei muito! Pra voar mais alto conta a história do Quequé, um menino de onze anos, que perdeu o pai e não queria de jeito nenhum aceitar um novo homem na sua casa, o namorado da mãe. Foi uma grande mudança que aconteceu na vida do menino, ele teve que enfrentar a morte do pai e a chegada do padrasto. A história começa com o menino durante uma aula de matemática, refletindo sobre a palavra saudade. Quequé vive sonhando, imaginando e viajando, e sempre que isso acontece o livro apresenta umas páginas com as letras grandes e bem coloridas. A gente logo vê que aquilo é uma viagem do Quequé. Na história, a mãe tenta aproximar o filho do seu namorado, inventa passeios, brincadeiras, jogo de ludo, almoço fora, sorvete, viagem de férias com os três, faz de tudo, mas o menino resiste e não quer aceitar que outro homem ocupe o lugar que era do seu pai. Lendo o livro, em algumas partes, me senti como o Quequé, e tive saudades. Não sei exatamente do quê, mas tive muitas saudades. No texto de apresentação do livro diz que “esta obra agrada tanto crianças, que se identificam com a personagem, quanto adultos, que podem apreciar a narrativa familiar, de tema tão delicado, tecida com inteligência e sensibilidade pela autora, Flavia Côrtes.” Então taí, uma dica para crianças e gente grande!

Flávia Côrtes é carioca e vive no Rio de Janeiro, com marido e duas filhas. Formou-se em Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também se especializou em Literatura Infantil e Juvenil. É tradutora e escreve livros para crianças e jovens. Apaixonada pelos livros, aprendeu a ler muito cedo. Aos seis anos começou a escrever e não pretende parar tão cedo.

Camila Matos mora no interior do Espírito Santo, em Cachoeiro de Itapemirim. Sempre gostou de desenhos animados e todo tipo de obra de humor gráfico (charge, caricatura). Até os dezessete anos queria de ser médica, quando descobriu o curso de Design Gráfico, e se formou em 2007. Começou a trabalhar com ilustrações de livros recentemente, e não pretende mais parar.

Primeiro aniversário e Flip

Na semana passada o Blog do Le-Heitor completou um ano de vida. Nesse tempo conheci um monte de escritores, li bastante livros e contei muitas histórias. O reloginho contador dele, lá embaixo, no pé da página, já está marcando mais de doze mil páginas visitadas. São mais de mil páginas por mês! Nesse período, recebi mais de duzentos comentários no blog e um monte de e-mails. Já me disseram que esses números são muito bons. Fiz alguns amigos e tem muita gente me ajudando a divulgar. Ganhei livros de escritores e de editoras. Estamos fazendo o clube de leitura com o apoio de três editoras e soube também que o blog até já virou trabalho em sala de aula. Estou muito feliz! Vou continuar escrevendo e divulgando.
Na próxima quarta-feira vou para a Flip com os meus pais. A Flip é uma festa literária que acontece todo ano na cidade de Paraty. Meus pais já foram lá, mas eu nunca fui. Vou pela primeira vez! Já contei isso aqui no blog. Quero assistir às palestras, conversar com os escritores, ver e fazer um monte de coisa, e depois contar tudo aqui. Aguardem!

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Ganhei brindes para o Clube de Leitura

Nesta semana eu recebi um e-mail da professora Rose. Ela é a orientadora da sala de leitura da escola que está participando e me ajudando a organizar o nosso Clube de Leitura.

“Oi, Heitor. Tudo bem? Gostaria de lhe dizer que as crianças estão terminando a leitura e a troca tem sido bem tranquila. Eles estão muito animados e em breve te avisarei que já pode postar.”

Eu já contei aqui que os alunos estão se revezando na leitura e se reunindo em “rodas de conversa”, para falar dos livros lidos. Eu respondi o e-mail da professora:

“Oi, professora. Que bom que os alunos estão animados, pois eu também estou SUPERANIMADO e não vejo a hora de postar o comentário do primeiro livro pra gente começar a trocar as nossas leituras.”

A professora também falou que está fotografando as rodas de conversa com os alunos e vai pegar as autorizações para eu poder publicar as fotos no blog. E eu disse para a professora contar para os alunos que os brindes já chegaram. Eu já falei aqui no blog que queria sortear alguns brindes entre os alunos que comentarem – os sócios do nosso clube de leitura – e já apareceram algumas doações.

O pessoal da Sintaxe conversou com a Faber-Castell e eles doaram três kits com material escolar. Os kits têm doze canetas hidrográficas coloridas, vinte e quatro lápis de cor aquareláveis, oito gizes de cera coloridos com apontador, uma lapiseira com uma caixinha de grafites, seis canetas esferográficas coloridas, um apontador de lápis e uma borracha colorida. Adorei os kits, eles são muito bonitos!

A Rosana Rios, uma escritora que eu já li um livro dela e contei aqui no blog (http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=150), me mandou um e-mail oferecendo uns livros para sortear, claro que eu aceitei e os livros já chegaram. Já li um e vou contar neste post.

A Eliana Sá, dona da Sá Editora, que eu conheci na Bienal lançando um livro infantil e já contei aqui no blog (http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=308), também mandou um e-mail oferecendo três exemplares do livro dela para sortear. Já recebi os exemplares, li o livro e vou contar as histórias dele aqui neste post.

Esse nosso Clube de Leitura está ficando cada vez mais bacana. Vou sorteando esses e quem sabe aparecem mais brindes. Tomara!

O livro da Eliana Sá se chama Um ônibus pra lua, tem ilustrações da Nireuda Longobardi e foi publicado pela Sá Editora. Ela conta diversas histórias em textos com rimas. Eu gosto de histórias contadas com rimas, sempre que pego um livro assim, leio em voz alta. Gosto de ouvir o som das palavras rimando, se encaixando e contando uma história. Parece música! Deve dar muito trabalho escrever com rimas. A primeira história deste livro conta a viagem da família Coelho. O Zé Coelho conversou com a dona Coelha e foi comprar as passagens do avião. Cada filho do casal tinha um desconto. Mas, como o dia da partida ia demorar, e sabendo com são os coelhos, imaginem só o que aconteceu…  Tem outra história que fala dos tipos de casa. “Se casa de índio é oca / e de passarinho é ninho, / a do tatu é toca. / Abelha mora em colméia, / formiga no formigueiro. / Ostra na sua concha / e galinha no galinheiro. Tem muitas outras histórias bacanas neste livro, a última, Um ônibus pra lua, tem o nome do livro e fala de um ônibus que saía “No domingo de manhã, / bem ali detrás da praça, / ia o ônibus pra lua, / e a viagem era de graça.” Apareceu tanta gente para viajar nesse ônibus e “O sucesso foi tão grande / que está linha continua. / Pode ser até que o ônibus / passe aí na sua rua!”

Eliana Sá é jornalista e editora de livros. Começou trabalhando com a Ruth Rocha na revista Recreio. Foi uma das criadoras da revista Crics. Editou centenas de livros em mais de 25 anos de carreira. Como autora de livros infantojuvenis, já publicou Dona Galinha e o ovo de Páscoa, Meu primeiro livro de poesias e Um amigo na caverna.

A Rosana Rios deu alguns livros para sortear, o que eu li e vou falar hoje é o Chiclete grudado embaixo da mesa, que foi ilustrado pelo Wagner Willian e publicado pela editora Frase&Efeito. Depois eu falo dos outros. A história deste livro começa com um menino falando da sua raiva. Ele dizia que quando estava com raiva, sentia uma quentura no rosto e tinha vontade de deixar os outros com raiva também. E, de repente saia fazendo a primeira maluquice que dava na cabeça. Limpar a mão melada de chocolate na parede, subir no sofá com os tênis sujos de terra, jogar o caderno da irmã dentro do tanque. Quem não teve vontade de fazer coisas deste tipo, quando estava com raiva, hem? Depois ele diz que começa a pensar em outra coisa, a raiva passa – e fica só a aprontação. Eu também já senti raiva e aprontei algumas coisas assim. Depois ele disse que um dia teve tanta raiva, isso faz muito tempo, mas era tanta raiva, mesmo, que ele pegou a bolota do chiclete que estava mastigando – ainda com um restinho de gosto de hortelã – e esmagou na parte de baixo da mesa. E o chiclete ficou lá, olhando para ele. Só o menino sabia que havia uma bolota de chiclete debaixo da mesa. A mãe fazia faxina na casa, mas não encontrava a bolota. O chiclete grudado embaixo da mesa passou a ser o seu segredo. Na casa todos tinham segredos, a irmã mais velha guardava os seus trancados com chaves. Agora ele tinha o seu, que vai acompanhar o menino até o final da história que acaba de um jeito muito bonito.

Rosana Rios é formada em Educação Artística e Artes Plásticas. Além de escritora, também é ilustradora, trabalha com arte-educação e escreve peças de teatro. Quando pequena, adorava ler, mas nunca imaginou que se tornaria uma escritora. Foi roteirista do programa Bambalalão, da TV Cultura de São Paulo, começou a publicar em 1988, já fez mais de cem livros e muitos deles foram premiados.

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Li um livro do Paul Auster

– Vou à livraria. Quer ir comigo, Heitor?

Meu pai sabe que esse tipo de convite eu sempre aceito.

– Claro que eu quero, pai. Vambora!

No caminho fomos conversando e ele me perguntou um monte de coisas e quis saber do blog.

– E o clube de leitura, vai sair, mesmo?

– Oh se vai. Eu já li o primeiro livro. Só estou esperando o pessoal da Sintaxe me avisar quando eu posso colocar o post. Assim que os alunos da escola terminarem de ler eu publico. Eles estão se revezando na leitura.

– E quando eles vão terminar?

– Até o final da semana. Eles também vão fazer rodas de leitura e conversar sobre o livro.

– E até lá você não vai escrever nada no blog?

– Então, eu vou dar uma olhada na livraria… Se eu encontrar um livro legal, você compra pra mim.

– Tudo bem, eu compro. Você merece!

– OBA!!!

– E os brindes para sortear, eles conseguiram?

– O pessoal me disse que uma empresa de material escolar já deu três kits e que duas escritoras prometeram dar uns livros para sortear. Depois eles vão me passar o nome da empresa e das escritoras para eu colocar no blog.

– Que bom! Está dando tudo certo, não é mesmo, Heitor?

– Se tá!

Chegamos na livraria, meu pai foi para a seção dele e eu fui para a seção dos juvenis. Comecei a fuçar nas estantes e vi um livro de um autor que eu já tinha ouvido falar. Peguei o livro, dei uma folheada e corri para falar com o meu pai.

– Pai, esse não é aquele escritor que você gosta e viu na Flip?

– Sim, é o Paul Auster.

– E ele escreve livro juvenil? Eu peguei lá na estante dos juvenis…

– Deixa-me ver. Contos de Natal de Auggie Wren. Eu não conhecia… Capa dura, tem ilustrações… É, parece juvenil. Vamos perguntar para a vendedora.

Voltamos para a seção dos juvenis e eu perguntei pra moça.

– Esse livro é juvenil?

– Sim, ele está classificado como juvenil. É um conto de Natal do Paul Auster, uma história muito bonita. É para você?

– É.

– Quantos anos você tem?

– Doze.

– Pode levar. Você vai gostar.

Contos de Natal de Auggie Wren, escrito por Paul Auster, com ilustrações de Isol e publicado pela editora Companhia das Letras, conta uma história bem legal. O jornal The New York Times convidou o Paul Auster para escrever um conto para ser publicado no dia de Natal. Ele pensou em dizer não, mas a pessoa insistiu tanto, que no final da conversa ele disse que ia tentar e logo depois entrou em pânico. “O que eu sei de conto de Natal? O que eu sei sobre escrever contos por encomenda?” Ele tinha medo que o seu conto ficasse muito sentimental, mentiroso e cheio de “bobagens melosas”. Ele não queria escrever uma coisa assim e foi salvo pelo seu amigo Auggie Wren, que trabalhava numa tabacaria aonde o Paul Auster ia com frequência. “Um conto de Natal?” Disse o amigo a ele. “É só isso? Se me pagar um almoço, vou contar para você a melhor história de Natal que já ouviu. E garanto que cada palavra dessa história é pura verdade.” Foi o amigo que contou a história que ele conta neste livro.

A história começa mais ou menos assim. Era o verão de 1972 e um rapaz apareceu e começou a roubar as coisas da loja onde o amigo de Paul Auster trabalhava. O rapaz estava na frente da estante de livros enchendo os bolsos de sua capa de chuva. Quando Auggie percebeu o que o rapaz estava fazendo, ele gritou, o rapaz pulou e saiu correndo pela avenida. Ele ainda correu atrás por meio quarteirão, mas depois desistiu. Quando voltou à loja viu que o rapaz havia perdido sua carteira. Não tinha dinheiro, mas tinha sua carteira de motorista e quatro fotografias. Ele podia ter chamado a polícia e mandado prender o rapaz, pois na carteira de motorista tinha o seu nome, Robert Goodwin e o endereço. Mas ele ficou com um pouco de pena do rapaz. “Não passava de um vagabundo de rua.” Numa das fotos da carteira ele estava de pé, com os braços por cima da mãe ou da avó em outra com nove ou dez anos de uniforme de beisebol. Ele ficou comovido. “Um garoto pobre do Brooklyn que vivia comendo o pão que o diabo amassou, e afinal por que dar tanta importância assim a dois ou três livros de bolso à toa?”

Então Auggie ficou com a carteira e de vez em quando vinha o impulso de devolver a carteira para o rapaz, mas ele vivia adiando e nunca fazia nada. Aí veio o Natal e ele não tinha nada para fazer. Estava de manhã em casa, sozinho e sentindo um pouco de pena dele mesmo. Viu a carteira de Robert Goodwin em cima de uma prateleira na cozinha e pensou: “Que diabo, por que não fazer uma coisa boa só para variar.” Daí ele vestiu o casaco e saiu pessoalmente para devolver a carteira. Agora, o que acontece depois eu não vou contar. Não quero estragar a surpresa de quem ainda não leu este livro. Só posso adiantar um trecho, quase no final do livro, em que o Paul Auster começa a desconfiar que o amigo inventou essa história, mas ele sabia que se o amigo tivesse inventado, mesmo, nunca iria confessar. E então ele concluiu: “Enquanto houver uma pessoa que acredite, não existe história que não possa ser verdadeira”.

Paul Auster nasceu em 1947, em Newark, Nova Jersey, nos Estados Unidos. Estudou literatura francesa, inglesa e italiana na Universidade de Colúmbia, em Nova York. Viveu em Paris de 1971 a 1975. Voltou para Nova York e se mudou em 1980 para o bairro do Brooklyn, onde vive e trabalha até hoje. Poeta, romancista, roteirista de cinema, tradutor, e crítico de cinema e literatura, tem diversos livros publicados.

Isol nasceu em 1972, em Buenos Aires, a capital da Argentina. É ilustradora e autora de livros para crianças, e recebeu muitos prêmios. Em 2006 e 2007, foi finalista do prêmio de literatura infantojuvenil Hans Christian Andersen, um dos mais importantes do mundo.

Vamos à Flip

Eu já falei aqui um pouco da Flip. A Flip é uma festa literária que acontece todo ano na cidade de Paraty. Vai um monte de escritores famosos, brasileiros e estrangeiros. Meus pais já foram lá e neste ano vão de novo. E eu vou também!!! Será no mês que vem, de 6 a 10 de julho. Os amigos dos meus pais, com quem brincamos de FLIP nas férias e eu contei aqui no blog (http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=674), também vão. Eu vi a programação na internet, além da Flip, também tem a Flipinha e a Flipzona de literatura infantil e juvenil. Alguns escritores que eu conheci na Bienal estarão lá. Quero conversar com eles e contar aqui no blog..

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Ganhamos um Clube de Leitura

Ontem eu mandei um e-mail para o pessoal da Sintaxe:

“E aí, pessoal. Tudo bem? E aquele projeto com a escola, sai ou não sai?”

E eles responderam:

“Só falta conseguir os brindes para sortear, mas podemos fazer isso durante o projeto. Está liberado, Heitor! Você já pode anunciar!!!”

“OBA!!!!” (eu respondi). “Esse blog só me dá alegria! Obrigado. Vou contar agora, mesmo.”

Já falei um pouco desse projeto em uns posts anteriores, mas ainda não podia dar todos os detalhes. Estou tão animado com ele e estava louco pra contar aqui no blog. Finalmente ficou tudo certo e o nosso projeto vai sair. Foi uma ideia sensacional da escola e do pessoal da Sintaxe e hoje eu tenho a honra de abrir e apresentar para vocês O CLUBE DE LEITURA DO BLOG DO LE-HEITOR!

A ideia desse projeto começou com uma conversa por e-mail, no final do ano passado, entre o pessoal da Sintaxe e a professora da Sala de Leitura da Escola Municipal de Ensino Fundamental Itaim A, do bairro do Itaim Paulista, em São Paulo. Ela disse que gostou muito do blog, que na sala dela tem alunos assim como eu, apaixonados por livro, e que ela queria fazer algum trabalho em parceria, mas não sabia exatamente o que era. O pessoal da Sintaxe sugeriu fazer uma reunião com a professora na escola, que aconteceu no início das aulas deste ano. Foi nessa reunião que, depois de muitos palpites, apareceu a ideia do Clube de Leitura.

A professora ficou encarregada de separar as turmas que iriam participar e definir as “esferas literárias”, que são os tipos de livros que eles iam escolher para as leituras. (Eu sei isso, porque eles me explicaram tudo direitinho.) A Sintaxe ficou encarregada de buscar apoio de algumas editoras, para doar os exemplares dos livros que seriam distribuídos e lidos pelos alunos. Depois de tudo definido, os títulos dos livros, as turmas que iam participar, as editoras que iam apoiar… eles fizeram mais uma reunião com a diretora da escola, o professor de informática, e a professora da Sala de Leitura e fecharam todos os detalhes.

Participam deste Clube de Leitura cento e oitenta alunos, do sexto e do sétimo anos, divididos em seis grupos, e que vão ler seis títulos de livros. Cada grupo vai ler um título. Conseguimos o apoio de três editoras (Editora Biruta, Editora DCL e Editora Noovha América) que já doaram para a escola dois títulos e dez exemplares de cada título, totalizando sessenta exemplares de livros. Fazendo as contas, cada exemplar vai ser lido por três alunos em “sistema de revezamento.” Os livros escolhidos foram: A Bailarina Fantasma, de Socorro Acioli; e O Cachecol, de Lia Zatz, ilustrado por Inácio Zatz; da Editora Biruta. Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, recontado por Fernando Nuno e ilustrado por Marcelo Ribeiro; e A Odisseia, de Homero, recontada por Silvana Salerno e ilustrada por Dave Santana e Maurício Paraguassu; da Editora DCL. Bullying – Vamos sair dessa?, de Miriam Portela, ilustrado por Toni D’Agostinho, e O menino com monstros nos dedos, de Almir Correia, ilustrado por Victor Tavares; da Editora Noovha América.

Vamos começar pelo O Cachecol, que é uma história bem bacana da Lia Zatz. Eu também ganhei um exemplar e já li, mas não vou falar dele agora, vou falar depois, em um post especial sobre este livro. O Clube de Leitura do blog do Le-Heitor vai funcionar assim: Eu vou falar do livro no post e os trinta alunos que leram esse livro vão colocar os seus comentários, durante a aula de informática e com a orientação do professor, e assim nós vamos compartilhar a nossa leitura. Se alguém, além dos alunos da escola, quiser comentar, claro que também pode, o meu blog é aberto e democrático. No final de cada sessão do clube, nós vamos sortear um brinde entre os alunos que comentarem e participarem, mas, o sorteio será só entre os alunos da escola. Isso se o pessoal da Sintaxe conseguir a doação dos brindes. Tomara! Vamos torcer.

Meu blog em sala de aula

A Maria Eduarda, a Regine e a Rayssa e acho que a Geovanna também fizeram um trabalho de escola com o meu blog. A professora Elizabeth, de Português pediu pra turma “navegar” no blog e responder umas perguntas. Fiquei sabendo disso pelos comentários que elas deixaram aqui. Estou tão feliz! E curioso, também. Meu blog sendo usado em sala de aula! E mais esse clube de leitura que inauguramos hoje. Isso é D+!!!

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