Fui ao Jabuti e ao Condephaat e fiz a minha primeira panfletagem

Esta semana que passou foi bastante agitada. No dia 30 fui à entrega do Prêmio Jabuti, no dia 1º fiz panfletagem no meu bairro e no dia 5 fui ao Condephaat, e hoje eu vou contar todas essas minhas aventuras

– Oi, Heitor. Tudo bem? É a Otacília.

– Oi, Ota! Eu estou bem. E você?

– Estou com saudades…

– Eu também, nunca mais a gente conversou.

– Pois é. Eu levei você naquele lançamento da Silvana Salerno, quando você começou a fazer o blog, e depois te abandonei.

– Que nada! Você me apresentou a um monte de gente bacana e me mostrou tantos livros… Por falar nisso, você tem algum livro legal pra me indicar?

– Não. Hoje eu tenho um convite pra você!

– É mesmo? Convite do que?

– Você quer ir comigo amanhã à entrega do Prêmio Jabuti?

– OBA! Se quero! Mas antes eu preciso falar com a minha mãe pra ver se ela deixa.

– Ela está aí?

– Tá

– Chama que eu converso com ela.

– MANHÊ! A OTACÍLA QUER FALAR COM VOCÊ!

Faz tempo que eu conheço a Otacília, ela é amiga do pessoal da Sintaxe, e é minha amiga também. Ela me levou a minha primeira sessão de autógrafos e eu contei esse passeio aqui, está lá, bem no começo do blog, é o quarto post. Ela é editora de livros infantojuvenis e trabalha na Planeta.  Bem, ela conversou com a minha mãe e nós fomos à festa de entrega do 53º Prêmio Jabuti, e agora eu vou contar aqui um pouco do que eu vi por lá.

A festa foi na Sala São Paulo, na entrada tem um saguão enorme e antes de começar a entrega dos prêmios, que foi dentro da sala, ficamos nesse saguão encontrando e conversando com as pessoas. Estava cheio, a Otacília conhece muita gente e foi me apresentando pra todo mundo.  “Esse é o Heitor, ele tem um blog de literatura, o Blog do Le-Heitor.” Levei uns cartõezinhos com a minha foto, o meu nome e o endereço do meu blog e quem se interessasse em conhecer, eu dava um cartãozinho desses. Disseram que isso se chama network. Eu distribuí um monte de cartõezinhos e fiz a minha network! Fique muito feliz por conhecer um monte de gente nova e encontrar alguns amigos.

Encontrei a Maria Viana. Eu já falei dela aqui, ela sempre deixa comentário no blog e uma vez me ajudou a fazer um post muito especial de um escritor mineiro, que ela gosta e conhece bastante, o Murilo Rubião. Encontrei também a Rosinha, ela é de Recife e veio aqui pra receber um Jabuti! Ganhou terceiro lugar em “Ilustração de Livro Infantil e Juvenil” com uma coleção chamada Palavra rimada com Imagem. Eu já falei de um livro dessa coleção da Rosinha aqui no blog, o livro se chama A história da Princesa do Reino da Pedra Fina. Eu fui ao lançamento dessa coleção aqui em São Paulo e tenho esse livro autografado por ela. É um reconto de um folheto de literatura de cordel do Leandro Gomes de Barros e o texto também é da Rosinha. As ilustrações são muito bonitas, são xilogravuras, que é uma técnica muito usada para ilustrar os folhetos de literatura de cordel.

Encontrei também o André Neves. Ele ganhou dois Jabutis com o livro Obax: segundo lugar em “Ilustração de Livro Infantil e Juvenil” e primeiro lugar, melhor livro “Infantil”. Eu li o livro Obax, adorei e levei o meu exemplar para ele autografar. Ele escreveu uma dedicatória bem bacana pra mim: “Heitor. Para chover imaginação. Com Carinho, André Neves.” Conheci o André Neves na FELIT, aquela feira de literatura de São Bernardo do Campo e lá aconteceu uma coisa bem legal que eu ainda não tinha contado aqui. Conheci o André na quarta-feira e ele me disse que tinha lançado esse livro, mas eu ainda não tinha lido. Na sexta eu fui novamente à feira, o André já tinha voltado para sua casa em Porto Alegre, e nesse dia o Lula visitou a FELIT. Sim, esse mesmo, o ex-presidente! Ele andou pela feira, conversou com as crianças, foi uma festa. Depois ele resolveu pegar um livro e contar a história para um grupo de crianças que sentou em sua volta. E adivinhem que livro ele leu? O livro do André, o Obax! Eu vi o Lula lendo o livro do André! Ele lia e ia explicando a história, parecia que até já conhecia. Nesse dia eu fui procurar o livro na feira, para eu ler também. E quem disse que eu encontrei. Estava esgotado! No dia seguinte eu não resisti. Como eu tinha o e-mail do André, mandei uma mensagem pra ele: “Oi, André. Você acaba de ganhar um leitor ilustre: o Lula leu o seu livro!” Agora eu também já li e vou contar um pouco da história dele aqui.

Obax, escrito e ilustrado por André Neves e publicado pela Editora Brinque-Book, conta a história da menina Obax, que vivia em uma aldeia isolada na África, num lugar seco de vegetação escura e rasteira. Durante o dia os homens cuidavam da terra e as mulheres dos afazeres domésticos e das crianças. À noite era o silêncio e um ótimo momento para compartilhar boas histórias. Obax era muito solitária, tinha poucos amigos e vivia inventando histórias. Corria pela planície em busca de aventuras e depois voltava com os “olhinhos brilhantes” cheia de histórias para contar: Caçou ovos de avestruz, conheceu girafas, apostou corria com antílopes e enfrentou ferozes crocodilos. Ninguém acreditava em Obax.

Uma vez ela contou que viu cair do céu uma chuva de flores. As crianças caçoaram dela, os velhos duvidaram, e a mãe abraçou a filha, protegendo-a, mas também não acreditou na menina. “Como poderiam chover flores onde pouco chove água?” Depois disso Obax ficou muito triste correu pelas savanas e jurou nunca mais contar suas aventuras. Mas como ela ia conseguir guardar aquilo tudo. Então, um dia ela tropeçou numa pequena pedra em forma de elefante e teve uma grande ideia. Ia sair pelo mundo para encontrar novamente uma chuva de flores e provar que sua história era verdadeira. E não é que Obax conseguiu! É muito bonito o jeito como o André conta essa história e suas ilustrações são lindas. E a Obax, então, é uma gracinha. Eu disse pro André: – Essa Obax tem tudo a ver comigo, me apaixonei por ela!

André Neves nasceu em Recife e mora em Porto Alegre. Ilustrador e escritor de livros infantis, estudou Artes Plásticas, é arte-educador e promove palestras e oficinas sobre literatura infantil e juvenil. Já ganhou muitos prêmios, Prêmio Luís Jardim, Prêmio Jabuti, Prêmio Açorianos, e o Prêmio Speciali, do Concurso Lucca Comics e Games, na Itália. Também participou de mostras e exposições de ilustração no Brasil e no exterior.

Notícias da minha luta política

No domingo de manhã eu sempre fico com o meu pai lendo jornal e conversando.

– Filho, eu nem perguntei… como foi a sua panfletagem na quinta?

– Foi muito legal, pai! Foi a minha primeira panfletagem. Gostei muito e quero fazer mais.

– Por que você gostou tanto assim?

– Sei lá, é tão legal, eu fiquei conversando e convencendo as pessoas de que preservar o quarteirão e a minha biblioteca é importante para a história do bairro e da cidade. Eu achei muito bom defender as minhas ideias e ainda convencer algumas pessoas. Acho que a gente vai ganhar essa briga!

– Calma, meu filho, ainda temos que convencer o Condephaat. Quando vai ser a apresentação?

– Amanhã.

– Você vai?

– Claro que eu vou, pai.

– E como você vai? Eu não posso ir e nem posso te levar.

– Pode deixar, pai, eu vou de ônibus. Vai sair um ônibus às nove horas da frente da biblioteca. Vamos todos juntos. Vai ser uma festa!

– Que bom! Vou torcer por você e pelo nosso quarteirão.

– Valeu, pai!

Essa foi a minha segunda visita ao Condephaat, da primeira vez fui ver a apresentação da prefeitura e desta vez fomos assistir a nossa apresentação, a nossa defesa pelo tombamento do quarteirão. Eu já disse da outra vez que essas reuniões do Condephaat são abertas ao público, a gente pode assistir, mas não pode participar. No máximo, podemos aplaudir e foi o que a gente mais fez desta vez. A nossa apresentação começou com o professor Ivani Abreu, que é arquiteto e especialista em “Escolas Parque”, que são diversos serviços públicos no mesmo espaço, assim como é o nosso quarteirão. Lá tem educação, cultura e saúde! Ele falou da história e da importância em manter esses espaços preservados na cidade. Depois veio a Vanessa Kramel, que também é arquiteta. Ela mostrou fotos e contou a história das construções que tem lá. No final veio o Jorge Rubies, que é presidente do Preserva São Paulo. Ele mostrou as falhas do projeto da prefeitura e fez um discurso emocionado defendendo o tombamento do nosso quarteirão.

A Luciana Parisi que é uma batalhadora e moradora do bairro, e que já deixou um comentário aqui no blog, também falou. A atriz Eva Wilma que mora há 31 anos na rua do quarteirão falou da sua emoção em ouvir as crianças da escola cantando o Hino Nacional. A nossa apresentação foi bem legal, teve “informações técnicas”, e também foi muito emocionante. Eu gostei, teve uma parte que eu quase chorei. Eu acho que os conselheiros do Condephaat também gostaram, pelo menos os que se manifestaram. No final, a presidente abriu para as perguntas deles, e uns cinco conselheiros levantaram a mão, e desses, só um perguntou, mesmo. Todos os outros só pediram a palavra para dizer que apóiam nossa luta. Que acham bonito ver uma “comunidade organizada defendendo os seus direitos”. Um deles, que trabalha com crianças e adolescentes, disse, emocionado, que a gente podia contar com ele. No total são mais de 20 conselheiros, a maioria não se manifestou, e a gente não sabe como todos pensam. Temos que continuar lutando e convencendo as pessoas. Por isso, vou continuar a minha panfletagem!

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Li três livros do Caio Riter

Hoje, além dos livros do Caio Riter, vou falar da minha luta política, que tem dois eventos importantes nos próximos dias, e também do clube de leitura, que já tem comentários no post de alguns alunos da escola

Outro dia eu falei aqui da FELIT, uma feira literária que aconteceu em agosto, na cidade de São Bernardo do Campo. Eu estive lá e conheci um monte de escritores. Um deles foi o Caio Riter. Eu já tinha lido um livro dele, As luas de Vindor, que eu contei aqui, e ele deixou um comentário bem bacana, quando eu comecei a fazer o blog. Eu assisti a uma palestra do Caio lá na FELIT, ele falou que os personagens dos seus livros sempre têm que ter algum sofrimento e contou como inventa as suas histórias. Ele disse que uma vez ouviu uma frase de um aluno – o Caio também é professor – que disse para os pais que o adotaram: “Vocês mudaram a minha história.” Ele gostou tanto dessa frase, que escreveu um livro a partir dela. O livro se chama O rapaz que não era de Liverpool. Eu ganhei esse livro e peguei um autógrafo do Caio. Ele escreveu uma dedicatória bem legal pra mim: “Ao Heitor, que já é meu leitor, desejando que este tanto de dor possa suscitar momento de amor aos livros. Abração. Caio.” Eu li o livro, adorei e vou falar dele aqui.

Mas antes vou contar outra história: Um dia desses, eu estava na livraria com o meu pai e encontrei outro livro do Caio Riter, que eu não conhecia. O livro se chama A cor das coisas findas. Tirei o livro da estante e li o que estava escrito na capa: “Uma biblioteca ameaçada. Esse é o motivo que leva um grupo de jovens a descobrir o mistério que cerca o desaparecimento de parte da história da cidade, e revela o valor da leitura e a importância que os livros podem ter.” Parecia a minha história! Minha biblioteca também está ameaçada, se derrubarem o quarteirão onde ela fica, parte da história da minha cidade também vai desaparecer… Pensei. Preciso ler esse livro! Já sei. Vou ler O rapaz que não era de Liverpool, leio este também e vou falar de dois livros do Caio Riter no blog. Já tinha até pensado no título do post: “Li dois livros do Caio Riter”, até que o pessoal da Sintaxe me ligou.

– Tudo bem, Heitor? Como anda a sua luta política?

– Tudo… Ela está na fase decisiva e vai ter dois eventos importantes. Na quinta-feira, dia 1º, vamos fazer uma caminhada pelo bairro para comemorar o aniversário de um ano da nossa luta. A gente vai se encontrar na esquina da avenida Faria Lima com a Juscelino Kubitschek, às 11h30. Apareçam lá pra ajudar a gente.

– Vamos, sim. E o outro evento qual é?

– Este vocês não podem faltar… No dia 5 de dezembro vai ser a nossa apresentação no Condephaat. Vamos lá torcer e mostrar para os conselheiros que tem muita gente que quer proteger o quarteirão. Se o Condephaat tombar o quarteirão, a minha biblioteca, o teatro, as duas escolas, a creche, as duas unidades de saúde e a Apae estarão protegidos para sempre.

– Estaremos lá.

– Convida mais pessoas pra gente encher o Condephaat.

– Pode deixar… Nós vamos, mesmo, e vamos arrastar mais pessoas. Pode contar com a gente. E o clube de leitura, como está?

– Tá bombando! Os alunos já colocaram uns comentários. Dá uma olhada lá no post… a professora Rose disse que vai ter mais.

– Legal! E qual vai ser o próximo post?

– Eu li dois livros do Caio Riter e vou falar deles.

– Do Caio Riter?!

– Sim, eu até já tenho o título do post. “Li dois livros do Caio Riter”.

– Acho que você vai ter que mudar o título desse seu próximo post.

– Por quê? Vocês não gostaram? É muito óbvio, não é?

– Gostamos, mas é que nós temos aqui um livro do Caio Riter que acabou de sair pela Editora Biruta e estávamos pensando em mandar pra você.

– É mesmo? Qual é o nome do livro?

Eu e o silêncio do meu pai. Nesse livro ele conta um pouco da história dele e mistura realidade com ficção.

– Gostei! Quero ler. Pode mandar que eu mudo o título do post para “Li três livros do Caio Riter”. Tá bom assim?

– Está ótimo!

O rapaz que não era de Liverpool

“- Não, Marcelo, você não nasceu de mim! Ela disse. Falou o que eu queria-temia escutar. Falou. As palavras foram claras. Sem sombras. Sem dúvidas. A confirmação ali, naquela frase tão simples. Tão. Não era minha mãe. Não era. E, no entanto. Estendeu a mão. A mão que muito carinho já me fizera. A mão. Tremia? Queria ser toque. Acarinhar meu cabelo, daquele jeito calmo que eu tanto gosto. Gostava. Leve toque em meu braço. Fugi.” Assim começa o livro O rapaz que não era de Liverpool, publicado pela Editora SM e que ganhou o prêmio Barco a Vapor em 2005.

Marcelo tinha sido adotado pelos seus pais e não sabia dessa parte da sua história. Era o filho mais velho, depois dele a mãe teve a Maria e o Ramiro. Ele gostava dos Beatles – aprendeu com o pai – e no seu quarto tinha a foto da capa de um disco, em que eles aparecem atravessando uma rua de Londres. “Se os rapazes de Liverpool eram quatro, nós éramos cinco.” O Marcelo duplicou o Paul McCartney e colocou o rosto de todos da sua família, na ordem, seu pai, Pedro Paulo; sua mãe, Inês; ele; sua irmã Maria; e o seu irmão mais novo, o Ramiro.

Ele começou a desconfiar que não tinha nascido da sua mãe, quando aprendeu a Lei de Mendel na escola. (Eu fui pesquisar e entendi mais ou menos como é essa lei. As ervilhas amarelas e as ervilhas verdes.) Um dia o professor perguntou se filhos de pais de olhos azuis poderiam nascer com olhos castanhos. O Marcelo respondeu que sim, pois ele tinha olhos castanhos e seus pais, azuis. O professor disse que estava errado: “- Olhos azuis são recessivos.” Ele foi confirmar com sua mãe e soube toda a verdade. “Só hoje, a desconfiança se faz certeza: os garotos de Liverpool são quatro. Apenas quatro. Eu não sou de Liverpool.” O Marcelo recortou sua foto do quadro e sofreu muito para entender essa sua história.

A cor das coisas findas

A cor das coisas findas, publicado pela Editora Artes e Ofícios, que ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura de melhor livro infantojuvenil em 2004 conta a história de Eduarda, Carlo, Pedro, Beatriz e Dante, que estudavam na mesma escola. Eles tinham uma professora chamada Liana, que sempre entrava na sala com uma sacola de brim, decorada com flores e cheia de livros. Livros de todos os tamanhos, de prosa e de poesia. Ela era apaixonada por livros. Na aula lia poesias, trechos dos livros e passava alguns desafios para a classe descobrir pesquisando na biblioteca.

A biblioteca da cidade ficava num prédio antigo e enorme. Tinha dois pisos e um pequeno sótão. Ficava no centro e disputava espaço com construções modernas. “A cidade começava a perder sua cara de interior, sobretudo pelo progresso que o prefeito dizia estar executando.” Na biblioteca trabalhava a dona Santinha, que era a bibliotecária e o Tirésias, que era o porteiro e dizia coisas muito estranhas. O prefeito sempre estava por lá, acompanhado da sua secretária conversando com dona Santinha. Ninguém sabia o que eles tanto conversavam.

O prefeito era novo na cidade. Chegou, montou uma construtora, deu emprego para um monte de gente e virou prefeito. Nas visitas à biblioteca, a turma começou a perceber coisas estranhas. Do sótão eles observavam que a cidade, aos poucos, ia sumindo. O rio, a planície, até a igreja desaparecia. Foram investigar e descobriram um livro misterioso. Também revelaram a verdadeira identidade do prefeito e ficaram sabendo que ele ia derrubar a biblioteca para construir um shopping center. Vou pedir ajuda pra turma desse livro do Caio Riter pra defender a minha biblioteca, quem sabe a gente não descobre algumas coisas por aqui, também, e salva a nossa biblioteca.

Eu e o silêncio do meu pai

Quem conta a história do livro Eu e o silêncio do meu pai, que foi publicado pela Editora Biruta, fala como se fosse a sua própria história, parte dela é contada na primeira pessoa. O menino nasceu no dia 24 de dezembro e sua mãe sempre lhe dizia que ele foi o melhor presente de Natal que ela ganhou. O Caio Riter também nasceu no dia 24 de dezembro, em Porto Alegre, que é a cidade onde se passa essa história. Sobre isso ele diz que este livro “traz algumas das minhas verdades, pintadas um pouco com as tintas da fantasia.”

O menino conta a história de sua relação com o pai. “Poucas palavras ouvi do meu pai e o mais estranho disso tudo é que – embora poucas – não me recordo delas. Um homem feito de não verbos.” O pai bebia e o menino sofria com isso. Quando ele estava bêbado, o menino sentia vergonha, e quando estava sóbrio, o pai parecia triste e não dizia uma palavra. Uma vez a professora perguntou ao menino: – Se pudesse mudar algo em sua família, você mudaria o quê?  O menino: Eu fazia o meu pai parar de beber. A mãe contou para o pai e essa foi a primeira vez que ele viu o pai chorar.

O menino que já adorava os livros não gostava das férias, pois a biblioteca da escola fechava e ele ficava “em casa, sem livros, sem viagens, um ou outro domingo na casa do tio Jorge, tão pobre quanto eles”. E o retorno às aulas também não agradava o menino. Não pelas aulas, mas pelo tema da redação: “Minhas férias”. Nessa hora o menino inventava umas aventuras no sítio do avô: andar no cavalo alazão, pescar lambari no açude, tomar banho de rio, colher frutas no pomar, o pai firme, carregando o filho na cacunda e contando as mais incríveis histórias. O menino, que depois virou escritor, acha que foi aí, nessas redações fantasiadas, que começou o seu desejo de escrever.

Caio Riter é um escritor muito premiado, nasceu e vive em Porto Alegre. Ganhou os prêmios Açorianos, Barco a Vapor, Orígenes Lessa e Selo Altamente Recomendável da FNLIJ. É professor, mestre e doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faz palestras e dá cursos de capacitação de professores.

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Bullying no Clube de Leitura

O Clube de Leitura do Blog do Le-Heitor é organizado pela EMEF Itaim A, uma escola municipal que fica no bairro do Itaim Paulista, em São Paulo, e pelo pessoal da Sintaxe, e tem como “sócios” cento e oitenta alunos do sexto e do sétimo anos dessa escola. A Editora Biruta, a Editora DCL e a Editora Noovha América apoiaram esse projeto e doaram os livros para a escola. Cada editora doou dois títulos e dez exemplares de cada título, que os alunos estão lendo em “sistema de revezamento.”

Os livros escolhidos foram: O Cachecol, de Lia Zatz, ilustrado por Inácio Zatz; e A Bailarina Fantasma, de Socorro Acioli; da Editora Biruta. Bullying – Vamos sair dessa?, de Miriam Portela, ilustrado por Toni D’Agostinho, e O menino com monstros nos dedos, de Almir Correia, ilustrado por Victor Tavares; da Editora Noovha América. Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, recontado por Fernando Nuno e ilustrado por Marcelo Ribeiro; e A Odisseia, de Homero, recontada por Silvana Salerno e ilustrada por Dave Santana e Maurício Paraguassu; da Editora DCL.

Quem quiser saber mais sobre o funcionamento do nosso clube de leitura pode ler em http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=1156. E quem quiser ver a postagem do primeiro livro que lemos (O Cachecol) e os comentários de mais de quarenta alunos pode ler em http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=1520.

Bullying – Vamos sair dessa?

Hoje vou falar do segundo livro, Bullying – Vamos sair dessa?, e vou esperar os comentários dos alunos da escola, e quem mais quiser participar. Depois vamos sortear alguns brindes entre os alunos que comentarem.

Como eu fiz com o primeiro livro do clube de leitura, pedi para o meu amigo Lipe também ler o Bullying pra gente conversar e descobrir mais coisas do livro. Foi assim que fizeram os alunos da EMEF Itaim A. Depois de ler, eles se reuniram em “rodas de conversa” para falar do livro. Como sempre, no começo o Lipe reclamou: – Poxa, já tem tanto livro pra gente ler pra escola e ainda você fica inventando essas coisas. Mas depois de ler, ele gostou e veio correndo, fazer a nossa roda de conversa.

– Li rapidinho esse livro, Le. Ele é muito bom! Você já leu?

O Lipe me chama de Le, antes ele me chamava de Heitor, mas depois que apareceu esse apelido lá na escola, ele começou a me chamar de Le e se acostumou.

– Li e também gostei muito.

– Achei o Gustavo meio parecido com você.

– Por quê?

– Ele também gostava de ler e por isso era zoado na escola.

– Mas eu não sou zoado…

– Claro que é! Até apelido arrumaram pra você.

– É, mas eu nem ligo.

– No começo você ficou mal. Lembra? Até veio conversar comigo…

– É, mas passou. Só ficou o apelido.

– “Le!” Até que é um apelido legal. Você não acha, Heitor.

– Fazia tempo que você não me chamava de Heitor, Felipe.

– E você nunca tinha me chamado de Felipe, Heitor.

Eu ri muito e o Lipe também e continuamos conversando e descobrindo um monte de coisas deste livro.

A história do livro Bullying – Vamos sair dessa?, escrito por Miriam Portela (eu conheço a Miriam Portela! Já contei isso aqui no blog), ilustrado por Toni D’Agostinho e publicado pela Editora Noovha América começa com uma confusão em frente ao colégio. O trânsito estava lento, viaturas de polícia cercavam o quarteirão, seguranças revistavam os carros e as aulas tinham sido suspensas. A Beatriz e a Silvana, que estudavam lá, conseguiram atravessar a multidão para conversar com o porteiro e souberam que um aluno havia desaparecido. Achavam que ele tinha sido sequestrado.

Depois elas descobriram que o aluno desaparecido era o Gustavo, que era da sala da Beatriz. Ele era muito estranho e apaixonado por livros. “As coisas que ele dizia, o jeito educado e o ar desligado faziam dele um cara diferente de todos os outros. Ele era tão fora de moda! Tão nerd.” A Beatriz gostou do jeito dele e ficou muito amiga do Gustavo, mas as suas amigas não conseguiam entender porque ela perdia tempo com um cara tão sem graça. A maioria do colégio pensava assim, e ele era muito zoado por isso.

Ao lado dessa escola, que era particular, tinha uma escola pública onde estudava o Antônio. Todo dia ele atravessava um terreno baldio que separava sua casa da escola. Ele tinha 12 anos e morria de medo de fazer esse caminho sozinho. Já tinha visto policiais removendo corpos ou dando tiros de manhã bem cedo. Nesse dia ele cruzou um bando de rapazes calçando tênis caros e camisetas de marca. Não gostou da cara deles e tentou desviar.

– Onde você pensa que vai, seu marginalzinho? Eram alguns alunos encrenqueiros do colégio particular. – Você não tem nenhuma irmãzinha bonitinha pra gente se divertir? Eles pegaram seu material escolar, chutaram suas pernas e puxaram seus cabelos. – Te manda, moleque. Da próxima vez que você atravessar na nossa frente, vai levar uma surra. Ele entrou na escola correndo. Nessa escola estudava o Tiago, que era alto demais, gordo, pele cheia de espinhas e meio desajeitado. Ganhou diversos apelidos, Geleia, Sherek, Nutella, Cocô, e era muito zoado.

As duas escolas, a particular e a pública sofriam com o bullying e os professores, pais e alunos precisavam fazer alguma coisa. Nessa história a escritora Miriam Portela fala do preconceito, mostra o sofrimento, as causas e as consequências do bullying e conta como essas escolas enfrentaram esse problema.

Miriam Portela nasceu em Florianópolis (SC) e começou a escrever ainda criança, quando descobriu que podia criar histórias e inventar personagens. Jornalista, trabalhou em jornais, revistas e televisão. Escreveu quatro livros de poesia e depois percebeu que queria contar histórias para crianças. Tem muitos livros publicados: Alguém muito especial, Onde andará a alegria e Histórias do encantado, pela Editora Moderna; Alice passou por aqui, pela Editora Terceiro Nome; e Minha família não para de crescer, Bichorro e Louco por bichos, entre outros, pela Editora Noovha América.

Toni D’Agostinho é sociólogo, caricaturista, ilustrador, escritor e diretor teatral. Ele já fez vários trabalhos para as principais editoras do país. Participou da exposição de caricatura “Futebol Pensado”, durante a Copa de 2006 no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e criou para o Banco do Brasil a mostra “Nanquim no Machado” com personagens de Machado de Assis caricaturadas. Na televisão fez caricaturas para o programa Show do Tom, da Record e Raul Gil da Bandeirantes.

Minha luta política

Na semana passada eu fiz um passeio da hora! Fui conhecer todas as unidades que ficam no quarteirão do meu bairro. Aquele que a prefeitura quer derrubar e que nós estamos lutando para impedir esse “crime contra o patrimônio”, como eu ouço falar nas assembleias. Lá tem a biblioteca, o teatro, duas escolas, uma creche, duas unidades de saúde e a Apae. Eu só conhecia o teatro e a biblioteca, onde eu sou freguês de carteirinha. Quem me convidou para esse passeio foi o Helcias, que é o presidente da Associação Grupo de Memórias do Itaim Bibi.

Fomos com o pessoal de uma produtora e uma agência de publicidade. Eles vão gravar um vídeo para divulgar a nossa luta, com depoimentos de pessoas que defendem o quarteirão. E vocês não vão acreditar… Eu fui convidado para dar o meu depoimento, também! Achei mó legal! E agora, depois de ver tudo aquilo e conhecer as pessoas que trabalham e frequentam esses lugares, estou mais do que convencido: não podemos deixar a prefeitura cometer esse crime contra o patrimônio do meu bairro e da minha cidade. Vamos lutar até o fim!

Antes de começar o passeio eu conversei com o pessoal da produtora para combinar o meu depoimento.

– Quem é você?

– Meu nome é Heitor, tenho 12 anos, moro no bairro, frequento a biblioteca, gosto muito de ler e tenho um blog.

– Legal! Quero conhecer o seu blog.

Ele olhou o meu blog, achou muito bacana, mas fez um comentário

– Pena que você não é um personagem animado, seria melhor para gravar o seu depoimento…

– Sou animado, sim, principalmente se for pra defender a minha biblioteca!

– Não é desse tipo de animação que eu estou falando, essa eu já percebi que você tem de sobra.

Fiquei confuso, não sei como eles vão gravar o meu depoimento e se ele será animado. Da minha parte podem ter certeza que o ânimo estará garantido.

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Li Oscar Wilde

Eu já falei aqui no blog que eu gosto de ler jornal com o meu pai, quando eu não entendo alguma notícia, ele me explica, e neste final de semana nós lemos o jornal juntos. Li alguma coisa do primeiro caderno, fui para os outros cadernos, até chegar ao caderno de cultura, que é o que eu mais gosto, principalmente a seção que fala dos livros. Lá eu descubro os escritores, que eu nunca ouvi falar, e vou fazendo a minha lista de livros para ler depois. Alguns deles eu só vou poder ler daqui uns anos, mesmo, pois devem ser muito difíceis de entender. Mas vou fazendo a minha lista e guardando. Neste final de semana saiu matéria de dois livros, que acabaram de ser lançados, com peças de teatro de um dramaturgo e escritor muito famoso, que viveu no final do século XIX e que eu já ia colocar nessa minha lista, o Oscar Wilde.

– Pai, você leu essa matéria dos livros do Oscar Wilde?

– Li. Legal, né, filho? São algumas peças de teatro que ele escreveu. Você gostou da matéria?

(A Editora Companhia das Letras lançou A Importância de Ser Prudente e Outras Peças, e a Editora Landmark, Teatro Completo – Volume 1)

– Gostei! Aqui diz que em 1895 uma peça de teatro dele, que fazia sucesso, saiu de cartaz, porque ele era homossexual?

– Sim, Heitor, ele sofreu muito com isso. Oscar Wilde foi perseguido, suas obras foram recolhidas e suas peças tiradas de cartaz. Até preso ele foi por ser homossexual. Naquele tempo prendiam os homossexuais, mas isso acabou.

– Como acabou, pai? Hoje batem nos homossexuais.

– São alguns nazistas e homofóbicos, o preconceito ainda existe, mas a lei protege.

– Queria ler alguma coisa dele. Acho que vou colocar na minha lista de livros para ler no futuro.

– Que nada, Heitor. Você já pode ler Oscar Wilde agora! Tem um livro dele chamado O Fantasma de Canterville, que eu tenho certeza que você vai gostar. Ele foi um pai carinhoso, que gostava de contar histórias para os seus dois filhos, e essa história ele escreveu quando os seus filhos ainda eram pequenos.

– É mesmo, pai? Como é a história desse livro?

– É a história de um ministro americano que compra um castelo mal-assombrado na Inglaterra e se muda pra lá, com toda a sua família. Depois, ao invés do fantasma, que vivia nesse castelo, aterrorizar a família, é a família que inferniza a vida do fantasma.

– Que legal! Essa história deve ser bem engraçada! Quero ler esse livro!

– Amanhã eu passo na livraria e compro pra você.

– Oba! Depois de ler, vou escrever no blog, e contar pra todo mundo, que eu li Oscar Wilde!

Ganhei o livro e já li!  É uma edição traduzida por Braulio Tavares, com ilustrações de Romero Cavalcanti, e lançada neste ano pela Editora Casa da Palavra. A história de O Fantasma de Canterville, de Oscar Wilde começa com um diálogo entre Mr. Hiran Otis, ministro norte-americano, e Lorde Canterville, proprietário do Canterville Chase, um castelo mal-assombrado. O ministro norte-americano estava comprando o castelo do nobre inglês, que por ser “um homem extremamente meticuloso em questões de honra” fez questão de dizer que o local era mal-assombrado. Disse que era o seu dever alertá-lo e que o fantasma, que estava lá desde 1584 tinha sido visto por diversos membros ainda vivos da sua família.

O ministro norte-americano, que não acreditava em fantasmas disse que compraria o castelo e o fantasma junto, desde que viesse incluído no preço da mobília. – Fantasmas não existem senhor, e eu não creio que as leis da natureza estejam dispostas a abrir uma exceção para a aristocracia britânica. E Lorde Canterville respondeu ao norte-americano: – Para vocês na América tudo parece muito natural e se a presença de um fantasma na casa não o preocupa, está muito bem. Lembre-se, apenas, de que eu o avisei.

Mr. Hiran Otis se muda para o castelo com toda a sua família, a sua mulher Mrs. Lucrécia Otis, e os quatro filhos, Washington, de dezoito anos, Virgínia, de quinze, e os gêmeos, de oito anos. O fantasma usa todos os seus truques para assustar a família, mas não consegue, ao contrário, é a família que aterroriza o fantasma, principalmente os gêmeos. Tem cada história engraçada! Chega uma hora que o fantasma começa a ficar desiludido e desesperado e perde todas as esperanças de assustar aquela “rude família norte-americana”.

Um dia ele estava distraído, vestido de “Jonas o Sem Túmulo, o Violador de Cadáveres de Chertsey Barn” e aparecem à sua frente os gêmeos “agitando os braços freneticamente sobre as cabeças e gritando ‘buuu!’.” O fantasma se assustou correu e encontrou Washington, o filho mais velho que lhe deu um banho de mangueira. Esse foi o limite, a partir deste dia, a vida do fantasma de Canterville começa a entrar em decadência, ele fica desesperado, até chegar ao ponto de preferir a morte e confessar emocionado esse desejo a Virginia, a filha de Mr. Otiz. – “Sim, a Morte. A Morte deve ser tão bela! Ficar deitado dentro da terra marrom, macia, com a grama ondulando por cima, e escutar o silêncio.” Mas antes disso, muita coisa engraçada acontece nessa história do Oscar Wilde.

Oscar Wilde nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1854, e morreu na França, em Paris em 1900. Foi um dos maiores escritores de língua inglesa do século 19. Ficou famoso pela sua obra e pela sua personalidade, era “sofisticado e inteligente”. Criava “frases espirituosas”, que eram repetidas por todo mundo e fazia “observações ferinas”, que não perdoavam nada nem ninguém. Escreveu contos, como O Crime de Lord Arthur Saville; teatro, O Leque de Lady Windermere, A importância de Ser Prudente, entre muitos outros; ensaios, A alma do homem sob o socialismo, e o romance O Retrato de Dorian Gray, sua obra prima.

Minha primeira luta política

Como eu disse no post anterior, nesta semana teve assembleia em defesa da minha biblioteca e do quarteirão do meu bairro. Eu fui! Essa foi a sexta assembleia, desde que o movimento começou, há quase um ano. Eles me pediram e eu li o discurso, o meu primeiro discurso, aquele que eu não consegui apresentar quando recebi a homenagem da Câmara e já publiquei aqui no blog. Durante a assembleia foram apresentadas algumas propostas para continuar a nossa luta. Entre elas, visitas à Câmara para agradecer aos vereadores que votaram ao nosso favor e conversar com aqueles que votaram contra; panfletagem no bairro nos dias 29 e 30 de novembro, aniversário de um ano do movimento; preparação da nossa apresentação no Condephaat para defender o tombamento do quarteirão; formação de comissões para visitar e buscar apoio no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), na imprensa, e em outras instituições; e marcar as próximas assembleias para buscar mais apoio e continuar a nossa luta.

Clube de leitura

Ontem o pessoal da Sintaxe esteve na EMEF Itaim A, em reunião com as professoras Rose e Márcia para concluir a primeira postagem do nosso clube de leitura e combinar a próxima. Eles sortearam os brindes entre os alunos que deixaram comentário lá no primeiro post do clube. Foram mais de quarenta alunos que comentaram. Quem quiser ver: (Lia Zatz no Clube de Leitura – http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=1520). Os sorteados foram o Lucas Lenon dos Santos, que ganhou um kit da Faber-Castell; a Letícia Campos Pereira, um kit com livros da Rosana Rios, e Taynára R. S. Almeida, um livro da Eliana Sá. Eu já falei desses brindes em outro post aqui no blog (Ganhei brindes para o Clube de Leitura – http://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/?p=1249). O próximo livro que a gente vai falar no Clube de Leitura é o Bullying – Vamos sair dessa?, da Miriam Portela, com ilustrações de Toni D´Agostinho, publicado pela Editora Noovha América. Eu já li e adorei. O pessoal da escola também leu e eu soube que eles gostaram muito. Vamos contar tudo no próximo post.

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Li um livro da Angela-Lago

Nesta semana o pessoal da Sintaxe me ligou.

– Tudo bem, Heitor.

-Tudo bem. E vocês como estão?

– Estamos bem, também. Vamos mandar um livro de presente pra você.

– Oba! Que livro é?

– O nome do livro é Marginal à esquerda, da Angela-Lago. Ela ganhou dois Jabutis no ano passado com esse livro.

– Eu sei quem é a Angela-Lago, mas nunca li nada dela. Quero ler esse! Como é a história dele?

– É a história de um menino que vive num lugar, onde as crianças têm poucas oportunidades.

– Conta mais.

– O texto da Angela-Lago é muito bonito, as ilustrações são lindas, e o jeito como ela conta essa história… você vai gostar. Chega. Não vou contar mais nada, mas acho que vai ser bom você ler esse livro.

– Por quê?

– O menino dessa história tem uma vida muito difícil. Você vai ver que pra muita gente a vida não é fácil.

– Pra mim também não é muito fácil…

– É, mas você estuda, gosta de ler, ganha livros, seus pais lhe apóiam, você tem um blog, escreve nele, tem amigos, brinca, passeia, joga bola, tem muita gente que gosta de você… Você tem uma vida muito boa, Heitor!

– Mas o que tem de errado nisso?

– Na sua vida nada. O errado é que algumas pessoas não têm nada.

– E eu sou o culpado?

– Claro que não, Heitor.

– Ainda bem. E não dá pra mudar isso?

– Dá sim.

– Como?

– Lutando por justiça social.

– Isso também é luta política?

– Sim. Igual a que você já faz pra defender a sua biblioteca. E por falar em biblioteca, nós fomos convidados para participar de uma assembleia em defesa do quarteirão.

– Legal! Quando vai ser?

– Na semana que vem.

– E eu posso ir?

– Claro que pode. Agora você é um convidado de honra! E leva o seu discurso que dessa vez você vai falar.

– Oba!

Recebi o livro do pessoal da Sintaxe, li e adorei. Marginal à esquerda, escrito e ilustrado por Angela-Lago e publicado pela Editora RHJ é história do Miúdo, o rapa-de-tacho, e quem conta essa história é a Maria, sua irmã mais velha, que era casada com o Zé Pita. Eram quatro irmãos na família, os outros dois foram para São Paulo, trabalhar num “restaurante de gente chique”, onde a mãe já havia trabalhado. O Miúdo tinha dez anos, era meio calado e estava atrasado na escola. A mãe ficou doente, largou o serviço, e o Zé Pita ofereceu dinheiro para o Miúdo vender droga. O cunhado era traficante. O menino foi pego pela polícia, e a mãe, que estava por perto não deixou que levassem o “seu esmirradinho”.

Depois de um tempo a polícia voltou, mas a mãe que tinha colocado o menino na oficina de música mostrou o Miúdo tocando. Na oficina o menino aprendeu a tocar violino e gostou. Tocava tão bem, que diziam que ele “tinha aprendido o instrumento em outra encarnação”. O Zé Pita continuou oferecendo dinheiro para o Miúdo trabalhar com ele, o menino resistia e continuava a estudar o violino. A mãe, que antes só elogiava os mais velhos, agora ria quando falava dele. A história segue, e o Miúdo, com muito sacrifício vai virando um grande violinista. O final é triste, como disse o pessoal da Sintaxe, pra muita gente a vida é muito difícil e para o Miúdo da história da Angela-Lago ela não foi nada fácil.

Angela-Lago nasceu em Belo Horizonte em 1945. Desde 1980 escreve e desenha livros para criança. Ela ganhou muitos prêmios Jabuti e outros prêmios internacionais, como o Octogone de Fonte, Prêmio Iberoamericano de Ilustración e BIB Plaque. Ela já ilustrou e escreveu muitos livros, entre eles Cena de rua, Tampinha e Sete histórias para sacudir o esqueleto. Seus livros são publicados na França, nos Estados Unidos, no Japão, na Venezuela e em muitos outros países.

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Fui homenageado pela Câmara Municipal

Vocês se lembram que eu disse no outro post, que teria uma surpresa pra mim, na festa de aniversário do bairro, mas eu ainda não sabia o que era? Então… FUI HOMENAGEADO!!! Recebi uma homenagem pela minha “contribuição para preservação das memórias e defesa da qualidade sócio-cultural da região.” Ganhei placa de reconhecimento com o meu nome. Subi no palco pra receber a placa e fui aplaudido, só faltou fazer discurso. Essa homenagem não foi só pra mim, foi também para o pessoal da Sintaxe, que me deu de presente este blog e me ajuda a fazer e a divulgar. Fiquei muito feliz. Sinceramente, eu não esperava isso. Nunca poderia imaginar que eu, um simples personagem, poderia ser homenageado pelo que escreve no seu blog e até receber uma placa de reconhecimento da Câmara Municipal de São Paulo.

Minha mãe disse que está muito orgulhosa de mim, disse pra eu continuar na luta em defesa da minha biblioteca, e que “aquele lugar não pode acabar.”

– Você se lembra, Heitor, quando você ainda não sabia ir sozinho e eu te levava?

– Claro que eu me lembro, mãe, até já contei isso no blog. Às vezes tenho saudades desse tempo.

– Não seja por isso, amanhã podemos ir juntos lá.

– Legal mãe! Vamos sim, eu topo!

O pessoal da Sintaxe não foi à festa, mas eles me ligaram pra saber como foi.

– A festa estava muito legal, foi lá no Teatro Décio de Almeida Prado, primeiro teve a parte política e depois teve dois shows de música. Por que vocês não foram?

– A gente não quis atrapalhar, Heitor. O mérito desse prêmio é todo seu. Você é o responsável pelo sucesso desse blog. Você foi inventando as coisas, tendo ideias, fizemos o clube de leitura, você entrou pra essa luta política e o blog foi ganhando vida.

– Devo isso a vocês que sempre me ajudam e me apoiam. Obrigado!

– Mas não se esqueça de uma coisa importante, o seu blog é sobre livros, precisa voltar a falar deles.

– Vou falar sim. Vocês sabem que eu adoro falar de livros e nesses dias li um montão.

Meu pai também ficou feliz e disse que eu deveria escrever um discurso para ler na hora que eu recebesse o prêmio.

– Um discurso, pai?

– Sim, por que não? Nessas horas a gente tem que fazer discursos, sim. Escreve e leva pronto e se tiver uma oportunidade, você discursa.

– Mas eu não sei escrever discursos, pai.

– Claro que sabe. Faz como você faz com os posts. Senta e começa a escrever, você vai ver como o discurso sai. E quando chegar lá na festa, pergunta pra organização, se você pode ler o seu discurso.

Segui o conselho do meu pai, sentei e escrevi, coloquei o discurso no bolso e fui pra festa. Só não consegui falar com a organização, tive vergonha, e o discurso voltou do jeito que foi, no bolso, sem ser lido. Mas acho que vou colocar o discurso aqui no blog. Tenho que mostrar pra vocês, afinal de contas, este é o meu primeiro discurso.

Meu primeiro discurso

Obrigado! Eu não esperava essa homenagem, fiquei sabendo esses dias e resolvi preparar um discurso. Meu pai que insistiu para que eu fizesse isso. Eu disse a ele: Mas um discurso, pai? E ele respondeu: Se você já participa de lutas políticas tem que começar a fazer discursos, também. Tudo bem, eu concordei com ele, mas não vou tomar muito o tempo da festa. Vamos ao discurso, então.

Eu conheço este lugar desde o tempo em que eu era bem pequeno. No começo eu vinha com a minha mãe ou com as minhas professoras. Depois eu aprendi a vir sozinho e fiquei livre pra vir quando quisesse – se a minha mãe deixasse, é claro – mas pra vir aqui, ela sempre deixa.

Aqui eu fiz amigos e vivi os momentos mais felizes da minha vida, brincando e aprendendo muita coisa com os livros da minha biblioteca. Depois veio essa notícia, que a prefeitura queria vender este terreno pra derrubar tudo o que tem nele – a biblioteca, o teatro, duas escolas, uma creche, dois serviços de saúde e a Apae – e construir um prédio de apartamentos no lugar. Fiquei assustado e com medo. – Isso não pode acontecer!

Conversei com o meu amigo João Gabriel, que era o bibliotecário da Anne Frank, e ele me disse que as pessoas estavam se organizando para defender este quarteirão do ataque da prefeitura. Não foi exatamente assim que o João falou, mas foi desse jeito que eu ouvi. Como em muitas histórias que eu li, estamos sendo atacados e temos que nos defender.

Fui falar com o meu pai pra saber se eu podia participar. Ele me deu a maior força, disse que eu deveria participar, sim, e que essa seria a minha primeira luta política. Achei mó legal e comecei a participar do movimento de defesa do quarteirão do Itaim.

Nesse tempo eu li e aprendi muita coisa sobre este lugar. Hoje eu sei que a minha biblioteca foi inaugurada em 1946, é a primeira biblioteca infantil de bairro da cidade de São Paulo, e foi o Monteiro Lobato que escolheu este terreno. Aprendi também que aqui é um parque escola. Tem diversos serviços públicos no mesmo lugar. Aqui tem educação, cultura, saúde e lazer.

Naquele tempo foram construídos muitos espaços assim. Essa é uma ideia do Anísio Teixeira, um dos maiores educadores brasileiros, que nasceu em 1900 e morreu em 1971. E este é um dos últimos lugares, em São Paulo, que ainda não foram derrubados e que contam essa parte da história da nossa cidade. Não podemos deixar a prefeitura acabar com ele e destruir a nossa história.

A Câmara Municipal apóia a Prefeitura. Não são todos os vereadores, é claro, quinze estão do nosso lado, inclusive o vereador que participa dessa nossa festa e que luta com a gente, mas a maioria votou a favor da prefeitura. Trinta e três vereadores também querem derrubar o nosso quarteirão. Não entendi porque isso foi acontecer. Acho que eles não sabem a importância que tem este lugar. Não é possível! Eu li e aprendi. Acho que temos que convidar esses vereadores pra fazer uma visita à nossa biblioteca e ler um pouquinho. Quem sabe eles descobrem a importância, também.

Assinado, Heitor. Obrigado!

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Fui ao Condephaat

– Pai, posso ir ao Condephaat amanhã?

– O que vai ter lá?

– A prefeitura vai apresentar o projeto dela para os conselheiros.

– Aquele projeto da maquete que saiu no jornal?

– Deve ser.

– E quem vai apresentar?

– O secretário da prefeitura.

– Mas o Condephaat fica lá na Luz, ao lado da Sala São Paulo.

– Eu sei, eu olhei no Google.

– E como você vai pra lá?

– Você não pode me levar? É de manhã.

– Levar eu posso, mas não posso ficar. Até gostaria… queria ver a cara-de-pau desse secretário, mas tenho que trabalhar… Como você vai voltar?

– Eu volto com o João da biblioteca, ele também vai.

– Vou ligar para o João amanhã de manhã, pra saber se ele pode trazer você de volta. Se ele puder, tudo bem, pode ir.

– Oba!

Nesta semana fui ao Condephaat em mais um evento da minha luta política. O Condephaat é um conselho de defesa do patrimônio histórico, arqueológico, artístico, e turístico do Estado de São Paulo. Ele é formado por técnicos e especialistas, que cuidam da preservação dessas áreas no Estado. Eles se reúnem frequentemente para discutir os “assuntos em pauta”. O pedido de tombamento do quarteirão do meu bairro está lá para eles analisarem. A presidente do conselho disse que agora, as reuniões do Condephaat são abertas ao público, “essa abertura é muito recente” e o resultado de todas as decisões são publicadas.

Quem quiser pode ir lá assistir às reuniões e ouvir tudo que eles falam, mas não pode participar. “Ele é aberto, mas não é participativo.” Ficam mais de vinte conselheiros reunidos numa sala, em volta de uma mesa, “discutindo e analisando os processos”. Eu cheguei mais cedo e fiquei atrás, ouvindo a conversa deles. Muita gente vai assistir. Quando chegou a hora de a prefeitura apresentar o seu projeto da venda do nosso quarteirão, tinha tanta gente para assistir, que nós tivemos que ir para um auditório, no primeiro andar do prédio.

O secretário começou dizendo que não ia falar sobre o tombamento, pois essa questão quem vai decidir é o Condephaat, e o que for decidido, ele irá apoiar. Se o Condephaat decidir por tombar o quarteirão, como patrimônio histórico, ele disse que será o primeiro a aplaudir essa decisão. Nessa hora eu me lembrei do meu pai, que queria ver a cara-de-pau do secretário, e me deu vontade de levantar e falar “então estamos todos de acordo, vamos logo tombar o nosso quarteirão e voltar pra casa”. Mas eu não podia falar nada, a presidente disse que a reunião não era participativa. Depois ele falou de creches, que a cidade precisa de creches – nos concordamos com ele e sabemos que tem muita criança em São Paulo sem creche.

Na proposta da prefeitura, a empresa que ganhar o terreno terá que construir 200 creches na cidade. Nós sabemos que creche é muito importante e toda criança tem direito a uma, mas deve ter outro jeito de fazer essas creches sem ter que derrubar a minha biblioteca, o teatro, duas escolas, uma creche, dois serviços de saúde e a Apae, construir um prédio de apartamentos no lugar, e acabar com o quarteirão que conta a história do meu bairro e da minha cidade. A minha biblioteca está lá desde 1946, é a primeira biblioteca infantil de bairro da cidade de São Paulo e foi o Monteiro Lobato que escolheu o terreno onde ela está até hoje.

No final da apresentação os conselheiros fizeram umas perguntas ao secretário – perguntas bem legais, que eu gostaria de ter feito – e o secretário teve dificuldades para responder. Nessa hora, como a gente não podia falar nada, batemos palmas. Foi o nosso jeito de participar e defender o quarteirão. Depois pedimos desculpas à presidente, e ela disse que tudo bem, que nós até que fomos muito bem comportados. Nós vamos ter o direito de apresentar “uma réplica” lá no Condephaat para mostrar a “nossa posição” aos conselheiros. Assim que for marcado o dia dessa apresentação, eu conto aqui.

Não se esqueçam da festa na próxima terça-feira. É o aniversário do bairro e a programação está no post anterior, vejam lá e apareçam. Vamos aproveitar pra continuar a nossa luta em defesa do quarteirão e conseguir mais apoio para o nosso movimento.

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Li a história da Sayuri e dos livros enterrados

Na semana passada eu não escrevi nada no blog, não deu tempo, tinha muita coisa para estudar e eu tive provas na escola. Quando isso acontece, minha mãe não deixa eu ficar muito tempo na internet, ela me dá limites. Já falei disso aqui no blog, dos limites dos meus pais, é chato, às vezes eu fico com raiva e eles dizem que é para o meu bem. Mas hoje estou de volta e vou falar da minha luta política e de um livro bem legal que eu li.

Boas notícias da minha luta política

Depois daquele momento de tensão do post anterior, na outra semana teve boas notícias da nossa luta política. O Tribunal de Justiça negou o pedido da prefeitura e manteve a suspensão da lei que autorizava a venda do quarteirão. A prefeitura tentou “derrubar uma liminar concedida” por um juiz, “em uma ação movida” por um vereador, mas não conseguiu – aos poucos eu vou aprendendo essas coisas. A venda do terreno onde fica a minha biblioteca, o teatro, duas escolas, uma creche, dois serviços de saúde e a Apae continua suspensa. Por enquanto a prefeitura não pode vender e com isso vamos ganhando tempo para continuar a nossa luta.

Nesta semana eu recebi um e-mail da organização do movimento dizendo que no próximo dia 4 de outubro vai acontecer uma festa em comemoração ao aniversário do bairro do Itaim Bibi. Vamos aproveitar esse dia para divulgar a nossa luta e ganhar mais pessoas para o movimento. Vai ter programação o dia todo: às 7h00 da manhã tem missa na paróquia do bairro, a Santa Tereza de Jesus; às 12h00, hasteamento das bandeiras do Brasil e do Itaim e execução do Hino Nacional, na esquina das ruas Joaquim Floriano e Bandeira Paulista; e às 19h00, no Teatro Décio de Almeida Prado – que fica na rua Cojuba, 45, ao lado da minha biblioteca – vai ter uma “sessão solene” e em seguida apresentação de música e teatro. O Teatro Décio de Almeida Prado está lindo, acabou de ser reformado, eu já assisti a alguns shows lá e contei aqui no blog. No e-mail que eu recebi está escrito que eu não posso faltar a esse evento do teatro, que vai ter uma surpresa para mim. Fiquei curioso e perguntei, mas eles não me disseram o que é. Estarei lá para comemorar o aniversário do meu bairro, lutar para defender a minha biblioteca e todo o quarteirão e descobrir que surpresa é essa.

A história dos livros enterrados

Durante a Segunda Guerra Mundial, que aconteceu de 1939 a 1945, o Japão era inimigo do Brasil e os japoneses, que já moravam aqui foram perseguidos pela polícia brasileira. Suas casas eram invadidas e revistadas, se encontrassem armas, tomavam deles, e se encontrassem livros escritos em japonês, queimavam todos. Como os brasileiros não entendiam o que estava escrito, achavam que podia ser alguma informação dos inimigos. As escolas japonesas daqui também foram fechadas nessa época. A história do livro que eu li se passa nesse tempo, se chama Os livros de Sayuri e foi publicado pela Edições SM. Quem escreveu e ilustrou foi a Lúcia Hiratsuka, eu conheci a Lúcia na Flip, ela participou da Flipinha e eu conversei com ela, lá em Parati. A Lúcia é descendente de japoneses e a história desse livro começou com uma história que sua mãe contou. A mãe da Lúcia se lembrou de ter visto os pais e os irmãos enterrando os livros, quando ela tinha uns 6 ou 7 anos. Eu adorei esse livro e li numa sentada. Comecei a ler e não parei, até chegar o final.

Quem conta a história do livro da Lúcia é a Sayuri e ela começa falando do dia em que sua família teve que enterrar todos os livros da casa, com medo de que eles fossem queimados, também. “Parece um enterro. Mas ninguém morreu.” Colocaram os livros da família em uma caixa e fizeram um buraco embaixo do abacateiro. “E a caixa foi enterrada. Como se os livros estivessem mortos. Ou como se fossem tesouros? Os mortos não voltam. Mas e os tesouros? Voltam algum dia? Igual nas histórias de tesouros enterrados?” Eram os livros que eles tinham trazido do Japão. Entre eles havia um que a mãe da Sayuri tinha prometido dar a ela, quando ela aprendesse a ler. Sayuri não deixou que enterrassem esse, separou, escondeu e esse passou a ser o seu segredo. Quando estava sozinha em casa, pegava o livro e tentava adivinhar o que estava escrito nele. Quando a Sayuri chegou na idade de estudar, a escola dos japoneses foi fechada. Ela teve que estudar à noite e ia escondida por um caminho escuro, iluminado pelo lampião. Gostei do jeito da Sayuri contar essa história, tem uma partes emocionantes e é muito bonita. Eu também gosto de contar histórias e sempre presto atenção no jeito que alguns personagens contam.

E a Lúcia me falou mais do seu livro: “Os livros de Sayuri é uma ficção, baseado em fatos reais. Fiz pesquisa, li livros que falam dessa época, da segunda guerra, quando o Brasil e Japão cortaram as relações diplomáticas e as escolas foram fechadas. Os imigrantes, mesmo os nascidos no Brasil, não podiam falar na língua de origem, ler, nem mesmo viajar sem autorização. Pesquisei também sobre o que comiam, as brincadeiras da minha mãe quando criança, se ela tinha brinquedos ou improvisava. Criei os personagens – o nome Sayuri não é o da minha mãe – inspirados em pessoas que conheço, imaginando alguns, observando o ser humano, etc. Enfim, aquilo que faz um ficcionista. E me inspirei na minha própria infância também, pois fui uma criança de roça e aprendi primeiro o japonês, antes de entrar na escola.”

Lúcia Hiratsuka é escritora e ilustradora. Nasceu em Duartina, interior de São Paulo e mora na cidade de São Paulo desde os 16 anos. Formada em Artes Plásticas, fez pesquisa sobre livros ilustrados na Universidade de Educação de Fukuoka no Japão (1988-89). Também faz pesquisa de mitos e lendas do Japão e muitas dessas histórias ela ouvia de sua avó, na infância. Além deste, ela também é autora de Festa no céu Festa no mar, Histórias de Mukashi, Contos da montanha, Lin e o outro lado do Bambuzal, Um rio de muitas cores, Urashima Taro, Coleção Contos e Lendas do Japão e Histórias Tecidas em Seda, que recebeu o Prêmio de Melhor Reconto 2008 da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

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Momentos de tensão na minha luta política

Eu já fiquei feliz, triste e agora estou com medo. Meu pai disse que é assim, mesmo: “Toda luta política sempre traz emoções muito fortes, meu filho.” Semana passada saiu uma notícia no jornal. A prefeitura apresentou o projeto do que ela pretende agora construir no terreno onde fica a minha biblioteca. Todos que acompanham o meu blog ou essas notícias no jornal, já sabem desta história. A prefeitura quer vender o terreno onde fica a biblioteca, um teatro, duas escolas, uma creche, dois serviços de saúde e a Apae para construir no lugar um prédio de apartamentos. No começo a prefeitura dizia que ia manter a biblioteca e o teatro, depois disse que ia demolir e transferir o acervo para outras bibliotecas. A Biblioteca Anne Frank seria extinta!

Agora ela diz que vai derrubar os dois, teatro e biblioteca, e no pedaço do terreno onde eles estão agora, construir um prédio e colocar a biblioteca no térreo e o teatro no subsolo. Depois desse prédio pronto, eles vão demolir as duas escolas, a creche e os serviços de saúde e transferir pra lá também, e no lugar onde eles ficam atualmente, construir o prédio de apartamentos e um parque aberto à população. A prefeitura apresentou uma maquete transparente. Meu pai disse que não acredita em maquetes e que nesse projeto o que falta é transparência. Achei engraçado e concordo em ele, uma hora a prefeitura diz que vai deixar a biblioteca, outra hora diz que vai derrubar e agora vem e diz que vai colocar em outro lugar. Dá pra confiar? Meu pai me disse que a lei aprovada na Câmara, que autorizou a prefeitura a negociar o terreno não diz nada sobre o que vai ser construído lá dentro. “A prefeitura e a construtora podem fazer o que bem entenderem. Por isso, Heitor, é melhor prevenir. Depois que a obra começar não vai adiantar espernear.” Essas palavras do meu pai me dão medo, mas também me animam.  Vou procurar os meus amigos e companheiros para continuar nossa luta, minha primeira luta política.

Depois de ler a notícia cheguei a uma conclusão: mesmo que a prefeitura cumprisse essa sua última promessa, eu prefiro a minha biblioteca do jeito que ela está. Aquele lugar tem história! Foi o Monteiro Lobato que escolheu o terreno para construir a Biblioteca Anne Frank, que foi inaugurada em janeiro de 1946 e no começo se chamava Biblioteca Infantil do Itaim. Ela é a primeira biblioteca infantil construída num bairro da cidade de São Paulo, antes dela só existia a biblioteca do centro, que hoje se chama Biblioteca Monteiro Lobato.

Durante minha luta política conheci um monte de gente e aprendi muita coisa. Hoje eu sei que o quarteirão onde está a minha biblioteca foi construído seguindo o modelo de “Parque Escola” do educador Anísio Teixeira, que nasceu em 1900 e morreu em 1971 e junto com Paulo Freire foi um dos maiores educadores da história do Brasil.

Lá existe uma escola em período integral e os seus alunos frequentam a biblioteca, que é aberta ao público e é por isso que eu também vou lá. Meu pai me disse que “todo o espaço do quarteirão, hoje é público, e é só desse jeito que fica garantido o nosso acesso àquele lugar”.  Achei um pouco confusa essa história de “acesso” e pedi para o meu pai me explicar melhor. Ele me explicou direitinho, eu entendi tudo muito bem e fiquei com medo do que pode acontecer.

Também aprendi que esse terreno conta um pouco da história da cidade e que ele é um dos poucos “redutos” que está sobrevivendo à “especulação imobiliária”. Soube também, que além deste a prefeitura tem projetos para vender outros terrenos parecidos com o quarteirão do meu bairro, que resistem e contam a história do bairro em que eles ficam. A empresa que ficar com o nosso quarteirão vai ter que construir 200 creches. A cidade precisa de creches, mas a prefeitura tem dinheiro para construir e já podia ter feito desde o começo do governo. Resolveu fazer só agora e pra isso quer derrubar a minha biblioteca! Deve ter outro jeito.

Eu sou contra a venda do quarteirão do meu bairro e dos quarteirões dos outros bairros que contam a história da minha cidade. Meu pai disse que ficou decepcionado com um jornalista que falou numa rádio a favor do projeto da prefeitura. “Esse jornalista sempre apoiou os movimentos sociais e se destaca por valorizar projetos ligados à educação e à cultura”. O jornalista disse que o projeto da prefeitura “é um bom negócio”. “Bom negócio pra quem?” “Pra cidade?” Meu pai disse que não concorda e nem eu. Ele disse na rádio que a comunidade que defende a manutenção do espaço esta preocupada com a vista: “Eles não querem perder a vista, na verdade.” A prefeitura já vinha dizendo isso há algum tempo, que a única perda será da vista que as pessoas que moram nos apartamentos em volta têm desse lugar.

Eu não moro nesses prédios, não vou perder a minha vista e não quero que derrubem a minha biblioteca. Assim como eu, tem muita gente que não vai perder a sua vista e não quer que o quarteirão seja vendido. Meu pai sempre se revolta com essas coisas. “Dizer que a nossa única preocupação é a vista é uma estratégia sórdida, uma tentativa de desvalorizar os nossos argumentos, banalizar as nossas crenças e ignorar a importância que esse quarteirão tem para a história do bairro e da cidade. Espero que o Condephaat reconheça isso e tombe logo o nosso quarteirão.”

– É isso aí, pai!

Dois livros de Jorge

Acabei de ler dois livros do primeiro escritor que eu conversei e conheci pessoalmente, o Jorge Miguel Marinho. Um desses livros ganhou um monte de prêmios, até o Jabuti. Vou falar deles no próximo post. Conheci o Jorge Miguel no dia em que eu fui visitar uma editora e lá apareceu a ideia de fazer este blog. Contei tudo isso lá no comecinho, nos primeiros posts. Outro dia eu encontrei o Jorge na FELIT e ele me disse que tem umas ideias para o meu blog. Tenho o telefone do Jorge, vou ligar pra ele pra saber dessas ideias e também pra falar que eu adorei os livros dele.

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Ganhei livros de duas escritoras

Nosso clube de leitura

No post anterior eu disse que não estava mais feliz com o nosso clube de leitura, mas a tristeza já passou e eu estou feliz de novo, muito feliz. O nosso clube está dando super certo. Uns quarenta alunos já comentaram, a professora Rose comentou e até a Lia Zatz, a autora do livro que a gente leu, deixou o seu comentário também. Está demais! Vocês precisam ver. Tá tudo lá no post “Lia Zatz no Clube de Leitura”. Agora eu preciso falar com a professora pra saber se mais algum aluno vai comentar. Quero sortear os brindes entre todos os alunos que comentaram. Desta vez os brindes serão um kit de material escolar da Faber-Castell, um kit de livros da Rosana Rios e um livro da Eliana Sá, que a empresa e as autoras doaram para sortear no clube e eu já falei disso aqui no blog. Também quero combinar com o pessoal da Sintaxe e com a professora qual vai ser o próximo livro que a gente vai ler. Nosso clube não pode parar.

O Pequeno Leitor

Na semana passada o pessoal da Sintaxe me ligou. Eles vivem me ligando, mas eu gosto, sempre tem novidade e dessa vez foi uma bem legal.

– Oi, Heitor. O que você vai fazer no sábado?

– Eu? Nada. Por quê?

– Fomos convidados para a apresentação de um site.

– É mesmo? Que site?

– O Pequeno Leitor. Aquele site que saiu na revista, quando saiu matéria do seu blog.

– Eu conheço o Pequeno Leitor. Que legal! Vamos conhecer a Stela e o Gabriel!

– A Stela disse que faz questão da sua presença.

– A Stela é legal! Ela deixou comentário no blog, eu também coloquei comentário no blog dela. Onde vai ser?

– Na casa do Saber, aí perto da sua casa. Avisa sua mãe. Vamos passar pra te pegar às 10.

– Beleza! Tá combinado.

Foi maior legal a apresentação de O Pequeno Leitor. Chegamos e fomos conhecer a Stela e o Gabriel. Ela disse que estava muito feliz com a nossa presença. A gente também estava feliz! É tão bom conhecer pessoas que gostam da mesma coisa que a gente gosta! A Stela falou, mostrou o site e depois ainda teve a contação de uma história bem bacana. A história contada é da Stela e se chama Dudu e a caixa. Esta história está num livrinho que eu ganhei de presente na saída, ele é bem bonito e tem ilustrações de Renato Moriconi.

O Pequeno Leitor (http://www.opequenoleitor.com.br/) é um site para incentivar o interesse pela leitura nas crianças de 5 a 8 anos. Tem histórias com ilustrações, livrinhos virtuais, poemas, brincadeiras rimadas e até piadinhas. Tem um monte de histórias criadas pela Stela. Cada história legal! O Gabriel também sabe criar histórias. Lá na festa ele veio mostrar pra gente uma que ele tinha acabado de inventar, com ilustrações e tudo. Era a história de um menino que virou craque de futebol e foi jogar no Santos e no Milan. Ele é santista e também torce para o Milan. Acho que ele quis escrever uma autobiografia. No site tem também alguns espaços pra gente criar as nossas histórias. A Stela disse que já tem mais de mil e duzentas histórias criadas.

Para participar é preciso se cadastrar, mas o cadastro é bem legal. A gente cria um personagem, escolhe o cabelo, os olhos, a boca, e alguns acessórios, e depois escolhe um amigo imaginário, que vai dar as dicas e as ideias pra gente viajar no site. Depois é só salvar e escrever o nosso nome e o e-mail do adulto que vai autorizar a nossa participação no site. As histórias são bem legais e a gente ainda aprende umas palavras novas. Aparecem umas palavras mais difíceis que a gente pode clicar nela, descobrir o que é e jogar para o nosso baú de palavras. No final da história tem um teste e os pontos ganhos a gente pode trocar por tranqueiras virtuais. O Pequeno Leitor é bem legal! Vocês precisam ver. A Stela é redatora publicitária desde 1991 e se dedica a projetos infantis desde que nasceu o seu filho Gabriel, que também ajuda a cuidar do site.

Ganhei livros de duas escritoras

Hoje eu vou falar de dois livros que eu ganhei de duas escritoras na FELIT. Essa FELIT rendeu bastante coisa boa, ganhei livros, conheci e encontrei muitos escritores e ilustradores, e descobri que depois que eu comecei a fazer esse blog, conheci tanta gente legal. E quero conhecer mais.

O primeiro livro que eu vou falar é da Ieda de Oliveira. Eu não conhecia a Ieda, quem me apresentou a ela foi o pessoal da Sintaxe. Quando encontramos a Ieda ela estava atrasada, com hora marcada para voltar para o Rio de Janeiro.

– Esse é o Heitor, Ieda, do blog do Le-Heitor. Você conhece o blog dele?

– Sim, claro que eu conheço o blog do Le-Heitor. Muito prazer, Heitor!

A Ieda estava com um livro dela na mão e me deu de presente.

– Este é pra você.

– Oba! Obrigado.

Ela estava com pressa, nem deu tempo de pegar um autógrafo dela. Eu adoro pegar autógrafo dos escritores para colocar na minha coleção de livros autografados.

O livro que ela me deu, eu já li e gostei é O Leão e o Macaco. Este livro foi publicado pela Editora Larousse Júnior e tem ilustrações do Maurício Veneza, que também estava na FELIT, mas nem deu tempo de conversar com ele. Vou contar agora um pouco da história deste livro. Ele começa assim: “Dizem que há muitos anos morava na floresta um leão chamado Sourrei muito esquisito e mandão, mas que não era de todo mal. Implicava com um, com outro, queria saber da vida de todo mundo e fazia questão de ser chamado de majestade. Um dia, sem ninguém saber porquê, ele disse que ia viajar e que em breve voltaria com muitas novidades. Todo mundo ficou se perguntando quais seriam essas tais novidades, mas ninguém ousou perguntar.”  Depois de um tempo sumido o leão volta para a floresta com a juba pintada de vermelho ao lado de duas girafas gêmeas, que ele disse que eram as suas cabeleireiras e que iam cuidar da sua beleza daqui pra frente. Os bichos da floresta se esforçaram para não rir na frente daquele leão de cabelão vermelho, tinham medo de serem castigados. Nesse dia o leão determinou que a floresta só seria habitada por animais jovens, e que todos estavam obrigados a pegar os seus parentes velhos, levar para o alto da montanha e deixar por lá. O cabrito leva o bode, a corujinha, a sua mãe coruja e ninguém mais quis fazer festa de aniversário. Até o dia em que o leão Sourrei bateu na casa do macaquinho e disse que estava na hora de ele levar o pai para a montanha. Nesse dia a história da floresta começa a mudar.

Ieda de Oliveira é escritora compositora e professora. Fez pós-doutorado na Universidade de Paris, é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, mestre em Letras pela PUC-RJ e especialista em Literatura Infantil e Juvenil pela UFRJ. É professora universitária de Literatura Infantil e Juvenil e Teoria da Literatura e é fundadora e diretora da COLL – Consultoria de Língua Portuguesa e Literatura no Rio de Janeiro. Além de O Macaco e o leão, publicou muitos livros, entre eles O espelho, Bruxa e Fada, O Sapo e o Pássaro, A Cobra e o Sábio, O cheiro da morte e outras histórias, Brasileirinho, A saga de um rei, e muito mais.

O outro livro que eu vou falar é da Anna Claudia Ramos. Ela eu já conhecia desde a Bienal do ano passado, depois eu encontrei com ela na FLIP e agora na FELIT. Todos esses encontros eu contei aqui no blog. Faz tempo que eu estava a fim de falar de um livro dela aqui.

– Anna Claudia, eu quero falar de um livro seu no meu blog.

– Que legal, Heitor! É mesmo?

– Você pode me indicar algum.

– Acho que podia ser o primeiro livro que eu publiquei. Eu relancei por outra editora. O nome dele é Pra onde vão os dias que passam?.

– Que nome legal!

– É a história de uma menina que sai de casa atrás de uma resposta para essa pergunta.

– Já estou gostando da história.

– A menina é um pouco mais velha que você, mas acho que você vai gostar dessa história.

A Anna Claudia me deu o livro de presente com uma dedicatória bem bonita, eu li, já coloquei na minha coleção de livros autografados, e agora vou contar um pouquinho da história dele. Pra onde vão os dias que passam? tem ilustrações de Martha Werneck, foi publicado pela Editora Escrita Fina e conta a história de Mariana, uma menina que gostava de ver o mar antes do dia clarear, ficava sozinha, de costas, olhando por debaixo das pernas, vendo o mar de cabeça pra baixo e imaginando tempestade, navios piratas, pássaros, ventos e furacão. Ela vivia imaginando coisas e sonhando com um mundo diferente. Queria ter fazenda, cavalos, árvores, montanha para escorregar. Mariana sonhava muito e procurava as respostas para um monte de perguntas que ela tinha. Uma delas é o título deste livro. Pra onde vão os dias que passam? Um dia conversando com a sua mãe, ela decide ir para outra cidade, foi morar em São Pedro da Serra. Foi embora à noitinha, os pais e os irmãos não estavam em casa. A despedida tinha sido uma conversa na hora do almoço. – Preciso ir, mãe! Eu tenho que tentar. Nem que seja pra quebrar a cara. – Mas, filha? Não fala mais nada, não, mãe! – Se cuida, Mariana. Telefona sempre que der, tá? E Mariana foi embora. Precisava entender sua natureza. Perder o medo de muita coisa. Aprender a ficar sozinha. Alugou uma casinha dessas de cidade pequena, janela verde, de madeira, igual à porta, verde. Colocou plantas, levou fotos e muitos livros. Agora, o que aconteceu por lá com a Mariana, só lendo o livro, mesmo. A Anna Claudia escreveu na dedicatória que ela fez pra mim, que era para eu quebrar a cabeça descobrindo Pra onde vão os dias que passam? Acho que eu descobri! Aquele dia que a gente se encontrou na FELIT já passou… Sabe onde ele está agora? Guardado na minha memória! Acertei?

Anna Claudia Ramos é escritora e ilustradora, desde pequena tem mania de inventar histórias e passava horas brincando e inventando novos mundos pra morar e viajar. Foi por isso que ela virou escritora, foi a forma que encontrou de nunca parar de brincar. Formada em Letras pela PUC-RJ, fez mestrado na UFRJ em Ciência da Literatura, já foi professora de educação infantil, coordenadora de sala de leitura, fez teatro amador, e é professora de oficinas de criação literária. Além de Pra onde vão os dias que passam?, publicou Não é bem assim a história, A história de Clarice, Apenas diferente, Tempo mágico, tempo de namoros, Sempre por perto, e muito mais.

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