Como prometi no post anterior hoje vou falar de dois livros, O jovem Mandela e Ela tem olhos de céu. O primeiro foi escrito por Jeosafá Fernandes Gonçalves e faz parte de uma coleção da Editora Nova Alexandria, “Jovens Sem Fronteiras”, que reconstitui a juventude de importantes personagens da cultura brasileira e mundial. O segundo foi escrito por Socorro Acioli, ilustrado por Mateus Rios, publicado pela Editora Gaivota e está entre os finalistas ao Prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil.
Também vou falar de outro encontro bem legal que eu participei na semana passada, na biblioteca Monteiro Lobato, promovido pelo LiteraSampa, que reuniu quase cem crianças e adolescentes pra conversar sobre livro, leitura e biblioteca. E no final deste post já vou anunciar o próximo, vamos fazer o clube de leitura com uma escola municipal de São José dos Campos.
Amandla! Ngawethu!
O escritor Jeosafá Fernandes Gonçalves é meu amigo e companheiro de luta na defesa do livro e da leitura, eu o conheci na Bienal de São Paulo e já estive com ele em algumas reuniões, ele também estava no encontro municipal para organizar a construção do Plano Municipal do Livro e da Leitura do dia 13 de setembro, que contei aqui no blog. Hoje vou falar de um livro que ele escreveu, que conta um pouco da vida do grande personagem da História e principal líder na luta pela democracia, pela liberdade e contra o apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.
Apartheid foi um regime de segregação racial que existiu durante muitos anos, a maioria negra da Africa do Sul não tinha direito a nada, nem votar podia e até os casamentos inter-raciais eram proibidos. Por lutar por democracia e liberdade, Nelson Mandela ficou preso durante 27 anos, mas continuou sua luta contra o apartheid. Na prisão, promoveu debates, deu palestras e verdadeiras aulas, com currículo estabelecido pelos próprios participantes, até os guardas acompanhavam as aulas de Mandela.
Essa sua iniciativa de educação geral e de formação política ficou conhecida como Universidade Mandela, e essa história está em O jovem Mandela, escrito por Jeosafá Fernandes Gonçalves e publicado pela Editora Nova Alexandria. Para escrever esse livro, o autor fez muita pesquisa, misturou realidade e ficção e mostrou como se formou o homem e o líder que derrotou o apartheid. Mandela deixou a prisão em 1990 e em 1994 foi eleito presidente da África do Sul, pelo voto direto de todos os sul-africanos, não apenas dos brancos.
Havia um grito de guerra para as manifestações antiapartheid: Amandla! Ngawethu! Um líder saudava a multidão Amandla! (o poder) e esta respondia numa só voz Ngawethu! (está com a gente!), depois vou perguntar ao Jeosafá como pronuncia essas palavras, ele me disse que gostou de escrever esse livro, e eu adorei ler, comecei e não parei mais, até acabar.
Jeosafá Fernandez Gonçalves, nasceu em São Paulo, em 1963. Trabalhou como jornaleiro, operário metalúrgico, vendedor de roupas, porteiro de cineclube, entre outros, até ingressar no curso de Letras da Universidade de São Paulo e tornar-se professor, carreira que exerceu por dezesseis anos, na Educação Básica e no Ensino Superior. Doutorou-se em Literatura pela mesma Universidade, com especialização nas relações Brasil-África, em 2002, publicou seu primeiro livro em 1986 e reúne hoje em sua obra, entre poesia, ficção, ensaio e ensino, mais de quarenta livros. É autor de uma série de romances chamada Era uma vez no meu bairro, resultado de mais de vinte anos de pesquisa sobre a violência, particularmente contra crianças e jovens.
Sebastiana, a menina que fazia chover
Já fui uma vez à entrega do Prêmio Jabuti, até contei aqui e neste ano, quero ir de novo. Tem um livro entre os finalistas ao Prêmio de Melhor Livro Infantil, que estou torcendo pra ganhar, é o livro da minha amiga Socorro Acioli e se chama Ela tem olhos de céu. O resultado final sai no dia 17 de outubro, quando serão anunciados os três primeiros colocados por categoria e a festa de entrega dos prêmios será no dia 13 de novembro. Quero ir e reencontrar minha amiga, que mora em Fortaleza.
Ela tem olhos de céu, escrito por Socorro Acioli, ilustrado por Mateus Rios e publicado pela Editora Gaivota conta a história de Sebastiana, uma menina que nasceu em Santa Rita do Norte, cidade que fica “lá pras bandas do Nordeste, onde a água nunca pinga, onde a seca não tem pena, de gente de bicho e cacimba.” Sua mãe era Lúcia Natalina, “parindo depois dos trinta”, não tinha água em casa pra Chica Parteira fazer seu trabalho.
Os vizinhos lhe ajudaram, cada um “deu o que pôde” e depois de cinco filhos homens, nasceu sua primeira mulher. Nasceu chorando e não parou de chorar, logo “ouviu-se o trovão, uma pancada no céu, mais parecia explosão”, e quanto mais a menina chorava, mais o céu escurecia, até começar a chover. Este é só o começo dessa história, contada em versos de cordel, Sebastiana chora-chuva ainda vai virar atração e um grande problema pra cidade.
A Socorro Acioli já lançou o Ela tem olhos de céu aqui em São Paulo, nesse dia foi também o lançamento da Editora Gaivota, eu fui e contei aqui no blog. Até peguei um autógrafo dela! Li outro livro da Socorro contado em versos de cordel, é o Inventário de Segredos, que “revela” os segredos dos habitantes de uma cidade do interior do Ceará. Tem cada segredo nessa história, que só lendo! O Inventário também foi ilustrado pelo Mateus Rios. Gosto muito das ilustrações dele, são desenhos, que vistos de longe já dá vontade de pegar o livro e ler.
Socorro Acioli nasceu em Fortaleza, em 1975. É jornalista e doutoranda em estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de
Janeiro. Estuda roteiro de cinema e foi aluna de Gabriel García Márquez e Guilhermo Arriaga. Além do Ela tem olhos de céu, publicou, A Bailarina Fantasma, Inventário de Segredos, O Anjo do Lago, Bia que tanto lia, Tempo de Caju e muitos outros. Por seus livros infantojuvenis já recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e o prêmio de Melhor Obra Infantil do Governo do Estado do Ceará.
Mateus Rios é carioca, mas mora e trabalha em São Paulo. Fez faculdade de cinema e hoje trabalha com ilustração de livros, projetos de animação e publicidade. Gosta de descobrir e testar novos modos de contar histórias, experimentando diversos materiais, meios e modos de narrar, deixando os olhos descobrirem caminhos e cores neste jogo com o texto, e dando forma ao que as palavras inspiram. Além de Ela tem olhos de céu, ilustrou Planeta Bicho, Vozes da Floresta, Pedro Noite, A ideia que se esquecia, Inventário de Segredos, O Barba-Azul e muitos outros.
LiteraSampinha
Na semana passada participei de um encontro, quem me avisou foi a Bel do LiteraSampa, ela deixou um comentário no post anterior: “… Nesta sexta-feira (04/10) estarei no LiteraSampinha, na Biblioteca Monteiro Lobato com uma garotada de 06 a 12 anos. Vamos conversar sobre o PMLL.
Falarei de você.” Não resisti e fui, pessoalmente, o encontro durou o dia todo, saí da escola e fui direto pra lá, deu tempo de pegar o lanche e os trabalhos da tarde. As atividades seriam dentro e fora da biblioteca, no jardim da praça onde fica a Lobato, mas como naquele dia estava chovendo em São Paulo, só teve as atividades internas, mas, mesmo assim, foi bem gostoso.
Teve mediação de leitura, contação de história e duas atividades em grupo. Na primeira atividade, os grupos conversaram sobre “um elemento da narrativa essencial para uma história: o personagem”. Desenhamos no papel e cada um construiu a identidade de seu personagem, se era idoso, mulher, homem, jovem, animal, que tempo ele viveu ou vive, como é sua família, o que gosta de fazer, qual é o seu nome, que planeta vive e onde nasceu. Depois, escolhemos em que gênero literário de histórias estaria o nosso personagem, num romance, história em quadrinhos, fábula, conto, poesia. No final, nosso personagem ficou construído e desenhado.
A segunda atividade começou com uma contação, a escritora Thayame Porto contou uma história de seu livro Carrego Comigo!. Depois o grupo conversou sobre os dois primeiros eixos do PMLL, “democratização do acesso” e “fomento à leitura e à formação de mediadores” e todo mundo teve que desenhar o lugar onde mais gosta de ler, teve de tudo, gente que desenhou uma árvore, uma casa, uma biblioteca, um jardim, um bosque, o sítio do avô, uma montanha, um rio, um banheiro, teve até desenho de privada, mas o curioso, mesmo, é que ninguém desenhou uma escola. Daí todos começaram a falar como queriam que fosse a sua escola.
A escola tem que ter mais espaço, pra ir pra fora e não ficar só dentro da sala; as salas deveriam ser mais espaçosas, com puffs e tapetes; no mesmo espaço da sala, estante de livros; sala de leitura mais silenciosa; biblioteca aberta direto, quando a gente pode ir na biblioteca da escola, ela está fechada; acesso direto ao livro, ir lá e poder pegar; aulas diferentes, fora da sala; lugar de leitura no pátio, mais dias para pegar livro e biblioteca aberta todos os dias. No final, perguntei pra a Bel se essas reivindicações seriam encaminhas para o grupo de trabalho do Plano Municipal do Livro e da Leitura. A Bel respondeu que sim, que o PMLL precisa ouvir todo mundo, inclusive crianças e adolescentes.
Entrevista coletiva no Clube de Leitura
No próximo post vamos fazer o clube de leitura com o professor Carlos e os alunos da EMEF Profa. Vera Lúcia Carnevalli Barreto, de São José dos Campos. O livro será O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho e ainda vamos publicar uma entrevista coletiva que fizemos (eu e os alunos do professor Carlos) com o autor. Não percam!







































