Já contei duas histórias que viraram livro. Na primeira, “Os meninos da biblioteca”, eu tinha 12 anos, já na segunda, “Os caçadores do livro encantado”, estava com 14. Hoje tenho quase 20. Entre uma e outra história, li um livro que mudou minha vida. Pode parecer exagero, mas foi verdade. Às vezes, lemos livros que mudam o nosso jeito de pensar, e foi o que esse fez comigo: “O fazedor de velhos”, de Rodrigo Lacerda. Na época, falei dele no blog: https://blogdoleheitor.sintaxe.com.br/li-“o-fazedor-de-velhos”-de-rodrigo-lacerda/. Outro dia, encontrei o autor numa livraria e contei a ele tudo o que seu livro representou pra mim, e acho que ele gostou do meu depoimento.

Pedro, protagonista e narrador, conhece Nabuco, um professor aposentado que se transforma em seu mentor e o ensina a valorizar a vida, e também conhece Mayumi. Influenciado pelos pais, Pedro adorava livros. No começo, achava uma chatice e lia por obrigação, mas com o tempo, foi pegando gosto pela coisa e virou o tipo de leitor que lê por prazer. Nabuco o descrevia assim:
“Quando você pega um livro para ler, você não lê primeiro para depois saber se concorda com o que o livro diz, você já vai para a leitura com a predisposição de aceitar tudo. Você procura sempre o que é comum a você, você não se propõe a analisar e criticar o autor, você se propõe a gostar dele, e de quem você gosta, você aceita tudo, menos deslealdade.”

Pedro tinha 20 anos e estava na faculdade; insatisfeito, cursava História. Foram as conversas com o seu mentor que o fizeram descobrir o que queria ser na vida. Mais de uma década depois do lançamento desse livro, Rodrigo Lacerda publicou a continuação da história: “O fazedor de velhos 5.0”. Neste, Pedro tem quase 50 anos, três livros publicados, abandona a carreira de escritor e vira editor. Mas sua opinião continua quase a mesma:
“O mais importante é o impacto emocional que o livro provoca no leitor. Esse deveria ser o primeiro parâmetro para gostar de um livro. Se foi essencial para nos transformar, então para nós ele é um clássico, tanto faz o que os outros digam.”