Descobridor de palavras e leitura compartilhada

Nesta semana eu li um livro que conta a história de um menino que gostava muito de ler e de descobrir palavras diferentes, e eu também descobri o que quer dizer “leitura compartilhada”.

Théo voltava da escola de ônibus com sua irmã mais velha quando avistou, pela janela, uma placa que dizia o seguinte: “Precisa-se de Encafronhador com experiência em Trombilácios”. Cutucou sua irmã, Driel, que ouvia música nos fones de ouvido. Primeiro ela o olhou com cara de desprezo, mas depois também ficou interessada e até tirou os fones das orelhas. O pai deles estava desempregado há meses e o anúncio prometia “excepcional remuneração”.  – Tem oferta de emprego para um encafronhador. Você sabe o que é isso? Théo perguntou a sua irmã. – Não tenho a menor idéia. Lá em casa a gente pergunta para o papai. É mais ou menos assim que começa a história do livro O encafronhador de trombilácios, de Rosana Rios, com ilustrações de Biry Sarkis. Lá no fim deste post tem um pouco sobre a vida e o trabalho deles, suas biografias. A Editora Scipione lançou este livro no ano passado.

Théo gostava muito de ler. A mãe lia muitas histórias pra eles e assim acabaram aprendendo a ler bem cedo. A mãe morreu quando Théo tinha seis anos e Driel, nove e eles herdaram dela uma sala cheinha de livros. Ele já estava acostumado, desde muito pequeno, a procurar as palavras novas no dicionário. E assim que chegou em casa foi pesquisar o que significavam encafronhador e trombilácios. Théo gostava de descobrir palavras novas e como lia muito sabia algumas que ninguém desconfiava o que eram.  Uma vez, quando estava no primeiro ano, foi parar na diretoria porque chamou a professora de peremptória, mas depois foi perdoado quando descobriram o que significava isso. Quando brigava com os amigos ao invés de dizer palavrões os chamava de reles, estúrdio, abstruso e outras palavras legais que só ele sabia. É o Théo quem conta esta história, ele é o narrador (eu também vou descobrindo palavras). Mas Théo não encontrou o significado destas palavras, elas não estavam no dicionário. Fiquei curioso, li o livro até o final para descobrir o que queriam dizer encafronhador e trombilácios e me diverti muito com esta história.

A segunda parte deste livro começa quando o pai vai trabalhar de encafronhador e eles passam a morar em uma rua bem tranquila chamada “alameda Reta”. Essa rua era cheia de álamos e é por isso que não era chamada de rua e sim de alameda. Nesta alameda tinha escola, onde os meninos foram estudar; tinha padaria, sempre com pães quentinhos; as frentes das casas eram gramadas; tinha a oficina do Nerdínio, onde o pai foi trabalhar de encafronhador; tinha uma loja de presentes; tinha as Lojas Turíbio, um galpão enorme que vendia móveis e eletrodomésticos; tinha uma quitanda, que vendia frutas, verduras e doces; não tinha supermercado, tinha um empório, que vendia de tudo; tinha uma casa branca, onde eles foram morar; e também tinha uma livraria. Numa certa manhã a tranquilidade da alameda Reta foi quebrada pela demolição da Loja Turíbio. A partir desse dia, toda vizinhança começou a receber propostas para vender suas casas. No lugar das casas seriam construídos enormes edifícios.

A leitura compartilhada

 Falei para o meu tio que eu estava lendo este livro e contei um pouco da história. Ele ficou muito interessado e também quis ler o livro. Ele adorou e contou pra mim, que quando era criança, também morou numa rua assim. Como na alameda Reta, as pessoas que moravam na rua do meu tio eram como se fossem uma única família. Elas tinham uma vida simples. Meu tio disse que teve muitos amigos na infância. Jogavam bola, bolinhas de gude, rodavam pião, empinavam pipas, brincavam de pique e esconde-esconde. Essa rua ficava em um bairro, aqui mesmo, na cidade de São Paulo. Ele disse que lá também chegaram os “especuladores imobiliários”. Derrubaram as casas e no lugar construíram prédios luxuosos. – Hoje esse bairro é considerado nobre, mas não tem a elegância do bairro da minha infância, disse o meu tio com um olhar de saudades e uma lágrima nos olhos.

Fiquei muito feliz pelo meu tio ter lido um livro que eu li. Foi bem legal ele se lembrar da infância dele e contar pra mim o que achou do livro. Eu percebi que as pessoas descobrem coisas diferentes, mesmo quando lêem o mesmo livro. O meu tio descobriu coisas na história que eu não descobri, e eu descobri outras coisas que ele não tinha descoberto. E é muito bom trocar essas coisas. Outro dia eu ouvi uma escritora falando sobre leitura compartilhada. Se eu pudesse conversar com ela, queria saber mais sobre esse assunto. Mas de uma coisa eu já sei: leitura compartilhada é isso que eu fiz com o meu tio. E é isso que eu também quero fazer com este blog: compartilhar as minhas leituras. Por isso eu gosto tanto quando deixam comentários aqui no blog, eu fico muito feliz e respondo a todos.

Rosana Rios é formada em Educação Artística e Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Além de escritora, também é ilustradora, trabalha com arte-educação e escreve peças de teatro. Quando pequena, adorava ler, mas nunca imaginou que se tornaria uma escritora. Tudo começou quando seus filhos eram pequenos, e ela começou a inventar histórias para contar a eles. Naquela época, já era formada em Belas-Artes e trabalhava como desenhista numa empresa, mas inventar histórias lhe agradou tanto que começou a escrever e a trabalhar com isso. Primeiro, foi roteirista do programa Bambalalão, na TV Cultura de São Paulo; mais tarde trabalhou na TV Bandeirantes e na TV Record. Começou a publicar em 1988 e já fez uns 100 livros. Ela disse que o que mais a deixa feliz é saber que alguém leu um livro seu e se emocionou, se divertiu e viajou na aventura. 

Desenho de Biry

Biry Sarkis é desenhista e autodidata – aprendeu a desenhar sozinho. É mineiro e tem duas filhas, a Lua e a Clara, suas companheirinhas e muitas vezes fontes de inspiração para o seu trabalho. Já fez ilustração para muitos livros e revistas infantis. Com os seus desenhos ajuda a contar histórias e também cria as suas. Quando era pequeno ele brincava muito, principalmente na rua, na cidade de Caxambu, onde passou sua infância, em Minas Gerais.

Li um imortal

Ganhei um livro no sábado e li – como um dia eu ouvi meu tio dizer e achei muito engraçado – numa sentada. O nome do livro é Vida e paixão de Pandonar, o cruel e o autor é o imortal, como são chamados os escritores que fazem parte da Academia Brasileira de Letras, João Ubaldo Ribeiro. As ilustrações são de Mariana Newlands. A história foi escrita em 1984 e recebeu naquele ano o prêmio de Melhor Livro da Associação Paulista de Críticos de Arte. A Editora Objetiva relançou este livro neste ano.

Pandonar é um personagem criado pelo Geraldo, que é o menino que conta esta história. Geraldo tem 15 anos e a história começa durante a aula do professor Cícero: “Ciro, rei dos persas, sabedor do temor e da veneração dos egípcios pelos cães e gatos, marchou contra o faraó à frente de um exército de cães e gatos!” e ele termina dizendo que “os egípcios morderam o pó da derrota!” Fernandinho interrompe o professor e pergunta: “antigamente as pessoas que perdiam a guerra eram obrigadas a morder o pó? era obrigatório? Como é que se morde o pó?”

O professor responde que empregou uma metáfora e pergunta pra sala se alguém sabia o que era uma metáfora. O próprio Fernandinho responde metralhando: Figura-de-retórica-na-qual-uma-palavra-ou-expressão-é-substituída-por-outra-em-virtude-de-relação-de-semelhança-subentendida. E o professor ainda pergunta: E o que é figura de retórica? Isso eu não decorei, só decorei a metáfora, responde o Fernandinho. Dê um exemplo de metáfora gritou Cícero para o Fernandinho. – Os egípcios morderam o pó da derrota. O professor cruzou os braços e passou a encarar o Fernandinho por um tempo muito longo.

Enquanto isso Geraldo, que estava do outro lado, jogou um olhar magnético em direção a barriga de Cícero e começou a repetir as palavras que tinha lido no livro O poder do magnetismo pessoal: sob meu poder, sob um poder, você está sob meu poder!  Geraldo acreditava que se dirigisse toda a força em direção a barriga de Cícero, ele ficaria com dor de barriga e poderia até dar um vexame. Mas isso não aconteceu e o professor agora olhou para o Geraldo e pediu: o senhor me faça o favor de dar um exemplo de metáfora. E ele deu: Os persas espanaram o pó da vitória.

Pela cara do professor ele percebeu que não devia ter dito aquilo. – Fora! – gritou Cícero. – Ao diretor! Debochado! Indisciplinado! Pela primeira vez ele saiu da sala expulso para enfrentar o diretor. Enquanto saía, procurando evitar o olhar do professor e fingindo que encarava tudo aquilo com a maior tranquilidade, ele se virou para o lado das meninas e Maria Helena estava olhando para ele. Nesse olhar havia alguma coisa diferente e parecia que tudo começava naquela hora.

Esse é só um resuminho do começo da história. A partir desse dia Geraldo só pensou em Maria Helena, até deixou de lado o Voldegrado, uma nova língua que ele estava inventando e parou de escrever as aventuras do Pandonar, mas ainda recorria ao personagem para sair de alguns apuros. Como por exemplo, quando todos na escola descobriram que ele deixava bilhetes românticos para Maria Helena e esperava a sua resposta debaixo do apagador.

Ele se sentiu traído e colocou Pandonar em seu lugar, moribundo, sendo assistido por Al-Glabur. Maria Helena, arrependida de ter prejudicado tanto Pandonar vai até o seu leito de morte para dizer que o amava mais do que a própria vida. Depois de uma longa conversa entre os dois, Pandonar diz: – Não acredito. E, com um último suspiro, vira a cabeça para o lado e morre. (Dramático e muito cruel o Pandonar, não acham?)

Antes desse momento trágico da história criada pelo personagem, Geraldo já tinha muitas dúvidas e queria se aproximar de Maria Helena. Ele procurou a ajuda do seu melhor amigo, o Roquetão. – Você conhece a Maria Helena? – Que Maria Helena? A Maria Helena lá da sala? E depois de muitas perguntas e respostas sobre a menina, o Geraldo disparou: Acho que ela quer namorar comigo. – Ela quer namorar com você? Ela disse? – Ela não disse assim. Mulher não diz essas coisas assim.

Eles eram muito amigos, mas brigavam demais. Assim como Geraldo, Roquetão era um menino que gostava de inventar coisas e por isso era conhecido como cientista maluco. – Eu não sou maluco! Maluco é você que só fica pensando em códigos, em escrever com limão para tinta ficar invisível, em fazer línguas novas e em falar em Pandonar… Quem é Pandonar? Pandonar não existe? Então o maluco sou eu?

E o livro segue assim, com o Geraldo criando as suas histórias, tentando se aproximar de Maria Helena, tendo a ajuda do seu amigo Roquetão e o apoio de Pandonar, o cruel. Mas para saber o fim da história desses meninos malucos só lendo o livro, mesmo.  

João Ubaldo Ribeiro nasceu na cidade de Itaparica, na Bahia. Antes de virar escritor ele era jornalista, começou a trabalhar em 1957 e ainda estudou na faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Em 1964 ele recebeu uma bolsa e foi estudar ciências políticas nos Estados Unidos. Ele já ganhou um Camões, que é um dos prêmios mais importantes para os escritores de língua portuguesa. João Ubaldo disse que escreveu Vida e paixão de Pandonar, o cruel para garotos de todas as idades e se inspirou em acontecimentos da sua infância. Ele já publicou contos, crônicas, e romances que fizeram muito sucesso como, Viva o povo brasileiro e Sargento Getúlio. João Ubaldo Ribeiro também é colunista de dois grandes jornais: O Estado de S. Paulo e O Globo.

Fui a uma sessão de autógrafos

Hoje vou falar da primeira sessão de autógrafos que eu fui. Outro dia a Otacília e Paula me convidaram para ir ao lançamento de um livro. Elas são amigas do pessoal da Sintaxe, a assessoria de imprensa que deu este blog pra mim. O livro era o Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol. A escritora Silvana Salerno fez a tradução e recontou essa história, que é muito famosa. A editora que publicou esse livro é a DCL. A Otacília foi editora da DCL, a Paula foi assessora de imprensa e as duas são amigas da Silvana. Elas passaram de carro na minha casa, conversaram com a minha mãe e me levaram pra avenida Paulista. O lançamento foi na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. É uma livraria muito bonita e muito grande. Me disseram que lá, antes era um cinema.

No caminho fomos conversando um monte de coisas. A Otacília me falou sobre o trabalho dela de editora de livros. Ela trabalha com isso há muito tempo. Antes da DCL, ela já tinha trabalhado na Editora Globo, na Larousse, e em muitas outras editoras. A Paula é jornalista. Depois que saiu da DCL, foi estudar inglês no Canadá, voltou de lá, foi trabalhar na Folha e agora está trabalhando numa revista chamada Carta Capital.  Perguntei pra elas da Silvana. O que ela fazia? Como era o trabalho dela de escritora? Acho que é bom saber alguma coisa do escritor antes de ir ao lançamento dele. Elas me falaram que a Silvana é casada com o Fernando Nuno, que também é escritor, e os dois tem um estúdio que produz textos para livros. É o Estúdio Sabiá. O trabalho deles é estudar, pesquisar, escrever e ler. Acho que é isso que eu quero fazer quando eu crescer.

Dedicatória da autora
Chegamos na livraria e fomos ao caixa comprar os livros. Em dia de lançamento os livros lançados já ficam no caixa. Comprei o livro e a moça perguntou qual era o meu nome. Eu disse Heitor. Ela escreveu meu nome num pedaço de papel e colocou dentro do livro. Eu estranhei aquilo e olhei pra Paula. – Viu, Heitor, ela fez isso para a autora não precisar perguntar o seu nome, na hora de fazer a dedicatória, ela olha o papelzinho e já sabe quem você é. E eu disse – Isso deve ser muito bom pra autor esquecido, que esquece o nome dos amigos. A Paula riu e fomos pra fila de autógrafos. Sempre tem fila? Perguntei pra Otacília. – Nem sempre, Heitor, mas nos lançamentos da Silvana e do Nuno sempre vem muita gente. Olhei em volta e só tinha adultos, ninguém da minha idade.

Chegou a nossa vez na fila. Quando a Silvana viu a Otacília e a Paula, ela pronunciou o nome delas em voz alta e deu um abraço forte e carinhoso nas duas. Elas se conhecem há bastante tempo e parece que se gostam muito. A Silvana olhou pra mim e perguntou pra elas. Quem é esse menino bonito? – É o Heitor, ele gosta muito de ler e esta é a sua primeira sessão de autógrafos. A Silvana estava com um chapéu enorme, fantasiada de Chapeleiro Maluco, que é um personagem do livro Alice no país das maravilhas. Você conhece a Alice? A Silvana me perguntou. Conheço, mas ainda não li o livro. E você vai ler? Sim, claro que vou. – Eu fiz a tradução e recontei a história do escritor inglês Lewis Carrol, que é o autor de Alice. No livro, eu também conto um pouco da vida dele. Acho que você vai gostar.

Dedicatória da ilustradora
Ela pegou o meu livro, abriu, tirou o papelzinho com o meu nome – ela nem precisou dele, já sabia quem eu era – e fez uma dedicatória para mim. Depois ela passou o meu livro para a Cris Eich, que é ilustradora e fez os desenhos desse livro. A Cris também fez uma dedicatória para mim (fiz as fotos do livro que estão neste post com o meu celular). Pena que eu não pude conversar com a Cris. Queria saber mais sobre o trabalho do ilustrador de livros. Um dia quero conhecer um ilustrador. Vou pedir para as minhas amigas (agora já são minhas amigas, também) Otacília e Paula me apresentarem um.

Uns dias depois do lançamento eu li o livro, mas não vou contar a história dele. Todos sabem um pouco dessa história. O bacana é ler e viajar com Alice no país das maravilhas. Eu, por exemplo, depois de ler o livro, percebi que no lançamento eu me senti um pouco Alice. Um menino tentando crescer para estar no mundo dos adultos. Mas, assim como Alice, eu gostei muito de estar lá.

Conheci um escritor de verdade

Como eu contei no outro post no dia em que eu fui à editora Biruta estava lá um escritor de verdade conversando com a Eny. Pelo que eu entendi, ele estava mostrando para ela o projeto de um novo livro. Tentei saber o que era, mas não descobri nada. Uma vez me disseram que nesse mercado de livros, quando a coisa é muito boa, eles guardam em segredo, até o livro ficar pronto. O escritor que eu conheci é o Jorge Miguel Marinho. Ele tem muitos livros publicados e alguns prêmios. Ganhou até dois Jabutis, que é o prêmio mais importante dado aos escritores no Brasil. Ganhou o primeiro Jabuti com o livro Te dou a lua amanhã e o segundo com Lis no peito: um livro que pede perdão, que foi considerado o melhor livro juvenil em 2006.

O Jorge Miguel me mostrou o último livro que ele lançou pela Editora Biruta. É o Adivinha o que tem dentro do ovo… Apesar de que depois desse ele já lançou outro pela Biruta, mas não é um livro que conta histórias, é um livro teórico, para professores. O Adivinha que tem dentro do ovo… é um livro bonito e muito colorido e tem uma história bem bacana. É uma história curta sobre um galo, uma galinha e o filho deles. Eu li enquanto a Eny conversava com o Jorge. O livro começa com um recado e um desafio do autor para o leitor: “O que é o que é? Você pensa que sabe tudo, que vence qualquer brincadeira de adivinhação? Pois bem, aqui vai um desafio. Duvido que você acerte essa?” O autor não conta o desafio e convida o leitor a ler a história para descobrir. E a história vai começando aos poucos, com umas tiradas muito engraçadas.

O Jorge Miguel me contou que esse livro para ser feito seguiu o caminho inverso. Normalmente, nos livros infantis, o escritor faz o texto e passa para o ilustrador fazer os desenhos. Com esse livro foi diferente. O ilustrador, o Rubens Matuck, fez as ilustrações sobre o tema: “galo, galinha e cria”. Passou os desenhos para o Jorge Miguel, que teve “liberdade de criar o texto dando a ordem que quisesse às imagens”. Ele me contou que foi tudo em silêncio, enquanto escrevia o texto do livro, não conversou nenhuma vez com o Rubens Matuck. E ele disse uma frase que eu anotei: “Agora é claro que a minha Inácia, o meu Galope e o meu Osvaldo (personagens do livro) vieram do meu imaginário com uma simples motivação: contar uma história de amor no universo fechado de um galinheiro e dar asas ao voo que existe dentro de todos nós”.

Daí eu perguntei para o Jorge Miguel sobre o livro que ele escreveu para professores. Eu acho que deve ser um livro muito difícil, não sei se vou conseguir ler tão cedo. Ele me disse que é um livro que fala sobre as motivações para ler, escrever e criar. E eu fiquei espantado. – Poxa, Jorge, deve ser muito bacana. Esse assunto me interessa muito! Me conta mais. – Então, Heitor, ele continuou e eu anotei: “A real motivação que faz o escritor criar é tornar a sua história pessoal matéria coletiva” De todo mundo, Jorge? Sim, Heitor. Então o escritor escreve porque quer se aparecer?! “Ele escreve para se entender e ser lido, para partilhar sua vida e visão pessoal com os leitores. Como disse o escritor Mário de Andrade: a gente escreve para encantar, para atrair, para ser amado”. Depois de ouvir o Jorge Miguel dizer essas coisas, eu pensei: será que é para isso que estou fazendo um blog?

Depois descobri que o Jorge Miguel é professor. Eu queria ter aula com ele. Ele é muito bacana! Soube que ele trabalha com teatro, escreve peças e também é ator. Agora eu entendi porque ele fala daquele jeito. Quando ele está explicando alguma coisa ou contando uma história todos ficam atentos. Ele envolve e emociona a gente. Como o escritor, acho que essa também é a função do ator: envolver e emocionar pessoas.

Outro dia eu fui à minha primeira sessão de autógrafos e vou contar essa história no próximo post. Até lá!

Visitei uma editora.

Como eu prometi no primeiro post, vou falar um pouco da minha visita à Editora Biruta. O motorista da editora veio me buscar em casa, depois deles conversarem com a minha mãe pelo telefone. No caminho já fui puxando um papo com o motorista, o nome dele é Atanael, quis saber se ele gostava de trabalhar na editora e se era bom trabalhar para pessoas que fazem livros. Ele disse que gostava, sim. Eu comentei que fazer livros deve tornar as pessoas boas e ele respondeu que ler, também torna as pessoas melhores. Depois desse e de outros “papos cabeça”, como diz minha tia, chegamos à editora.

Eles me receberam com suco de laranja e bolo feitos pela Eliana que trabalha na copa. A Eny, que junto com a Mônica são as editoras e responsáveis “pela escolha dos títulos e dos originais que serão publicados” foi abrindo e me contando um pouco da história de todos os livros que ficam numa estante, logo na entrada da casa. Ela me explicou que, além de selecionar textos de autores brasileiros para publicação, também vai todo ano para uma feira de livros infantis e juvenis na cidade de Bolonha, na Itália. “Lá é o lugar onde todas as editoras do mundo compram os direitos para publicar os grandes autores internacionais em seu país, e a Editora Biruta não poderia ficar fora dessa”. A Eny tem um assistente, o Rafael, um rapaz cheio de ideias.

Depois veio a Thais conversar comigo e me mostrar outros livros. Ela quem vai às feiras e fica no estande da editora, divulgando e vendendo os livros da Biruta. Eu acho que ela leu todos os livros de lá, pois ela sabe a história de todos eles. Daí eu fui para outra sala da casa e vi um moço concentrado no meio de muitos papéis e perguntei o que ele fazia. O nome dele é Edinaldo, ele é o gerente da editora e cuida também das contas e dos pagamentos da empresa. Mas ele não faz isso sozinho, a Jéssica o ajuda nesse trabalho, ela também faz a remessa dos livros que saem do estoque e vão para as Livrarias. Quem cuida do estoque dos livros é o Ursino. Ele também cuida do site. Ele me mostrou o site. É bem bacana. Lá tem todos os livros da editora.

Também conheci a Beatriz. Ela me falou que é estagiária – deve ser bacana ver na prática o que se aprende na Faculdade. Ela faz revisão de texto e ajuda a Elisa que é a produtora editorial. O produtor editorial cuida para que os textos fiquem certinhos, do jeito que a gente vê, quando os livros já estão prontos. Mas um livro não é só texto: tem a diagramação, as ilustrações, a capa e o projeto gráfico. Quem faz a diagramação e cuida da arte dos livros é a Monique. A editora contrata os ilustradores e muitas vezes, faz o projeto gráfico em escritórios especializados nessa área. Depois de pronto o livro tem que ser vendido para que a editora ganhe dinheiro e possa fazer mais livros. Para isso tem o Denis, que divulga os livros nas escolas e nas livrarias.

Eu gostei muito de conhecer a Editora Biruta. Foi muito bacana. O pessoal é muito legal. Me deram muita atenção e responderam todas as minhas perguntas. Eu acho que fazer livros, torna sim, as pessoas boas. Um dia desses quero conhecer outra editora. Quem sabe eu receba outro convite. Espero!

Como ganhei um blog.

Oi, Tudo bem?

Então, outro dia estava lendo um livro irado, chamado Um bolo no céu. É do Gianni Rodari, um escritor italiano que eu gosto muito e que já morreu. O livro conta a história de um objeto não identificado que apareceu no céu de um bairro de Roma causando a maior confusão na cidade. Uma história muito engraçada! Os adultos pensaram que fosse um disco voador e que os extraterrestres preparavam uma invasão à Terra. Chamaram até o exército para se defender da ameaça. As crianças tinham certeza que era, mesmo, um bolo gigante. A notícia se espalhou e uma multidão de crianças veio correndo de todos os bairros de Roma para experimentar o delicioso bolo gigante que caiu do céu.

Gostei tanto da história que me deu vontade de dizer isso para editora que publicou esse livro. Queria agradecer, comentar, sei lá, conversar com eles. Procurei no livro o endereço e o telefone da editora. Ela se chamava Biruta, Editora Biruta. Achei muito engraçado o nome dela. Depois descobri que biruta é também um instrumento que mostra a direção dos ventos e orienta os aviões e helicópteros. Um dia liguei lá e eles foram muito legais. Quiseram saber o que eu achei desse e de outros livros que eu li.

Eles perguntaram quais eram as minhas “preferências” – que tipo de histórias eu gostava mais de ler. Perguntaram sobre a minha escola, minha família, se eu gostava de brincar, também. E eu fui respondendo todas as perguntas. No final me convidaram para visitar a editora. Um dia eu fui à Editora Biruta e até conheci um escritor de verdade, mas esse é assunto para outro post. O que eu preciso explicar, mesmo, é o que eu estou fazendo aqui neste blog.

Quando o pessoal da Editora Biruta soube que eu gostava muito de ler e de contar as histórias que eu lia, eles me perguntaram para quem eu contava essas histórias. Eu disse que contava para os meus amigos, meus colegas de escola, para minha família… Eles me perguntaram se eu não queria “ampliar o meu público”. E eu perguntei: como assim?

E eles responderam: poderíamos ver uma forma de mais pessoas ouvirem suas histórias. Eu pensei, pensei e respondi: eu ia adorar! Daí, o assessor de imprensa da editora teve uma ideia: vou criar um blog para o Leitor, digo o Heitor, ou melhor o Le contar suas histórias. Você topa, Le? E eu topei!

Então, a partir de hoje, eu vou contar aqui as histórias dos livros que eu ler, sem contar o final, é claro, para não atrapalhar a surpresa. E se você tiver alguma sugestão, um comentário sobre as minhas histórias, ou quiser falar sobre um livro que leu, ou mesmo trocar ideias comigo, eu vou gostar muito!