O narrador mais que presente

Quando falei aqui do livro “O fazedor de velhos”, de Rodrigo Lacerda, comentei da identificação que tive com o Pedro, o personagem-narrador. Como ele, eu também procuro nas minhas leituras o que é comum a mim. Meu amigo Lipe diz que são leituras auto-centradas. E que mal há nisso? 

Nesta semana, me identifiquei (e me auto-centrei), novamente. Dessa vez foi com o livro “Marieta e o Narrador”, de Pedro Tavares. Lançado em maio, na Feira do livro de São Paulo, pela Biruta, sua história é narrada em terceira pessoa. Se é que podemos chamar o Norberto de terceira pessoa. Pois, quebrando regra de uma terceira pessoa autêntica, neste livro, o narrador interage com a protagonista.

Sendo narrador onisciente, seu contato com Marieta — uma menina de 16 anos vivendo crise da idade — o torna capaz de interferir na história. Gosto de descobrir narradores diferentes, dessa forma, vou aperfeiçoando a minha “função”, que é como a Marieta nomeia o nosso trabalho, o do Norberto e o meu.

Agora, saindo do mundo protegido dos narradores, este livro, inicialmente, me atraiu pela forma como o autor construiu sua narrativa, mas, no final, acabou me levando a uma história muito bonita, de uma menina que pretendia melhorar suas notas em Física e, com a ajuda do narrador e de sua melhor amiga, Júlia, consertar algumas coisas erradas da sua vida.  

Pedro Tavares é escritor, roteirista e jornalista. Venceu duas vezes o prêmio FNLIJ, teve obra incluída no catálogo internacional White Ravens, foi segundo colocado no Prêmio Biblioteca Nacional e finalista do Prêmio Jabuti. “Marieta e o Narrador” é o seu livro de estreia na Editora Biruta.

PS: Outra identificação ou coincidência: o disco “Rubber Soul”, dos Beatles, que eu e o Lipe ouvimos em “Os caçadores do livro encantado” também é tocado neste livro.

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