
Desde que parei de publicar no blog e terminei “Os caçadores do livro encantado”, muita coisa aconteceu na minha vida: concluí o ensino médio, entrei na faculdade… mas não quero falar disso, agora. Essa história, pretendo contar no próximo livro. Volto às redes sociais para falar dos livros que tenho lido, arriscar algumas resenhas e reencontrar minha voz.
Hoje, por exemplo, vou falar um pouco de um livro que trata da escrita em tempos de IA: “Escrever é humano”, de Sérgio Rodrigues, autor que quando escreveu o “A vida futura”, também teve que encontrar uma voz, a voz de Machado de Assis, o narrador da história: ao saber que suas obras seriam rescritas, para alcançar mais leitores, o Bruxo do Cosme Velho e seu amigo José de Alencar, abandonam o Olimpo e desembarcam no Rio de Janeiro de 2020.

Além do blog, também vou publicar no Facebook e no Instagram. Espero reencontrar as pessoas com as quais interagi, no passado, e fazer novas amizades.
Escrever é humano
Quando era adolescente e alimentava o sonho de virar escritor, Sergio Rodrigues leu uma frase que o atormentou: “Fulano escreve bem, mas não tem o que dizer”. Acreditava levar jeito para a literatura, “as palavras me mostravam alguma obediência”, mas teria o que dizer? Depois de um tempo, descobriu que aquela questão era falsa, saber escrever e ter o que dizer são a mesma coisa.
Como um dever em compartilhar o que aprendeu ou acerto de contas, Rodrigues vinha planejando há anos escrever um livro sobre o tema, o projeto era tocado sem pressa, até que na virada de 2022-3, se tornou urgente: o ChatGPT mostrou que era possível gerar, num segundo, um texto correto, preciso, claro, coeso e com ritmo, melhor do que muitos humanos conseguem escrever. Apesar das evidências, ele prova o contrário, em “Escrever é humano”, editado pela Companhia das Letras.
Na forma de ensaios, com toques autobiográficos e memórias de seu percurso profissional — incluindo detalhes íntimos que relutou em revelar —, autor trata de temas fundamentais do fazer literário: paranóia dos clichês, pacto com quem lê, processo de escrever e reescrever, inflação dos detalhes, estilo, voz, defeito como qualidade, entre outros.