Conheci um escritor de verdade

Como eu contei no outro post no dia em que eu fui à editora Biruta estava lá um escritor de verdade conversando com a Eny. Pelo que eu entendi, ele estava mostrando para ela o projeto de um novo livro. Tentei saber o que era, mas não descobri nada. Uma vez me disseram que nesse mercado de livros, quando a coisa é muito boa, eles guardam em segredo, até o livro ficar pronto. O escritor que eu conheci é o Jorge Miguel Marinho. Ele tem muitos livros publicados e alguns prêmios. Ganhou até dois Jabutis, que é o prêmio mais importante dado aos escritores no Brasil. Ganhou o primeiro Jabuti com o livro Te dou a lua amanhã e o segundo com Lis no peito: um livro que pede perdão, que foi considerado o melhor livro juvenil em 2006.

O Jorge Miguel me mostrou o último livro que ele lançou pela Editora Biruta. É o Adivinha o que tem dentro do ovo… Apesar de que depois desse ele já lançou outro pela Biruta, mas não é um livro que conta histórias, é um livro teórico, para professores. O Adivinha que tem dentro do ovo… é um livro bonito e muito colorido e tem uma história bem bacana. É uma história curta sobre um galo, uma galinha e o filho deles. Eu li enquanto a Eny conversava com o Jorge. O livro começa com um recado e um desafio do autor para o leitor: “O que é o que é? Você pensa que sabe tudo, que vence qualquer brincadeira de adivinhação? Pois bem, aqui vai um desafio. Duvido que você acerte essa?” O autor não conta o desafio e convida o leitor a ler a história para descobrir. E a história vai começando aos poucos, com umas tiradas muito engraçadas.

O Jorge Miguel me contou que esse livro para ser feito seguiu o caminho inverso. Normalmente, nos livros infantis, o escritor faz o texto e passa para o ilustrador fazer os desenhos. Com esse livro foi diferente. O ilustrador, o Rubens Matuck, fez as ilustrações sobre o tema: “galo, galinha e cria”. Passou os desenhos para o Jorge Miguel, que teve “liberdade de criar o texto dando a ordem que quisesse às imagens”. Ele me contou que foi tudo em silêncio, enquanto escrevia o texto do livro, não conversou nenhuma vez com o Rubens Matuck. E ele disse uma frase que eu anotei: “Agora é claro que a minha Inácia, o meu Galope e o meu Osvaldo (personagens do livro) vieram do meu imaginário com uma simples motivação: contar uma história de amor no universo fechado de um galinheiro e dar asas ao voo que existe dentro de todos nós”.

Daí eu perguntei para o Jorge Miguel sobre o livro que ele escreveu para professores. Eu acho que deve ser um livro muito difícil, não sei se vou conseguir ler tão cedo. Ele me disse que é um livro que fala sobre as motivações para ler, escrever e criar. E eu fiquei espantado. – Poxa, Jorge, deve ser muito bacana. Esse assunto me interessa muito! Me conta mais. – Então, Heitor, ele continuou e eu anotei: “A real motivação que faz o escritor criar é tornar a sua história pessoal matéria coletiva” De todo mundo, Jorge? Sim, Heitor. Então o escritor escreve porque quer se aparecer?! “Ele escreve para se entender e ser lido, para partilhar sua vida e visão pessoal com os leitores. Como disse o escritor Mário de Andrade: a gente escreve para encantar, para atrair, para ser amado”. Depois de ouvir o Jorge Miguel dizer essas coisas, eu pensei: será que é para isso que estou fazendo um blog?

Depois descobri que o Jorge Miguel é professor. Eu queria ter aula com ele. Ele é muito bacana! Soube que ele trabalha com teatro, escreve peças e também é ator. Agora eu entendi porque ele fala daquele jeito. Quando ele está explicando alguma coisa ou contando uma história todos ficam atentos. Ele envolve e emociona a gente. Como o escritor, acho que essa também é a função do ator: envolver e emocionar pessoas.

Outro dia eu fui à minha primeira sessão de autógrafos e vou contar essa história no próximo post. Até lá!

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  1. Só uma palavra pra definir o blog: lindo! Parabéns! Foi o moço ai de cima, o Jorge, que me indicou. Já vou lincar à minha página (passarei sempre por aqui).

    Abraço,

    Dan

  2. Bah, Heitor, que sorte, hein? Ir até uma editora e ainda encontrar ume escritor do naipe do Jorge Miguel é coisa boa demais. Até fiquei com um pouco de inveja. Abração

  3. Pois é, Caio Riter. Eu também acho que estou com muita sorte. Ainda mais agora, você comentando no meu blog. Quando vier à São Paulo, quero lhe conhecer e conversar com você.

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