Clube de leitura com “Um bolo no céu”

 

Neste post vou falar do segundo encontro do clube de leitura da Biblioteca de São Paulo, para jovens de 11 a 14 anos. Conversamos sobre o livro Um bolo no céu, escrito por Gianni Rodari, ilustrado por Francesco Altan e publicado pela Editora Biruta. A ideia é que esse encontro continue aqui no blog, portanto, quem já leu esse livro, mesmo que não tenha participado da reunião, e quiser deixar seu comentário aqui, vamos adorar. Mesmo quem não leu, mas tiver algum palpite pra dar, também pode.

O clube tem que continuar

Aos poucos vamos ampliando a turma e fortalecendo o nosso clube de leitura, já somos seis, comigo: Eu (Heitor), Jorge, Gabriely, Tiphany, Henrique e Néstor. Como havia novos integrantes, começamos essa reunião com a rodada de apresentações, todos disseram seu nome, idade, escola que estuda, o ano, se gosta de ler, se lê livros além dos indicados pela escola, se frequenta bibliotecas, etc., etc..

O Henrique disse que os livros que escolhemos não são suas leituras prediletas, expliquei porque fizemos essa seleção, que são livros em que os personagens participam da história de Os meninos da biblioteca, o primeiro livro que lemos no clube, mas que se o clube de leitura continuar no próximo ano, todos vão poder sugerir títulos para leitura, ele disse que quer ler e discutir com o grupo, algum livro de ficção científica, sua leitura preferida, um de Júlio Verne, por exemplo; o Jorge, apesar de estar se divertindo muito com as nossas leituras, também já tem um título para indicar, Terra de Histórias – O feitiço do desejo, de Chris Colfer. Anotei as sugestões e já começamos a nossa campanha com a biblioteca: O CLUBE TEM QUE CONTINUAR!

Um bolo no céu

O livro Um bolo no céu conta a história de uma espécie de disco voador misterioso, que apareceu em Borgata del Trullo, um bairro de periferia da cidade de Roma, na Itália. Os adultos pensaram que fosse uma invasão extraterrestre, chamaram o exército e recrutaram cientistas e pesquisadores. Já as crianças enxergaram o óbvio, era um simples bolo gigante caindo do céu, eles só tinham que avisar os seus amigos, para darem conta de comer todo esse bolo. Essa história nasceu na Escola Elementar Collodi, que fica em Borgata del Trullo, entre os alunos da quinta série, da professora Maria Luisa Bigiaretti, em 1964, e foi publicada em capítulos pelo jornal Corriere dei Piccoli, nesse mesmo ano.

Começamos conversando sobre essa divergência que aparece no livro, do olhar da criança com o olhar do adulto, se quando a criança cresce, vira adulto, perde a capacidade de fantasiar, e qualquer tentativa, pode ser reprimida. Sobre isso, alguém chamou a atenção para um trecho que aparece na página 22, um diálogo entre Dédalo, o piloto do helicóptero, que observava o bolo do alto, e o Diomedes, o general que comandava a operação:

Sim senhor. A superfície superior apresenta um maravilhoso panorama de cor branco-chantili. Um espetáculo soberbo!

– Deixe de lado os pontos de exclamação – esbravejou Diomedes. – Você não é um vendedor de geladeiras. Diga o que está vendo e só. Câmbio.

– Entendido, senhor. Vejo esferas vermelhas colocadas a distâncias regulares na superfície branca. São muitas centenas. Parecem grandes cerejas em calda, se me permite a comparação.

– Você não tem permissão! – enfureceu-se o general. – Poupe-nos das comparações. Em vez disso, conte as esferas.

O flautista de Hamelin

Quem assumiu a missão de espalhar pela cidade a notícia de que havia um bolo no céu foram os irmãos Paulo e Rita, mas era Rita, a irmã mais nova, quem mais sofria com a incompreensão das pessoas. Internada no hospital, por suspeita de envenenamento pelo bolo, ela descobriu como as crianças se entendem com mais facilidade, isso está em outro trecho do livro, na página 86:

– É verdade que em Borgata del Trullo tem um bolo doce e grande como uma montanha? – interrompeu um loirinho com um braço na tipoia.

– É verdade, sim. Mas os doutores não querem acreditar em mim.

– Escute, é bom esse bolo?

– Gostaria que vocês pudessem comer tanto quanto eu comi. É o melhor bolo do mundo, eu garanto. Aliás, é um bolo espacial. Chegou ontem mesmo o céu.

Para avisar as crianças de Roma, Rita e seus amigos usaram um recurso, que no livro foi comparado à flauta mágica e no rodapé da página 90, o autor fala do Flautista de Hamelin, que é um conto folclórico popularizado pelos irmãos Grimm e sugere a sua leitura. Lemos o Flautista de Hamelin na reunião, é um conto curto, com um final que pode ser interpretado como trágico. Essa leitura rendeu uma conversa bem divertida sobre contos de fadas, ficamos comparando as terríveis versões originais com as versões “fofas” (como disse a Gabriely), de alguns contos famosos. Ainda falamos de muitas outras coisas que percebemos na leitura de Um bolo no céu e trocamos opiniões. Foram duas horas conversando sobre livro e leitura e nem percebemos o tempo passar, ainda bem que no final deste mês tem mais (informações no final deste post).

O autor e o ilustrador

 

Gianni Rodari (1920-1980) nasceu na cidade de Omegna, na Itália, formou-se em Magistério com apenas 17 anos e em 1941, foi aprovado no concurso para professor. Logo depois, começou sua carreira em escolas elementares do norte da Itália, o que lhe deu a oportunidade de estudar o universo infantil e testar novos métodos de ensino. Nesse tempo, escreveu contos para crianças e jovens e, em 1950, é chamado à Roma para dirigir a revista infantil “Il pioniere”.

Em dezembro de 1958, passou a trabalhar no jornal “Paese Sera” e, finalmente, realizou seu maior sonho: conjugar o trabalho de escritor para crianças com o de jornalista político. Em 1960, começou a publicar pela Editora Einaudie e sua fama espalhou-se por toda Itália. Em 1970 recebeu o Prêmio Andersen, o mais importante prêmio internacional de literatura infantil, que o tornou famoso no mundo inteiro.

 

Francesco Altan é autor de histórias em quadrinhos, cartunista, ilustrador e nasceu em 1942, na Itália. Em 1970, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde criou sua primeira história em quadrinhos para crianças, “Kika”, publicada no Jornal do Brasil.

Em 1975, de volta à Itália, cria o cachorrinho Pimpa, seu personagem mais famoso. A sua biografia no livro diz que “ao ilustrar os textos de Gianni Rodari, Altan sintetiza, com seu desenho irônico e provocador, toda a mensagem humana e social neles contida, além de comentar e dar vida às propostas lúdicas do escritor.”

O próximo encontro

O próximo encontro do clube de leitura da Biblioteca de São Paulo, para jovens de 11 a 14 anos, será no dia 28 de outubro, sábado, às 14h30, com o livro Os meninos da rua Paulo, do escritor húngaro Ferenc Molnar, traduzido por Paulo Rónai e publicado pela Companhia das Letras. Inscrições pelo e-mail: agenda@bsp.org.br, ou no balcão da biblioteca, que fica na avenida Cruzeiro do Sul, 2630, ao lado da estação Carandiru do metrô, em São Paulo. A editora cedeu alguns exemplares do livro para empréstimo, corra e garanta já o seu.

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